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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Jesus a profecia sancionada


Mateus 11: 1-19, 27-30

1.       O ministério de Jesus era frenético, o capítulo 11 demonstra uma continuação do capítulo anterior, onde Jesus partiu para ensinar e pregar em outras cidades.
2.3  João preso por Herodes Antipas tinha trancafiado João Batista (4:12). Este preso fica sabendo dos milagres, das mensagens e dos cumprimentos proféticos do ministério do nosso Senhor. Isto apontava que Jesus Cristo era verdadeiramente o Messias prometido pelos profetas (cap. 8 e 9). Todavia, o libertador tinha uma imagem mais épica na mente dos judeus, pois, o seu opressor era verdadeiramente uma máquina de guerra, o Império Romano, mas o Messias utilizou a espada do conhecimento em vez da espada de aço (Jo. 8: 31-32). Devido a esta esperança João Batista enviam os se discípulos com uma pergunta: ...És aquele que havia de vir ou esperamos outro? João havia contemplado os céus aberto, o Espirito Santo vindo sobre Jesus e ouviu a voz de Deus (3: 13-17), contudo passava por momentos de dúvidas.
4,6  Jesus Cristo manada uma resposta que vai além de palavras, ele diz: Ide e anuncia a João as coisas que ouvis e vedes a atenção de Jesus é para a obra em que ele realizava que era a confirmação das profecias dos antigos profetas (Isa. 35:5-6) sobre o Reino Final. O Reino de Deus é chegado a todos os humilhados por serem pobres; a todos angustiados e oprimidos (Isa. 61:1). Donde a Bem Aventurança é dada a estes que não se escandalizaram dEle.
7,6  Os discípulos de João vão, e Jesus Cristo fala aos outros, e faz três perguntas com três respostas aos que iam ver João Batista pregando no deserto (3:1,5). As perguntas tentam emanar o entendimento sobre o ministério de João Batista e o cumprimento das profecias concernente ao Cristo. A primeira é se as pessoas teriam ido ao deserto para ver uma cana agitada ao vento. Esta expressão apontava para uma pessoa que não tinha opinião alguma, que alterava as certezas a todo o momento. Mas, este não é o João Batista que pregava contra os principais de Israel.
        A segunda pergunta iria apontar para a futilidade da aparência humana que procura riquezas e suntuosidade, Jesus questiona a multidão se estes foram ver um homem ricamente vestido. Que também não era a postura de João Batista, um homem que se vestia com uma roupa tosca (3.4), sem luxo algum. A roupa de João era a roupa da Santidade do Senhor.
        Na terceira pergunta Jesus expressa a certeza que era latente no coração daqueles que foram ouvir a João Batista que este era um vero profeta. Todos que aguardaram ansiosos pela vinda do Messias, a promessa de Deus para humanidade, sabiam que a vinda de João Batista apontava para algo de novo na história da salvação. Jesus descreve-o como muito mais que profeta. Tal declaração trazia o sentido de que João tinha inaugurado o princípio do Reino de Deus (3.3). João era também o cumprimento de uma profecia (Mal. 3:3).
11   Esta função de João Batista o colocará em uma função de muita importância entre todos aqueles que nasceram de uma mulher (11:9), contudo, aquele que era o menor dentre todos teria uma herança maior que a de João Batista (Filp. 2:5-11), aquele que mesmo subsistindo em forma de Deus não se apegou a isto e a si mesmo esvaziou, assumindo a forma humana; a forma de servo, tornando-se obediente até a morte de cruz. Destarte, o servo fiel, o que era menor que todos; seria a promessa de redenção para toda a humanidade, pois este é o que foi exaltado sobremaneira.
13-15 Todos que profetizaram concernente a vinda de Cristo; profetizou até João Batista, este o Elias que havia de vir (Mal. 4:5). Somente aqueles que tiveram ouvidos para ouvir seriam capaz de ouvir a mensagem com entendimento os ensinamentos do Cristo descido dos céus (Dan. 7:13-14).
16-19 Jesus então volta a aquela geração incrédula e acusa o ceticismo e as críticas que estes dispensavam a ele. Jesus desafiava a estes a saírem de sua zona de conforto. Estes eram para Jesus como meninos que se assentavam nas praças. A ideia de Jesus era compará-los a meninos que estão preocupados como os seus próprios jogos (pessoas egocêntricas, que se preocupam apenas consigo), e não se interessavam pelos convites de João Batista e de Jesus Cristo.
27   Jesus então declara o seu relacionamento com o Pai em três afirmativas:
a) Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: a soberana disposição de Deus sobre todas as coisas foi dada a Cristo como disse o profeta Daniel (Dan 7).
b) Ninguém conhece o Filho, senão o Pai: Jesus declara que somente ele poderia revelar o Pai, pois só ele teria o conhecimento do Pai (Col 1:15-16).
c) Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar: A soberania de Jesus lhe dar o poder de decidir quem conhecerá ao Pai, pois Ele é o Verdadeiro Caminho à Salvação (Jo 14:6).
28   Jesus não veio para os que eram sábios aos seus próprios olhos, mas os que estavam cansados e oprimidos. Estes receberiam de Cristo alivio para as suas almas cansadas. Cristo libertou a estes do Império das Trevas e transporto-os para o seu Reino (Col 1:13).

29-30 O jugo é um arreio de madeira pesadíssimo que é colocado de maneira encaixada nos ombros de animais. O jugo aqui era a Lei, impossível de ser cumprida em sua inteireza, todavia o julgo de Cristo era leve, pois Cristo cumpriu toda a Lei para nos salvar. O Messias prometido veio cumprir toda Lei (5:17) para se dar em sacrifício pelos eleitos à Salvação Eterna (Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Romanos 10:4). Deste modo, Cristo se fez pecado para salvar a todos os pecadores convertidos (Gal. 3:13).

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Sarça Ardente



Êxodo 3

A Sarça ("Seneh" em hebraico, origem do topônimo "Sinai") é uma planta espinhosa da família das fabáceas, gênero Acácia, o mesmo das árvores conhecidas genericamente no Brasil pelo vernáculo "Jurema". Esta árvore, também conhecida pelo nome de "Shittim", é citada na Bíblia várias vezes. Mais especificamente chama-se de "ardente" a Sarça quando parasitada pela planta Loranthus acaciae, cujos frutos e inflorescências avermelhados dão, de longe, a impressão de chamas sobre a Sarça.
Segundo o Talmude e os Midrashim tiram muitos ensinamentos da aparição de Deus a Moisés na sarça ardente: “O Santíssimo, bendito seja, escolheu uma simples sarça para fazer brilhar a Shechiná (a luz de Deus) em lugar de outras árvores lindas e majestosas, para dar aos homens exemplos de humildade. (Satá 5) O povo de Israel deve ser simples entre as demais nações como é a sarça entre as outras árvores.” “A madeira da sarça não serve para talhar ídolos.” “As aves que pousam sobre a sarça, soltam as suas plumagens; assim ocorre com os povos que oprimem Israel, que por isso causam danos a si mesmos.” “A sarça tem espinhos e o espinho é a planta da dor, tal como Israel é o povo do sofrimento.” A sarça ardia no fogo mas não se consumia: assim a dor pode arder no povo de Israel, mas sem destruí-lo jamais.”

Todos estes sentidos teológicos também são aplicados à igreja no novo testamento, em vários versículos.

