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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NASCIMENTO, TREINO E CHAMADA DE MOISÉS (Êx 2.1-7.7)




a) Os primeiros oitenta anos de Moisés (Êx 2.1-22)

Note-se a simplicidade e o tom de veracidade neste relato, em contraste com as lendas elaboradas que registram o nascimento dos heróis da mitologia. Um varão... uma filha (1). A omissão de seus nomes não indica que o autor não os conhecesse. Mas trata-se antes de um sinal da modéstia de Moisés. Compare-se isso com as referências de João a si mesmo, em seu evangelho. Filha de Levi (1), isto é, descendente de Levi. Arca de juncos (3). A palavra tebah,  uma "caixa" ou "baú" (provavelmente um termo egípcio), é usada somente aqui e para designar a arca de Noé. Os "juncos" eram canas de papiro, um material empregado para muitas finalidades no Egito, até mesmo para a construção de grandes barcos. Conf. #Is 18.2. Nos juncos (3). Na vegetação da margem, onde a arca seria menos notada e onde ficaria impedida de flutuar rio abaixo. Sua irmã (4). Miriã é a única irmã de Moisés mencionada nas Escrituras. Ver #Nm 26.59. A julgar pelas suas ações, aqui registradas, ela deve ter tido doze anos ou mais de idade naquela ocasião.

>Êx-2.6

O menino chorava (6). Naturalmente, em tais circunstâncias! Mas o choro do infante foi usado, na providência de Deus, para comover o coração da princesa. Dos meninos dos hebreus é este (6). Crianças egípcias talvez também costumassem ser rejeitadas, mas aquele menino "famoso", tão cuidadosamente aninhado, não podia ser senão um dos meninos dos hebreus. Tomou o menino, e criou-o (9). A mãe de Moisés foi capaz de criar seu próprio filho em sua própria casa, até desmamá-lo, no fim de seu primeiro ano de vida, ou, talvez, de seu segundo ou terceiro ano (conf. II Mac. 7.27), quando então o trouxe de volta à filha de Faraó, para ser educado no palácio real. Não somos informados se ela continuou em sua companhia ali, mas bem podemos acreditar que ela implantou nele as raízes da fé no verdadeiro Deus, que orientou sua conduta posterior. O adotou (10). Ele desfrutou dos privilégios e da educação de um filho adotivo da princesa. Esses privilégios ele mais tarde renunciou (#Hb 11.24) mas nunca perdeu os benefícios de sua educação (#At 7.22). Chamou o seu nome Moisés (10). A palavra hebraica, Mosheh, provavelmente é uma forma do termo egípcio mesu, que significa criança, filho, substantivo esse derivado de um verbo que quer dizer "produzir", "retirar". Daí a explicação, dada neste versículo, sobre a razão pela qual ela lhe deu esse nome. A palavra hebraica mashah também significa "retirar", e o jogo de palavras, portanto, podia aparecer no hebraico, o que não pode aparecer na versão portuguesa.

>Êx-2.11

Sendo Moisés já grande (11). De acordo com Estêvão (#At 7.23), tinha "quarenta anos" completos. Saiu a seus irmãos (11). Ele não permanecera na ignorância sobre sua verdadeira raça. "Foi este o primeiro sinal daquela poderosa simpatia e terna afeição pelo seu povo que o caracteriza" na narrativa inteira, e que culmina no patético grito: "Perdoa o seu pecado, se não risca-me, peço-te, do teu livro" (#Êx 32.32), (Rawlinson). Feriu ao egípcio (12). Moisés não tinha justificativa para esse ato, nem pela lei da terra nem aos olhos de Deus. Ele tinha boas intenções, mas mesmo suas melhores intenções eram produto de um espírito ainda não sintonizado à vontade de Deus. Daí a necessidade de mais quarenta anos de disciplina, antes que seu coração e mente estivessem plenamente habilitados para receber a revelação dos propósitos e leis de Deus. Na areia (12). Note-se a minúcia de detalhe. Moisés escreveu sobre aquilo que viu. Os homens de Israel atribuíram a Moisés um ofício que ele realmente não demonstrou (14). Não podiam entender seus verdadeiros motivos (#At 7.25). Sua precipitada ação do dia anterior fez com que suas ações posteriores ficassem sujeitas a tais errôneas interpretações. Procurou matar a Moisés (15). Na execução razoável da justiça. Midiã (15). O território aqui referido provavelmente era a porção sudeste da península do Sinai.