O Santíssimo, bendito seja, escolheu uma simples sarça para fazer brilhar a Shechiná (a luz de Deus) em lugar de outras árvores lindas e majestosas, para dar aos homens exemplos de humildade. (E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 1 Coríntios 1:28-29), Deus escolheu os tolos os fracos, coisas vis... desprezíveis, para que aqueles que forem escolhidos jamais se gloriem. Deus escolhe aqueles que são contados como nada no Mundo em que vive, e os transformam em seus mensageiros, capazes de destruírem no nome de Jesus Cristo toda autoridade maligna (Marcos 16:15-18), para a glória de Deus.

A madeira da sarça não serve para talhar ídolos. (Portanto, meus amados, fugi da idolatria.1 Coríntios 10:14) Quando uma pessoa se converte a Cristo a sua adoração é dada unicamente ao Senhor. Todo o tipo de idolatria é pecado grave aos olhos do Senhor Deus. Aquele que ceia com o Senhor, não poderá cear junto à mesa dos ídolos (1 Coríntios 10:21).

As aves que pousam sobre a sarça, soltam as suas plumagens; assim ocorre com os povos que oprimem Israel, que por isso causam danos a si mesmos. (Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. 2 Coríntios 4:8-11). O Apostolo Paulo estava expressando suas fraquezas, que também eram as fraquezas da igreja, todavia tais angústias traziam para ele uma vontade incontrolável de alcançar o céu de Cristo. Mesmo em meio às lutas desta vida, o crente em Cristo Jesus, tem a esperança de ter o seu corpo glorificado (Rom. 8:23).

A sarça tem espinhos e o espinho é a planta da dor, tal como Israel é o povo do sofrimento (Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33). O povo de Deus é marcado pelo sofrimento, a dor e a perseguição, neste mundo de dor o lamento. Todavia, o sofrimento desta vida não poderão nos vencer, pois estas não venceram o nosso Senhor (2 Coríntios 6:4-10).

“A sarça ardia no fogo, mas não se consumia: assim a dor pode arder no povo de Israel, mas sem destruí-lo jamais.” (Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 8:37-39) O Cristão mesmo que seja envolto nas chamas do sofrimento, da angustia ou das dores deste mundo, não será consumido, pois Deus estará sempre com este povo (1 Pedro 4:12-13).


Deus ao chamar o seu povo determinou sobre este o cumprimento de sua palavra, e de seu poder. Contudo, não o isentou do sofrimento deste Mundo, destarte, o Senhor prometeu estar com este povo até a consumação dos séculos (Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28:20).

segunda-feira, 30 de março de 2015

Não está morta, mas dorme. Creia somente



Marcos 5: 22-24, 35-43

O evangelista Marcos fez uma associação dos acontecimentos dos milagres da vida de Jesus Cristo.
                Neste capítulo Marcos mostra uma sequencia de milagres, que apontam para a autoridade: 1º  Sobre os espíritos opressores (5:1-14); 2º sobre as enfermidades (5:25-34); 3º e sobre a morte (5: 22-24, 35-43).
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  No último milagre iremos ver alguns ensinamentos que irá bradar em nossos corações.
                5:22-24 A SINAGOGA era o centro cultural e religiosos de Israel e JAIRO era o principal daquela Sinagoga, apesar de leigo, tinha uma posição de grande importância. Todavia, demonstra a sua Fé e humildade ao prostrar-se aos pés de Jesus, este ato demonstra adoração e um respeito inigualável.
                A Bíblia não diz a natureza da doença da filha de Jairo, contudo, foi uma enfermidade que a deixou sem esperança e entregue a morte; entretanto Jairo já sabia a onde estava a sua esperança, pois já tinha visto o poder de Jesus (1:33-34), e quando soube que Jesus havia retornado em Cafarnaum logo se colocou dentre a multidão (5:21) para buscar o seu milagre. Este foi atrás do toque de Jesus em sua filha. Assim, Jesus foi com ele acompanhado pela numerosa multidão.
                5:35 No meio desta história Cristo se detêm para procurar a mulher que foi curada por tocar nele, e esta demora foi o suficiente para aumentar o desespero de Jairo. Pois, a sua filhinha morreu.
                5:36 Em, muito momento parece que Jesus está demorado em nos socorre, e nesta espera parece que Deus nos largou a nossa própria sorte, apesar disso, temos de ouvir a voz de Cristo a dizer: Não temas, crê somente. Jairo ao ouvir isto, deve ter imaginado: “Senhor, que pretendes”. Deus sempre surpreende o homem em seus anseios.
                5:37 Dentre, o sofrimento de Jairo e a curiosidade da multidão, depois de ter presenciado o milagre da cura da Mulher do Fluxo de Sangue, Jesus sensível ao sofrimento de Jairo não permitiu que alguém o seguisse. Ele pretendia ressuscitar a menina, todavia este milagre seria um milagre particular, em secreto apenas para os mais próximos e Jairo.
                5:38 Havia naquele lugar um grande alvoroço e choravam muito e pranteavam dominavam toda a esfera do lugar. Em, varias circunstâncias todos se desesperam e não conseguem ver uma saída milagrosa. Destarte, Deus escolhe sempre os que nele esperam com confiança para confundir a todos.
                5:39 Jesus contraria a sabedoria humana quando declara que a menina não esta morta, mas dorme. Creio que todos estranharam tal declaração, pois sabia todos diferenciar a morte de um sono. A menina estava totalmente morta, não havia esperança; acabou tudo em que Jairo esperava, já não esperava mais. Jesus, porém iria fazer além do que foi lhe solicitado.
                5:40 O milagre é para quem crer. Os lamentadores ridicularizaram a palavra de Jesus, pois eles apenas viam a menina morte, e não o poder de Jesus, então Jesus toma apenas aqueles que queriam o milagre.
                5:41 O milagre ocorre de forma simples, Jesus estende a mão e toca a menina, um procedimento proibido aos judeus. Jesus, antes tinha sido tocado por uma mulher com o fluxo de sangue e agora toca a menina morta, demonstrando que a Misericórdia de Deus é maior que a Lei de Moisés. Jesus libera então suas palavras de vida: Menina, a ti te digo: levanta-te.
                5:42 Este milagre deixou os pais assombrados e com grande espanto. Deus é que nos surpreende. 5:43 E a jovem menina pode voltar a sua vida normal.

                Aprendemos com este relato histórico da vida de Jesus Cristo, que em situações difíceis devemos procurar a ele, que é detentor de todo O Poder, e indiferente de quem nós venhamos a ser, deveremos nos despir de todo o nosso garbo, e nos jogar aos pés de Cristo. Ele atenderá as nossas súplicas, todavia em seu tempo, desta feita, temos de ter fé para aguardá-lo mesmo que a situação fique pior, haja vista, que isto só indica que Deus quer realizar um milagre maior. Todavia, haverá pessoas que não acreditaram que Deus irá realizar algo, mas nós deveremos ficar sempre firmes na promessa de Jesus Cristo, que ressuscitará a nossa pequena menina. 

terça-feira, 24 de março de 2015

A missão integral de Jesus

René Padilla
 
Basta um estudo superficial de como Jesus desenvolveu seu ministério terreno para comprovar que para ele todas as necessidades humanas eram uma oportunidade de serviço. Nos Evangelhos não há a menor evidência de que ele pusesse as necessidades espirituais acima das corporais nem estas acima daquelas. Segundo o testemunho de Mateus, “percorria Jesus todas as cidades e aldeias da província da Galileia, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (9.35). 
 
Seu ensinamento, de um alto conteúdo ético, se resume no Sermão do Monte (Mt 5–7) e deixa claro que o que Deus requer de seus filhos não se limita a deveres religiosos na área da relação com ele, mas se estende a todos os aspectos da vida humana, sem exceção. Além da relação com Deus, abarca a relação com o próximo e com a criação de Deus. Como sugere o Pai-Nosso, se orienta para “o cumprimento da vontade de Deus na terra” da mesma maneira como essa boa e soberana vontade se cumpre no céu. O ministério de Jesus inclui, portanto, o ensino da lei de Deus e dos valores do reino: paz, justiça, reconciliação, atitude em relação aos bens terrenos. 
 
Vinculada estreitamente com o ensino, “a proclamação do reino de Deus” é um aspecto essencial do ministério de Jesus. Com efeito, o estudo deste conceito nos Evangelhos nos permite afirmar, sem medo de errar, que este foi o tema fundamental da pregação de Jesus. Não é à toa que a expressão reino de Deus (ou seu equivalente “reino dos céus”, no Evangelho de Mateus) se repete com tanta frequência nos Evangelhos. O de Marcos capta a importância desta proclamação quando resume as boas novas anunciadas por Jesus nestes termos: “O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (1.15b). Em um ambiente de expectativas messiânicas, como o que reinava entre os judeus naquele tempo, Jesus anuncia o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Não em termos do advento de um messias conquistador que vem libertar a nação de Israel de seus opressores, mas sim em sua própria pessoa e obra. Ele é o rei-servo que veio para estabelecer um reinado de paz e justiça! Como ele mesmo afirma no sermão inaugural (baseado em Isaías 61.1-2), na sinagoga de Nazaré da Galileia, no começo de seu ministério, referindo-se ao Messias enviado por Deus para anunciar boas novas aos pobres, proclamar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, por em liberdade os oprimidos e pregar o ano aceitável do Senhor: “nele se cumpre esta Escritura” na presença de seus ouvintes. E estes experimentam a presença do reino em suas vidas, na medida em que respondem a ele em arrependimento e fé.
 
O ensino e a proclamação do reino de Deus são acompanhados pela ação de Jesus em termos de “cura de toda enfermidade e de toda dor”. Os quatro Evangelhos demonstram essa maravilhosa liberação de poder milagroso em resposta às necessidades corporais de multidões submetidas à pobreza, sobretudo na província da Galileia. É óbvio que para Jesus o corpo humano não é menos digno de atenção e cuidado que o espírito. 
 
Se algo está claro a partir da descrição do ministério de Jesus é que para ele a unidade do ser humano é uma premissa fundamental e, consequentemente, a missão de Deus aponta para a restauração da totalidade da pessoa em comunidade, segundo o propósito que estabeleceu originalmente na criação. Assim, hoje tomamos parte nisso como continuadores da missão integral de Jesus, na medida em que orientamos nosso ministério para a satisfação de necessidades humanas de pessoas indivisíveis.
 
Traduzido por Wagner Guimarães 
 
C. René Padilla • é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral?.

segunda-feira, 16 de março de 2015

O Corpo e Seus Membros

O plano de Deus é que deveria existir uma dependência mútua entre os crentes; contudo a Bíblia ensina isso primariamente em relação ao ministério público, e não à fé do indivíduo. Diz-se frequentemente, de uma forma ou de outra, que um cristão que está desvinculado de uma comunidade está fadado ao fracasso, mas esse ensino é mais autobiográfico do que bíblico, e é manipulador ao invés de encorajador. Ele é difundido por pessoas fracas ou por líderes que preferem ameaçar pessoas em vez de aprimorar seus próprios ministérios. Ao enfatizarem fé e adoração coletivas, ainda que sua intenção seja supostamente de fortalecer a igreja e seus membros, na verdade seu erro tem sido um fator importante para se perpetuar nos crentes a falta de vigor e compromisso.
O problema é que a sua doutrina equivale a uma negação da plenitude e suficiência de Cristo. Jesus Cristo é suficiente para sustentar e nutrir cada crente em particular totalmente à parte de qualquer outro crente. Há somente um Pai e um mediador entre Deus e o homem, Jesus Cristo. A igreja não é nossa mãe e nosso sacerdote. Antes, cada cristão é um sacerdote divinamente ordenado para a sua posição com plenos direitos de aproximar-se do trono dos céus e receber e administrar tudo o que Deus tem a oferecer por meio de Jesus Cristo. O cristão pode receber tudo de Cristo por meio da fé e pelo contato direto com Deus, sem a assistência da igreja e muito menos a sua permissão. Qualquer doutrina diferente disso é um ataque à suficiência e mediação de Cristo e deve ser considerada heresia.
O foco aqui é o princípio, e não que uma fé isolada é sempre preferível ou que a pessoa deveria deliberadamente buscar esse tipo de fé. E quando a preocupação tem a ver com o princípio, devemos insistir que a doutrina popular que faz da comunidade uma questão de necessidade é uma doutrina que não vem da revelação de Deus, mas da incredulidade e de suposições pessimistas sobre o potencial de um indivíduo perante Cristo. Quando se assume que comunidade é algo necessário para o florescimento ou mesmo para a sobrevivência da fé do indivíduo, encorajar a fé coletiva se torna a mesma coisa que encorajar a fraqueza pessoal. Isso é também um desserviço à comunidade, porque em vez de se reunir por amor, um bando de covardes se reúne agora por necessidade de se deixar arrastar pelos outros.
Jeremias era extremamente solitário, e Paulo teve às vezes de encarar as maiores provações sozinho, mas Jesus Cristo estava com eles e era suficiente para eles. Você diz: “Mas eu não sou Jeremias ou Paulo”. Certo, e enquanto continuar pensando dessa forma você nunca será qualquer coisa parecida com eles. Você não é Jeremias ou Paulo, mas confia no mesmo Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e sempre, e assim não existe nenhuma diferença. Logo, jamais devemos sacrificar a suficiência de Cristo para preservar a importância da comunhão na igreja. E se você não pode passar o dia sem depender de outro homem para sustentá-lo, ao menos não infecte os outros com a sua incredulidade e fraqueza. Assim também, pregadores que negam a suficiência de Cristo para o indivíduo a fim de preservar a importância da comunidade deveriam ser repelidos. A igreja é de fato plano de Deus, mas não para o propósito de sobrevivência espiritual do indivíduo. Jesus Cristo é suficiente ― mais que suficiente ― para cada pessoa à parte da comunidade. Isso é inegociável.
Quando se trata do contexto público, como em uma reunião de igreja ou tarefas cotidianas da comunidade, o plano de Deus é de fato a dependência mútua, e nenhuma pessoa pode representar todo o corpo ou realizar todas as suas funções. Antes, cada pessoa é posta em seu próprio lugar de acordo com a vontade de Deus. Como escreve Paulo, “De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade”. Não se espera que façamos todos as mesmas coisas ou foquemos igualmente as mesmas coisas. Eventualmente um evangelista poderia enfatizar tanto a primazia do evangelismo que leva todas as outras pessoas se sentirem culpadas por não fazerem tanto quanto ele. Mas ele não está alimentando nenhum órfão. Então aquele que não faz nada mais que alimentar órfãos aparece e faz o evangelista parecer um hipócrita de coração frio. Deus nos colocou em nossas próprias posições, e não devemos definir o corpo como um todo por nenhuma função pela qual estamos obcecados: “Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, há muitos membros, mas um só corpo”.
É aqui que a distinção entre a fé do indivíduo e o ministério público se torna essencial. Como indivíduo, posso realizar em uma pequena escala quase qualquer função no corpo de Cristo, ainda que esse não seja o meu ministério principal. Isto é, posso não ter sido chamado a liderar um projeto nacional para alimentar os famintos, mas eu seria negligente se um pedinte morresse de fome na soleira de minha porta. No entanto, só porque devo alimentar o pedinte na soleira de minha porta, isso não significa que eu deveria liderar um esforço nacional de combate à fome. Em vez disso, talvez Deus tenha me chamado para combater essa confusão ridícula sobre fé pessoal e fé coletiva. Em outras palavras, cada pessoa deveria ser uma crente completa, mas nenhuma pessoa precisa ser uma igreja inteira.
Você pode não pensar em seu dedo mindinho a todo o momento, mas se alguma vez você já o torceu, subitamente percebeu que depende dele o tempo todo. Agora ele dói quando você se levanta, quando se vira, quando caminha. O que acontece se um papel fino corta o seu dedo? Ele dói quando você faz quase qualquer coisa ― dói quando você escreve, quando você dirige, quando você cozinha, quando você lança uma bola ― de modo que “quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele” (v. 26). Da mesma forma, a pessoa que lida com processos burocráticos na igreja, ou talvez faz a contabilidade, recebe pouca atenção; mas imagine o caos se ela for subitamente removida, ou se ela é incompetente ou desonesta.
Para enfatizar uma vez mais o ponto anterior, se você prega na igreja e alguém outro limpa o chão, isso não significa que essa pessoa também limpa o seu chão quando você vai para casa. E se você limpa o seu próprio chão em casa, isso não significa que você deve limpá-lo na igreja, a menos que esse seja o seu emprego. Novamente, Cristo é suficiente para todo crente, para que todo crente pudesse ser completo, mas cada crente não desempenha todas as funções na igreja, de forma que há uma dependência mútua na igreja. Uma teologia da igreja que em qualquer grau compromete a suficiência total de Cristo ou o potencial e a responsabilidade do indivíduo é uma doutrina falsa.
Ora, uma pessoa pode crescer em proficiência, e um dom pode crescer em poder através da oração, do estudo e do uso regular, mas a capacidade parecerá nativa para ela, e não artificial ou forçada. Uma pessoa que não pode desempenhar, digamos, deveres administrativos pode muito bem receber a capacidade após a conversão, mas isso se tornará natural para ela dali em diante. Um olho é um olho porque Deus o fez um olho. Assim também, para um olho ser um olho, basta apenas ele ser ele mesmo. Ele não tem de ser algo que ele não é nem deveria ser invejoso ou fingir ser outro membro no corpo. É assim que ele funcionará de acordo com o seu verdadeiro propósito e potencial.
Autor Vicent Cheng