>Êx-2.16

Sacerdote de Midiã (16). Ver #Êx 18.12. Quanto à relação entre os midianitas e israelitas, ver #Gn 25.2. Adoravam ao mesmo Deus verdadeiro. Reuel (18) significa "Deus é amigo". Quanto ao nome Jetro ver anotação sobre #Êx 3.1. Um homem egípcio (19). A julgar por sua aparência e vestuário. Gérson (22). Nome derivado de ger, " um estranho", e de sham, " ali".

>Êx-2.23

b) A chamada de Moisés (Êx 2.23-4.17)

Depois de muitos destes dias (23). Quarenta anos depois de sua fuga do Egito. Ver #Êx 7.7. Suspiraram por causa da servidão (23). O novo Faraó não tinha aliviado o rigor da opressão. De conformidade com a data mais provável, o Faraó da opressão foi o poderoso Tutmés III, mas alguns pensam que foi Ramsés II. Muitas edificações de ambos os monarcas existem até hoje. Conheceu-os Deus (25). Conf. #Sl 31.1; #Os 13.5. Deus prestou atenção a eles e com simpatia entendeu os sofrimentos e sentimentos de Seu povo. Contrastar com #Mt 7.23.

Êx-4.18

c) Moisés retorna ao Egito (Êx 4.18-31)

Meus irmãos (18), isto é, parentes. Essa era uma parte, mas não o total, do propósito de Moisés ao retornar ao Egito. Vai, volta (19). Moisés ainda estava se demorando em cumprir a comissão dada por Deus. A vara de Deus (20), isto é, seu antigo cajado, ainda que agora dotado do poder divino.

>Êx-4.21

Endurecerei o seu coração (21). É dito que Faraó endureceu o seu próprio coração, ou que seu coração foi endurecido, em #Êx 7.13 (ver anotação), #Êx 7.14-22; #Êx 8.15,19,32; #Êx 9.7,34-35; e também que Deus endureceu o coração de Faraó, em #Êx 9.12; #Êx 10.1,20,27; #Êx 14.4,8. Essa ação é predita em #Êx 4.21; #Êx 7.3. Note-se que esse endurecimento é primeiramente atribuído principalmente ao próprio Faraó, e mais diretamente a Deus só mais tarde. Deus não causa positivamente a rebeldia do homem contra Si, mas Ele conformou de tal maneira o coração do homem que, cada vez que ele se recusa a fazer a vontade de Deus torna-se menos responsivo à próxima chamada ou mandamento. A consciência, assim, torna-se menos sensível, e o coração se vai endurecendo. O homem endurece seu próprio coração, mas na linguagem bíblica, "os acontecimentos, quer físicos ou morais, que são o resultado inevitável do arranjo divino do universo, são referidos como se fossem operação direta de Deus" (Hertz). Em adição a essa significação da frase devemos notar que, tendo Faraó uma vez endurecido seu próprio coração, Deus o feriu diretamente com um endurecimento do qual era-lhe impossível ser renovado para o arrependimento (conf. #Hb 6.4-6), tanto como uma penalidade como a fim de demonstrar sobre ele o Seu poder (#Rm 9.17-18), conforme também ficou demonstrado tanto na queda do Faraó como na libertação do povo de Deus.

>Êx-4.22

Israel é meu filho, meu primogênito (22). Isso não subentende a suposta paternidade universal de Deus, como se as outras nações também fossem Seus filhos, mas significa que Israel foi primeiramente eleita para receber filiação espiritual "para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios" (#Gl 3.14). Ver #Rm 8.14-17.