sábado, 13 de dezembro de 2014

Estupidez e Inteligência



Texto: Tiago 3:13-17 Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.

            Neste belo pensamento de Claude Chabrol nos traz uma reflexão grandiosa a respeito da ignorância humana e da inteligência limitada do homem. Então podemos ver o que a inteligência é, o que a estupidez faz e a conseqüência de agirmos impulsionados pela estupidez.
             
A Inteligência é benigna, aproxima o homem de Deus, e o sustenta com os seus conselhos (Provérbios 2:11 O bom siso te guardará, e a inteligência te conservará...) nos conservando do apodrecimento moral do ser, a inteligência é aquilo que liga o homem com a criação e ao criador (Provérbios 3:19  O SENHOR com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus.), a inteligência é aquilo que nos guia, ou seja, a bússola dos perdidos para o caminho do bem (Provérbios 19:8  O que adquire entendimento ama a sua alma; o que conserva a inteligência acha o bem.). Com a inteligência o homem faz firme a casa que edificou com a sabedoria (Provérbios 24:3  Com a sabedoria edifica-se a casa, e com a inteligência ela se firma...); pois esta inteligência só pode vir de Deus (Provérbios 2:6  Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento).
           
Portanto a estupidez é a desculpas dos insensatos, e estes rejeitam o ensino e a disciplina; vinda assim à ruína moral seguida da ruína espiritual (Provérbios 12:1 Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido.). A estupidez faz o homem se afastar de Deus, e a seguir por caminho tortuosos sem sentir que estar no erro (Jeremias 10:14 Todo homem se tornou estúpido e não tem saber; todo ourives é envergonhado pela imagem que ele mesmo esculpiu; pois as suas imagens são mentira, e nelas não há fôlego.), o saber do estúpido é feno, já que nele não há saber algum e sim perversidade em seu coração (Provérbios 11:18 ¶ O perverso recebe um salário ilusório, mas o que semeia justiça terá recompensa verdadeira.), e desta forma, não consegue ir reto em seu caminho, e nem serem prósperos no que fazem (2 Timóteo 3:13  Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados).

E ao sermos impulsionados a agirmos com estupidez, mesmo tendo sabedoria humana e o reconhecimento desta diante de todos os homens, demonstramos sermos mais estúpido de que todos os estúpidos, pois, nos é faltoso a sabedoria de Deus, e a nossa inteligência assim é inexistente, haja vista, que a inteligência não é a sabedoria, e a sabedoria não é o conhecimento, mas, uma coisa leva a outra; já que a sabedoria constrói e a inteligência afirma. Atentamos então que aquele que despreza a inteligência é residente de toda a espécie de males Tiago 3:13-17 (Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento).

Podemos então perceber pelos fatos descritos que a estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência; a inteligência tem os seus limites, a estupidez não tem limites. O homem pela estupidez matou o filho de Deus, desrespeita opiniões, pessoas, governos e sabedorias; é impossível saber a onde a estupidez vai dar, ou se o estúpido será um dia sábio (Jó 11:12  Mas o homem estúpido se tornará sábio, quando a cria de um asno montês nascer homem), mas por outro lado à inteligência é enfado para quem a conquista (Eclesiastes 12:12  Demais, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne) e com certeza aquém é aumentado à inteligência é em muita das ocasiões o mais triste (Eclesiastes 1: 18  Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza), assim sem forma de duvida o ser humano prefere ser um estúpido do quê inteligente, pelo fato da facilidade que é não ser sábio.


Conclui-se que a verdadeira sabedoria e inteligência são adquiridas de Deus (Jó 32:8 Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio). A sabedoria dada por Deus ao espírito do ser humano irá fazer com que este venha a conhecê-lo (Efésios 1:17-18 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos), destarte as escritura aconselha a todos a buscarem a sabedoria e a inteligência  (Tiago 1:5  Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Tiago 1:17  Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança). Haja vista, que a sabedoria de Deus, que nos torna inteligente é Cristo Jesus (1 Coríntios 1:21-31  Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor). Cristo é quem salva o homem de sua estupidez que é o pecado.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Jesus Ensina o “Calvinismo Extremado”

por
James R. White
Se crer que o homem está “tão morto” [1] no pecado que ele é incapaz de vir a Cristo por si mesmo é “Calvinismo extremado”, então, o Senhor Jesus antecedeu em 1500 anos a Calvino com a Sua pregação na sinagoga em Cafarnaum, registrada em João 6. Aqui temos o Senhor ensinando quase tudo o que Norman Geisler identifica como “Calvinismo extremado”. Jesus ensina que Deus é soberano e age independentemente das "livres escolhas" dos homens. Ele, da mesma forma, ensina que o homem é incapaz de ter a fé salvadora, aparte da capacitação do Pai. Ele então limita este trazer [do Pai, João 6:44] aos mesmos indivíduos dados pelo Pai ao Filho. Ele então ensina a graça irresistível sobre os eleitos (não sobre os “dispostos”) quando Ele afirma que todos aqueles que são dados a Ele, virão a Ele. João 6:37-45 é a mais clara exposição na Bíblia do que EML [Eleitos, Mas Livres] chama de “Calvinismo extremado”. E ainda, EML ignora a maioria das passagens, oferece uma resposta ao versículo 44 que é simplesmente incompreensível, e oferece uma sentença em resposta ao versículo 45. Já vimos que João 6:37 é citado algumas vezes, mas nenhuma interpretação dele é oferecida.
Há uma boa razão porque EML tropeça neste ponto: não há nenhuma exegese não-reformada significante disponível sobre a passagem avaliada. Não obstante as inúmeras tentativas dos exegetas Arminianos de encontrar alguma solução para esses versículos, nem mesmo uma única solução plausível tem sido oferecida que não requeira uma completa desmantelação do texto, uma redefinição das palavras ou uma inserção de conceitos extremamente estranhos. Uma coisa é absolutamente certa: Jesus ensinou a completa soberania da graça às pessoas que estavam reunidas na sinagoga de Cafarnaum, há aproximadamente dois milênios. Se desejarmos honrar a Sua verdade, não podemos fazer menos do que disso.
Ouçamos Jesus ensinar o “Calvinismo extremado” quase 1500 anos antes de Calvino nascer, nas palavras do evangelho de João.

João 6:37-40
Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
A despeito da riqueza dessa passagem, um esforço honesto será feito para que sejamos breve no comentário fornecido. [2] O cenário é importante: Jesus fala a uma multidão reunida na sinagoga de Cafarnaum. Eles tinham seguido-O após a alimentação dos cinco mil no dia anterior. Eles estavam buscando mais milagres, e mais alimento. Jesus não saciou as suas "necessidades físicas", mas foi diretamente ao assunto real: quem Ele era e como Ele é o centro da obra de redenção de Deus. Ele identifica-se como o "Pão da Vida" (v. 35), a fonte de todo alimento espiritual. Em nosso cenário moderno, podemos não sentir a força de Suas palavras como eles devem ter sentido naquela manhã. "Quem é este homem para falar dessa forma de Si mesmo?", eles devem ter pensado. Nem mesmo os maiores profetas de Israel instruíram as pessoas a ter fé neles mesmos ! Nem mesmo um Abraão ou um Isaías desejaria reivindicar ter descido do céu, nem jamais diriam "aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede". Devemos tentar sentir o impacto impetuoso dessas palavras à medida que elas foram faladas.
O bendito Senhor foi totalmente duro com a Sua audiência. Ele sabia que eles não possuíam uma fé verdadeira. "Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes" (v. 36). Eles tinham visto-O com os seus olhos, mas a menos que a visão física seja unida com a iluminação espiritual, ela não será de proveito algum. Freqüentemente a importância dessa declaração é negligenciada. O verso 36 é um ponto crítico no capítulo. Jesus agora explica a incredulidade deles. Como é que esses homens poderiam estar diante do próprio Filho de Deus, o Verbo feito carne, enão crer? Qualquer pessoa que não toma seriamente a morte do homem no pecado deveria contemplar essa cena. O próprio Criador em forma humana está diante de homens que eram bem versados nas Escrituras e aponta para a incredulidade deles. Ele então explica o porque e, todavia, pouquíssimos hoje ouvirão e crerão.
“Todo o que o Pai me dá virá a mim”. Essas são as primeiras palavras que vieram do Senhor na explicação da incredulidade do homem. Não ousamos nos engajar na brincadeira de amarelinha em cima desse texto e ignorar a própria ordem do ensino que Ele provê. A primeira afirmativa é uma da completa soberania divina. Cada palavra diz muita coisa.
“Todo o que o Pai me dá”. O Pai dá alguns a Cristo. Os eleitos são vistos como um todo singular [3] , dados pelo Pai ao Filho [4] . O Pai tem o direto de dar uma pessoa ao Filho. Ele é o soberano Rei, e esta é uma transação divina.
Todos os que são dados pelo Pai ao Filho vêm ao Filho. Não alguns, não muitos, mas todos.
Todos aqueles dados pelo Pai ao Filho virão ao Filho. É vital ver a verdade que é comunicada por essa frase: o ato do Pai dar ao Filho precede e determina a vinda da pessoa a Cristo. A ação de dar pelo Pai vem antes da ação de vir a Cristo pelo indivíduo. E visto que todos daqueles assim dadosvirão infalivelmente , temos aqui tanto a eleição condicional bem como a graça irresistível, e isto no espaço de nove palavras! Torna-se um óbvio exercício na eisegesis [interpretação pessoal de um texto (especialmente da Bíblia), usando suas próprias idéias; não confundir com exegese] dizer: "Bem, o que o Senhor realmente quis dizer é que todos que o Pai viu que creriam em Cristo, virão a Cristo". Esta é uma declaração sem sentido. Visto que o ato de vir é dependente da ação de dar , podemos ver que simplesmente não é exegeticamente possível dizer que não podemos determinar a relação entre as duas ações. O ato de dar de Deus resulta no vir do homem. A salvação é do Senhor.
Mas note também que é para o Filho que eles virão.  Eles não virão para um sistema religioso. Eles virão a Cristo. Esse é um relacionamento pessoal, uma fé pessoal, e, visto que aqueles que vêm são descritos através de toda a passagem pelo particípio do tempo passivo, ela não é apenas uma vinda que acontece uma só vez. Essa é uma fé contínua, um olhar contínuo para Cristo como a fonte da vida espiritual. Os homens a quem o Senhor estavam falando "vieram" a Ele por um tempo: em breve eles O deixariam e não O seguiriam mais. O verdadeiro crente está vindo a Cristo sempre. Essa é a natureza da fé salvadora.
“E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. O verdadeiro crente, aquele que "vem" a Cristo, tem essa promessa do Senhor: usando a forma mais forte de negação possível [5] , Jesus afirma a eterna segurança do crente. Jesus é Aquele que dá vida e levanta os Seus no último dia. Ele promete que não há qualquer possibilidade de que alguém que esteja vindo a Ele em verdadeira fé possa encontrá-Lo indisposto para salvá-lo. Mas essa tremenda promessa é a segunda metade de uma sentença . Ela é baseada sobre a verdade que foi primeiramente proclamada. Essa promessa é para aqueles que são dados pelo Pai ao Filho e a ninguém mais . Certamente, veremos no versículo 44 que ninguém senão aqueles que são assim dados, virão a Cristo em fé de qualquer jeito: mas há certamente aqueles que, como muitos daquela audiência em Cafarnaum, estão dispostos a seguir por um tempo , dispostos a crer por um tempo. Essa promessa não é deles.
A promessa aos eleitos, contudo, não pode ser mais preciosa. Visto que Cristo é capaz de salvar perfeitamente (Ele não depende da vontade ou da cooperação do homem), Sua promessa significa que o eleito jamais pode se perder. Visto que Ele não lançará fora, e que não há poder maior do que o Seu, aquele que vem a Cristo encontrará nEle um Salvador todo-suficiente e perfeito. Essa é a única base da "segurança eterna" ou da perseverança dos santos: eles olham para um Salvador que é capaz de salvar. E a capacidade de Cristo para salvar que significa que o redimido não pode se perder. De fato, se houvesse uma relação sinergística, não poderia haver nenhum fundamento para uma absoluta confiança e segurança.
Muitos param no verso 37 e perdem a tremenda revelação que somos privilegiados de receber nos versos seguintes. Por que Cristo nunca lançará fora aqueles que vêm a Ele? O verso 38 começa com uma conjunção que indica uma continuação do pensamento: o verso 38 e 39 explicam o verso 37. Cristo guarda todos aquele que vem a Ele porque Ele está cumprindo a vontade do Pai. “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. O Messias divino sempre faz a vontade do Pai. O capítulo precedente no Evangelho de João deixa isto muito claro. Há perfeita harmonia entre a obra do Pai e a do Filho.
E qual é a vontade do Pai para o Filho? Em termos simples, a vontade do Pai é que o Filho salve perfeitamente . “ E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia”. É vital lembrar que isso continua a explicação do porque Ele não lança fora aquele que vem a Ele. Devemos ver isso, pois alguém pode ser tentado a dizer que o Pai confiou todas as coisas nas mãos do Filho, e que essa passagem não está dizendo nada mais de que o Filho agirá de forma apropriada com respeito àqueles que o Pai Lhe deu. Mas o contexto é claro: o verso 37 fala do pai "dando" os eleitos ao Filho, e o verso 39 continua o mesmo pensamento. Aqueles que são dados, infalivelmente virão ao Filho no verso 3, e são esses mesmos, os eleitos [6] , que são ressuscitados no último dia.  Ressurreição é uma obra de Cristo, e nessa passagem, é comparada com o doar da vida eterna (veja v. 40). Cristo dá vida eterna a todos aqueles que são dados a Ele e que, como resultado, vêm a Ele.
Devemos perguntar ao Arminiano que promove a idéia de que uma pessoa verdadeiramente salva pode se perder: isto não significa que Cristo pode falhar em fazer a vontade do Pai? Se a vontade do Pai para o Filho é que Ele não perca nenhum daqueles que Lhe foram dados, não se segue inexoravelmente que Cristo é capaz de realizar a vontade do Pai? E isto não nos força a crer que o Filho é capaz de salvar sem a introdução da vontade do homem como autoridade final no assunto ? Pode algum sinergista (alguém que ensina, como o Dr. Geisler o faz, que a graça de Deus opera "sinergisticamente" e que o livre-arbítrio do homem é uma parte vitalmente importante do processo da salvação, e que nenhum homem é salvo a menos que esse homem deseje isso) crer nessas palavras? Pode alguém que diz que Deus tenta salvar tantos quantos "possível", mas não pode salvar ninguém sem a cooperação do homem, crer no que esse verso ensina? Não é a vontade do Pai que Cristo tente salvar, mas que Ele salveperfeitamente um povo particular . Ele não perderá nenhum de todos aqueles que o Pai lhe deu. Como pode ser isso se, na verdade, a decisão final descansa com o homem, e não com Deus? É a vontade do Pai que resulta na ressurreição para a vida de qualquer indivíduo. Isso é eleição nos mais fortes termos, e ela é ensinada com clareza nas Escrituras.
O verso 39 começa com “A vontade daquele que me enviou é esta”, e o verso 40 faz o mesmo: “A vontade do Pai que me enviou é esta”. Mas no verso 39 temos a vontade do Pai para o Filho.  Agora temos a vontade do Pai para o eleito. “Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. Espantosamente, arrancam esse texto fora do seu contexto, se equivocam com a referência ao "todo aquele que vê...todo aquele que crê nEle", e dizem, "Veja, não há eleição divina aqui! Qualquer um pode fazer isso!". Mas é óbvio que, quando o texto é tomado como um todo, esta não é a intenção da passagem.  Quem é aquele que "vê" o Filho e "crê" nEle? Ambos os termos estão no presente particípio, referindo-se a uma ação contínua, da mesma forma como vimos na "vinda de alguém" a Cristo no verso 37. Jesus ressuscitará no último dia todosaqueles que Lhe foram dados (v. 39) e todos aqueles que estão olhando e crendo nEle (v. 40). Devemos crer que há grupos diferentes? Certamente que não. Jesus ressuscita somente um grupo para a vida eterna. Mas visto que isso é assim, não se segue que todos aqueles dados a Ele olharão para Ele e crerão nEle? Mais do que certo que sim. A fé salvadora, então, é exercida por todos aqueles dados ao Filho pelo Pai (uma das razões pelas quais, como veremos, a Bíblia afirma claramente que a fé salvadora é um dom de Deus).