>Êx-4.24

Numa estalagem (24). Simplesmente um lugar de descanso. E o quis matar (24). Talvez por meio de uma enfermidade. Parece que isso foi um castigo por ele ter negligenciado quanto ao dever de circuncidar seu filho. Antes que Moisés pudesse apresentar os mandamentos de Deus perante Faraó e os israelitas, ele mesmo não podia omitir qualquer deles. Daquela maneira drástica Deus levou Moisés ao ponto da total obediência, a preparação necessária para poder ser ele usado em Seu serviço. Um esposo sanguinário (25). Em heb. hathan-damim, lit., "cortado com sangue". Essa expressão era aplicada a um jovem noivo, circuncidado antes do casamento. Estas palavras foram dirigidas a seu filho, denotando o cumprimento do rito do concerto, ou a seu marido, que assim lhe era restaurado como noivo. Qualquer que tenha sido a significação exata, seu ato anulou o divino desprazer. E desviou-se dele (26). Deus poupou Moisés. Foi provavelmente nessa altura que Moisés mandou de volta a Jetro sua esposa e seu filho (ver #Êx 18.2-3). Os sinais (30) eram os milagres dos versículos 3-9.

Êx-5.1

d) A primeira petição a Faraó e seu resultado (Êx 5.1-6.1)

Uma festa (1). Ver 3.18 nota. Quem é o Senhor? (2). Uma expressão de desprezo; mas Faraó, à semelhança até de muitos israelitas, talvez ignorasse o nome. O Deus dos hebreus (3). Essa descrição tinha mais probabilidade de ser entendida por Faraó. Por que fazeis cessar o povo...? (4), isto é, por que os distraís com essa conversa sobre peregrinação? etc. O povo da terra (5). Heb., ’ am ha-ares. Este termo usualmente denota pessoa comum, mas aqui, como também em #Gn 23.7, provavelmente significa "o concílio dos anciãos" que tinha vindo com Moisés e Aarão. Faraó deixa subentendido que muitos deles não estavam trabalhando. Palha (7). Ou para reforçar a massa, ou para impedir que se pegasse nos moldes. Estão ociosos... não confiem em palavras de mentira (8,9). Satanás freqüentemente apresenta a adoração a Deus como uma coisa vã, própria somente para aqueles que nada mais construtivo têm a fazer. Rastolho (12). No Egito apenas as cabeças das espigas eram cortadas, deixando longas tiras de palha para os israelitas cortarem, carregarem e esmiuçarem, antes de usá-las na fabricação dos tijolos. A palavra também pode incluir todas as outras espécies de refugo do campo.

>Êx-5.19

Estavam defronte deles (20). Os oficiais (19) estavam esperando por eles, quando vieram da presença de Faraó, para saber qual o resultado da entrevista. Tornou Moisés ao Senhor (22). Como quem constantemente repetia sua comunhão com Deus. Por que...? (22). Será que Moisés ter-se-ia esquecido da advertência de #Êx 3.19? Contudo, existia agora um outro problema, pois, em lugar de uma negação franca, Faraó havia aumentado as cargas dos israelitas além da tolerância humana. Agora verás (#Êx 6.1). Quanto maior fosse a violência de Faraó, maior seria a manifestação do poder de Deus em livrar. Por uma mão poderosa (1), isto é, compelido pela forte mão de Deus. Ver #Êx 3.19.