João 6:41-45
Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu; e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu? Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.
Os judeus estavam murmurando por causa desse ponto no discurso: eles rejeitaram a Sua reivindicação de origem divina, assumindo em vez disso que Ele era apenas um mero homem, o filho de José. Jesus não se desvia de Sua apresentação por causa dos pensamentos e confusão vagueadoras deles. Ele os instrui a parar de murmurar (v. 43) e então explica a incredulidade persistente deles.
“Ninguém pode vir a mim”. Literalmente Jesus diz: "Nenhum homem é capaz de vir a mim". Essas são palavras de incapacidade e elas são colocadas num contexto universal. Todos os homens compartilham isso em comum: eles são carentes da capacidade de vir a Cristo em e de si mesmos. A incapacidade compartilhada é devido a uma natureza caída compartilhada.  Isto é o "morto em pecado" (Efésios 2:1) e i "incapaz de agradar a Deus" (Romanos 8:8) de Paulo. É a doutrina Reformada da depravação total: a incapacidade do homem ensinada pelo Senhor que conhece os corações de todos os homens. Se o texto terminasse aqui, não haveria nenhuma esperança, nenhuma boas novas. Mas ele não pára aqui.
"Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai que Me enviou, o traga" [versão do autor - New American Standard Version]. As boas novas é que há um "a menos" em João 6:44, assim como há um "Mas Deus" em Efésios 2:4.  Em ambos os casos não é o livre-arbítrio do homem que vem para salvar, mas o livre-arbítrio de Deus. Todos os homens seriam deixados numa posição sem esperança de "incapacidade para vir" a menos que Deus aja, e Ele o faz trazendo os homens a Cristo. Fora desta capacitação divina (conforme 6:65) nenhum homem pode vir a Cristo. Nenhum homem pode "querer" vir a Cristo fora desse trazer divino.
Certamente, a resposta imediata de muitos é, "Sim, deveras, Deus deve prover algum tipo de graça preveniente, algum tipo de trazer, antes que alguém possa escolher crer". Mas é isto o que o texto está dizendo? Lembre-se que essas palavras vêm imediatamente após a afirmação de que todosque o Pai dá ao Filho, virão ao Filho (v. 37). Os eruditos Reformados afirmam que aqueles que são trazidos são aqueles que são dados pelo Pai ao Filho: isto é, os eleitos. Eles apontam para o contexto imediato que identifica aqueles que vêm a Cristo como os eleitos. Mas o resto do versículo 44 explica porque isso deve ser assim: "e Eu o ressuscitarei no último dia". Quem Jesus ressuscitará no último dia? O verso 39 diz que Ele ressuscitarátodos aqueles dados a Ele pelo Pai; o verso 40 diz que Ele ressuscitará todos aqueles que estão olhando e crendo nEle; o verso 44 diz que Ele ressuscitará todos aqueles que são trazidos pelo Pai. A identidade daqueles ressuscitados no último dia para a vida eterna é absolutamente co-extensiva com a identidade daqueles que são trazidos! Se uma pessoa é trazida, ela será também ressuscitada para a vida eterna. Obviamente, então, não pode ser afirmado que Cristo, neste contexto, está dizendo que o Pai está trazendo todo ser humano em particular, porque 1) o contexto limita isto àqueles dados pelo Pai ao Filho, 2) esta passagem ainda está explicando a incredulidade dos Judeus, a qual não teria nenhum sentido s e de fato o Pai está trazendo esses incrédulos a Jesus, e 2) se assim fosse, o universalismo seria o resultado, porque todos que são trazidos são da mesma formaressuscitados no último dia.
João Calvino é admitido, até mesmo por seus inimigos, ter sido um tremendo exegeta das Escrituras. Claros e criteriosos, os comentários de Calvino continuam a ter nesses dias grande utilidade e benefício para o estudante das Escrituras. Aqui está seu comentário sobre João 6:44:
Vir a Cristo sendo aqui usado metaforicamente para crer, o Evangelista, a fim de colocar a metáfora na cláusula adequada, diz que as pessoas que são trazidas são aquelas cujos entendimentos Deus iluminou e cujos corações Ele dirigiu e transformou à obediência de Cristo. A declaração se resume nisto: que não devemos nos maravilhar se muitos recusam abraçar o Evangelho; porque nenhum homem jamais será de si mesmo capaz de vir a Cristo, mas Deus deve primeiro trazê-lo pelo Seu Espírito; e, portanto, segue-se que nem todos são trazidos, mas que Deus concede essa graça àqueles que Ele elegeu. É verdade, todavia, com respeito ao tipo desse trazer, que ele não é violento, de forma que compele os homens por uma força externa; mas ainda é um impulso poderoso do Espírito Santo, que faz com que os homens que anteriormente eram indispostos e relutantes, sejam dispostos. É uma falsa e profana afirmação, portanto, dizer que ninguém é trazido, senão aqueles que estão dispostos a serem trazidos, como se o homem por si mesmo se fizesse obediente a Deus por seus próprios esforços; porque a disposição com a qual os homens seguem a Deus é o que eles já tinham por si mesmos, que foi formada em seus corações para obedecê-Lo". [7]
Jesus continua esse pensamento no verso 45, citando uma profecia de Isaías, e diz: “Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim”. Ouvir e aprender do Pai é paralelo com ser trazido no verso 44. Jesus usou o mesmo tipo de terminologia quando Ele ensinou que somente aqueles que "pertencem a Deus" podem ouvir Suas palavras (João 8:47).
Resumindo, então, Jesus certamente ensinou a absoluta soberania de Deus, a incapacidade do homem, a eleição incondicional de um povo para salvação, a graça eficiente de Deus que infalivelmente traz salvação aos eleitos e a perseverança final desses eleitos para a vida eterna. Esse é um dos textos chaves que apóiam a posição Reformada identificada como "Calvinismo extremado" em EML.

A Resposta de EML
Assim como com todas as outras passagens chaves (Romanos 8,9, Efésios 1 e João 6), EML não oferece nenhum exegese da passagem baseada contextualmente e cuidadosamente. Vimos na introdução que João 6:37, embora citado, nunca é discutido. Nada é dito sobre seu testemunho da eleição incondicional ou da graça irresistível. Ele é simplesmente ignorado. O livro é coberto de reivindicações de apresentar um estudo definido do assunto da soberania divina e do livre arbítrio. Tal estudo requereria uma obra extensiva sobre aquelas passagens chaves. Nada é oferecido, e o que é oferecido não é exegético em sua natureza.
Somente três argumentos são oferecidos no livro em resposta a João 6:44, e um a João 6:45. Visto que a relação ao restante da passagem não é nem mesmo mencionada, não é surpresa que as passagens não sejam analisadas exegeticamente dentro do seu contexto. De fato, pouco é dito sobre as reais palavras do texto.  Em vez disso, o significado claro é explicado fazendo-se referências a outras passagens. Comecemos com João 6:44:
Em segundo lugar, João 12:32 deixa claro que a palavra "atrair" não pode significar "graça irresistível" sobre o eleito por uma simples razão: Jesus disse: "Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim". Nenhum calvinista autêntico crê que todos os homens serão salvos. [8]
Esta é a resposta mais comum: ao invés de seguirem o curo do sermão entregue por Jesus, os Arminianos imediatamente abandonam João 6 e citam João 12:32. O significado de "atrair" [ou "trazer" - no inglês a palavra usada em João 6:44 e João 12:32 é a mesma, ou seja, "draw"], totalmente discernível a partir do texto de João 6, é lida a partir de um significado assumido em João 12. Este é um método faltoso de exegese por muitos motivos. Mas mesmo aqui, a tentativa dos Arminianos falha, porque João 12:32 não ensina o universalismo mais do que João 6:44 o faz. Note o contexto da passagem:
Ora, entre os que tinham subido a adorar na festa havia alguns gregos. Estes, pois, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. Felipe foi dizê-lo a André, e então André e Felipe foram dizê-lo a Jesus. (João 12:20-22)
João 12 narra os eventos finais do ministério público de Jesus. Depois desse incidente particular, o Senhor passaria um período de ministério privado aos Seus discípulos exatamente antes dEle ir a cruz. As palavras finais do ensino público do Senhor são estimuladas pela chegada dos gregos que estavam procurando Jesus. Essa importante mudança de eventos causa o ensino que se segue. Jesus está agora sendo procurado pelos não-judeus, os gentios. É quando Jesus é informado sobre isso que Ele diz, " É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem. "
Este, então, é o contexto que nos leva às palavras de Jesus no verso 32:
Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Veio, então, do céu esta voz: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, e que a ouvira, dizia ter havido um trovão; outros diziam: Um anjo lhe falou. Respondeu Jesus: Não veio esta voz por minha causa, mas por causa de vós. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer. (João 12:27-33)
Há duas chaves para se entender porque o que os Arminianos entendem dessa passagem é extremamente indefensável: a primeira é que temos que ver que foi a chegada dos gregos procurando Jesus que ocasionou essas palavras. Os exegetas reformados crêem que "todos" se referem aos judeus e gentios, não a cada indivíduo particularmente, e o contexto aponta para essa direção. Mas mais devastadora para o entendimento Arminiano é uma simples questão: a cruz atrai todas as pessoas individualmente? É isso o que a Bíblia realmente ensina sobre a cruz? Certamente que não! A cruz é loucura para os gentios e uma pedra de tropeço para os judeus, como Paulo ensinou:
Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é pedra de tropeço para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. (1 Coríntios 1:22-24)
Paulo conhecia essa verdade da mesma forma como Jesus a ensinou: "para os que são chamados, tanto judeus como gregos... ". Para quem Cristo é o poder e a sabedoria de Deus? Para "os chamados". O que é a pregação da cruz para aqueles que são chamados? Algo que os atrai [ou traz], ou que os repele? A resposta é óbvia. A cruz de Cristo é loucura para o mundo. Essas considerações, juntamente com o contexto imediato dos gentios procurando Cristo, deixa claro que Jesus estava dizendo que se Ele fosse levantado na crucificação, Ele traria todos os homens, judeus e gentios, para si mesmo. Isso é o mesmo que dizer que havia ovelhas que não eram daquele rebanho (João 10:16), os gentios, que se tornaram um corpo em Cristo (Efésios 2:13-16).
Finalmente, se lemos essa errante interpretação de João 12:32 apoiada em João 6:44 (e para fazer assim, requere-se algum tipo de demonstração de que a simples palavra "atrair" [trazer] deve ter o mesmo exato significado e objetos em ambos os contextos, algo que EML nem mesmo tenta provar) faremos exatamente como Geisler afirma: criaremos o universalismo, mas não porque a visão Reformada é um erro. Já temos visto que todos que são trazidos são também ressuscitados no último dia. Ao invés de usar esse argumento para derrubar o claro ensinamento de 6:44, EML deveria ver que o grupo que está sendo traído não é cada indivíduo em particular, mas os eleitos (como indicado pelo contexto),e que o resultado é deveras a visão Reformada da graça irresistível:
Em terceiro lugar, a palavra "todos" não pode significar somente alguns homens em João 12.32. Pouco antes (João 2:24,25), quando Jesus afirmou conhecer a "todos", estava claro que não se referia apenas aos eleitos. Por que, então, deveria "todos" significar "alguns" em João 12:32? Se quisesse dizer "alguns", facilmente teria feito assim. [9]
Novamente, esse tipo de argumentação é completamente falaciosa. Primeiro, João diz que Jesus "conhecia todos os homens", não apenas "todos os homens pecaminosos". Essa é simplesmente uma leitura incorreta do texto. Em segundo lugar, EML não tenta provar que a frase "todos os homens" em João 2:24 é para ser entendida como sinônimo com o uso dela em João 12:32.
Finalmente, o fato de ser atraídos por Deus estava condicionado à fé. O contexto dessa atração (6:37) é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que nele crer" (6:40). Os que crêem que são capacitados por Deus para ser atraídos a Jesus. Jesus acrescenta: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai" (6:65). Um pouco depois, ele diz: "Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo" (João 7:17). Disso fica evidente que o entendimento que possuíam do ensino de Jesus e de serem atraídos ao Pai resultam da própria livre escolha deles.
Como vimos com Romanos 9:16, é simplesmente impressionante que uma passagem que é tão diretamente contraditória à teoria Arminiana do livre-arbítrio possa ser transformada numa afirmação de "livre escolha". De todas as declarações em EML, admitimos que esta é uma das mais difíceis de entender, porque ela tem a menor conexão possível com o assunto que supostamente está tratando. Lembre-se que esse verso começa com a frase, " Ninguém pode vir a mim ", e todavia, a primeira linha da resposta é, " Finalmente, o fato de ser atraídos por Deus estava condicionado à fé. " Esta afirmação sem fundamento não tem conexão com o texto, seja qual for, e a tentativa de prová-la somente compõe o erro eisegético. Dado que esta é uma passagem vital e a resposta tão indicativa da incapacidade dos escritores Arminianos de manuseá-lo, apontaremos cada erro como ele é apresentado:
O contexto dessa atração (6:37) é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que nele crer" (6:40).
Realmente, a palavra "trazer" não aparece em 6:37; ao invés disso, esse verso (que não recebe resposta em EML) diz que o Pa dá um povo ao Filho, e como resultado disso, aquele povo infalivelmente, sem fracasso, vem ao Filho. Esse verso definitivamente fornece um importante elemento do contexto: um ignorado por EML. Somos informados que esse contexto é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que crer" (6:40). Temos visto que aqueles que crêem assim o fazem, nesse texto, porque o Pai lhes deu ao Filho. Temos visto que Jesus está explicando porque esses homens não crêem (6:36). Esses elementos contextuais são ignorados por EML. Ao invés disso, a importantíssima afirmação do livre-arbítrio é inserida na passagem sem nenhuma tentativa de prover um fundamento para assim o fazer. Mas isso é seguido com a mais impressionante de todas as afirmações em EML:
Os que crêem que são capacitados por Deus para ser atraídos a Jesus.
Para ser honesto, essa sentença não faz nenhum sentido. Ela soa como se estivesse dizendo que ser "trazido" a Deus não é salvífico: isto é, é mais parecida com um "trazer para mais perto de Deus" em devoção ou alguma coisa semelhante. Em qualquer caso, o significado certamente não tem nada a ver com o texto: obviamente, vir a Cristo é crer nEle: eles são sinônimos em João. Assim, essa passagem não está dizendo que Deus "traz" crentes para uma relação mais íntima com Cristo. Pelo contrário, ela está dizendo que ninguém é capaz de vir a Cristo em fé, a menos que seja trazido pelo Pai, e que todos que são trazidos serão ressuscitados, porque todos que o Pai dá ao Filho, virão ao Filho com fé salvadora. Esta vinda éobviamente o ato da fé salvadora, porque Jesus diz que aquele que vir a Ele, Ele não lançará fora.
Além do mais, deve ser assinalado que não há nada na passagem sobre fé acontecendo antes do ser trazido: o trazer resulta em fé. Não há nada no texto sobre Deus capacitando dos homens a serem trazidos . Deus traz, ponto. Não podemos fazer nada, senão apontar quão completamente inversaa essa interpretação é a do texto real. Mas, continuemos:
"E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai". (João 6:65)
Esta é simplesmente uma redeclaração de 6:44 com a mudança de "dado" (NASB: "lhe concedido"; como na ARC e na ARA) por "trazido". Em ambos os casos a mesma verdade está sendo apresentada.  O que é perdido na citação é o fato que Jesus "está dizendo" isto, usando o tempo perfeito, indicando que Ele estava repetindo isto. Os discípulos tinham ido embora, e Jesus explica a deserção e incredulidade da multidão da mesma forma como antes: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai. E já temos visto que o pai concede isto aos eleitos de Deus somente .
Um pouco depois Ele diz: " Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo ". (João 7:17)
O contexto de João 7 é completamente diferente, e nenhuma tentativa é feita para explicar o porque os dois versos são relevantes um ao outro. Mas aparte disso, é evidente que a idéia é que pecadores podem "livremente" fazer a vontade de Deus. E justamente quem escolherá fazer isso? Aqueles que foram dados pelo Pai ao Filho. Aqueles que não são dos eleitos nem mesmo ouvem Suas palavras,
Disso fica evidente que o entendimento que possuíam do ensino de Jesus e de serem atraídos ao Pai resultam da própria livre-escolha deles.
Não temos idéia de como essa declaração pode ser logicamente conectada, mesmo através da mais tortuosa linha de raciocínio, com o texto que está sendo examinado. Como alguém pode partir de "ninguém pode" e chegar até "resultam da própria livre-escolha deles", não podemos dizer.  Não podemos nem mesmo imaginar o que é se quer dizer por "entendimento que possuíam". Essa é uma referência a João 6 ou João 7? "Entender ensino" e "ser trazido" são duas coisas completamente diferentes de dois contextos completamente diferentes, todavia, eles são unidos impressionantemente numa conclusão confusa que brada a palavra "eisegese".
EML falha completamente em prover uma resposta a esta gloriosa passagem que ensina a graça soberana com grande simplicidade. E dado o mau uso de outras passagens já citados (Mateus 23:37, 1 Timóteo 2:4, 2 Pedro 3:9), pode verdadeiramente ser dito que EML não tem base exegética sobre a qual se fundamentar.


NOTAS:
[1] Eleitos, Mas Livres , página 47.
[2] O leitor pode consultar minha breve obra, Trazido pelo Pai (Crowne Publications, 1991), para uma exegese mais completa desta tremenda passagem.
[3] A forma neutra é usada quando o grupo inteiro está em vista; quando cada pessoa individualmente está em vista com referência a sua resposta de fé, o masculino particípio é usado, mostrando o elemento pessoal da fé.
[4] Dois tempos são usados pelo Senhor nesta passagem: aqui o tempo presente é usado, "todo o que Pai me dá ..."No verso 39, contudo, o tempo perfeito é usado, "todos aqueles que Ele me deu..."
[5] Aqui ocorre o aoristo subjuntivo de forte negação,  "Eu nunca lançarei fora". A idéia é a negação enfática da possibilidade de um evento futuro.
[6] Jesus usa o neutro novamente para se referir aos eleitos como um grupo inteiro, embora o fato de que este grupo é formado de indivíduos seja visto em sua ressurreição para vida e na sua vinda individual a Cristo.
[7] João Calvino, Comentário sobre o Evangelho de João, A Coleção Completa de João Calvino (Ages Digital Library, 1998)
[8] Eleitos, Mas Livres , página 93.
[9] Ibid.


Extraído e traduzido do livro A Liberdade do Oleiro [Uma Defesa da Reforma e uma Refutação de Eleitos, Mas Livres de Norman Geisler]- Capítulo 7.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 29 de Maio de 2004.