Êx-6.2

e) As promessas e a comissão renovadas (Êx 6.2-13)

Eu sou o Senhor... (2,3). Contrariamente às afirmações da moderna crítica, Deus não estava aqui anunciando a Moisés um novo nome pelo qual Ele deveria ser chamado. Mas os versículos que seguem demonstram que Deus estava declarando que tinha chegado o tempo d’Ele cumprir a aliança feita com seus pais, e de fazer aquilo que Ele tinha prometido. Portanto, Ele fortaleceu a fé de Moisés e dos israelitas, reafirmando Seu caráter (ver anotação sobre #Êx 3.14). Ele é o Deus observador de Suas alianças, e foi nesse aspecto de Seu caráter que Ele agora se revelava especialmente ao Seu povo, cumprindo as promessas do concerto feito com seus pais, pelo que também o nome "Jeová" deveria, dali por diante, ser associado à relação de aliança entre Deus e Seu povo. Seus pais também empregaram este nome, "Jeová", mas o aspecto de Seu caráter que Ele então revelara particularmente a eles foi o aspecto de Seu poder, no que tangia especialmente à multiplicação de sua descendência (#Gn 17.1-2; #Gn 28.3; #Gn 35.11).

>Êx-6.3

Deus Todo-poderoso (3) não significa um nome de Deus (as palavras "pelo meu nome" não se encontram no original hebraico), mas trata-se de uma frase descritiva, "o Deus que é todo-poderoso". Os israelitas, nos dias de Jeremias e Ezequiel, continuavam conscientes do nome "Jeová", mas #Jr 16.21, "saberão que o meu nome é o Senhor (Jeová)" -uma frase freqüentemente encontrada em Ezequiel -prova que era o caráter de Deus, subentendido por esse nome, que eles não conheciam. Assim, em #Êx 6.7, o significado é que eles viriam a conhecer que Ele era Jeová, Deus deles, não por ouvir anunciado esse nome, mas por experimentar Seus atos de poder e amor. Outra maneira legítima de traduzir o versículo 3, mas que dá uma diferente significação, é, "Permiti-me aparecer a Abraão, a Isaque e a Jacó como El Shaddai, e nem mesmo a eles me permiti ser conhecido pelo meu nome Jeová?" Ver também anotações sobre #Gn 2.4; #Gn 17.1; #Dt 5.11.

>Êx-6.4

Meu concerto (4). Ver anotações sobre #Gn 6.18; #Gn 15.7-21; #Dt 4.13. Resgatarei (6). Essa é a primeira instância do uso desta palavra na Bíblia, a qual expressa um dos elementos fundamentais do ato divino da salvação. A redenção de Israel, tirando-o do Egito, figura proeminentemente, nas Escrituras, como um tipo de nossa redenção do pecado. O termo heb. gaal, significa "reivindicar" ou "resgatar", especialmente como o parente resgatava a propriedade ou a pessoa de um parente incapaz de fazê-lo. Dessa maneira Deus, o divino Parente, cujos recursos são inexauríveis, resgata Seu povo incapacitado, ao custo do exercício de Seu poder sobrenatural tornando-o Sua própria propriedade peculiar (versículo 7). Conf. #Is 43.1. Juízos (6). Os atos de poder eram um julgamento contra o opressor. Ver #Dt 4.1 nota. Eu vos tomarei por meu povo (7). Conf. #Êx 19.5-6, etc. Israel foi escolhido para ser o meio pelo qual Deus trouxe ao mundo a Sua revelação sobre Sua própria Pessoa e sobre Sua salvação. E serei vosso Deus (7). Ele tinha uma relação especial para com Israel; todavia não deixou de ser o Deus da terra inteira. Eu sou o Senhor (8). A mensagem se encerra com ás mesmas palavras com que teve início. É selada em ambas as extremidades com a autoridade do Deus vivo e fiel.

>Êx-6.11

Que deixe sair (11). Uma exigência maior que a primeira. Ver 3.18 nota. Incircunciso de lábios (12). Não se trata de qualquer admissão de pecaminosidade, mas uma repetição de sua queixa em #Êx 4.10, que ele era pesado de língua. Semelhantemente a "os seus ouvidos estão incircuncisos" (#Jr 6.10), que quer dizer alguém que "não pode ouvir". Conf. #Lv 26.41.

>Êx-6.14

f) As genealogias de Moisés e Aarão (Êx 6.14-27)

Casas de seus pais (14). Um termo técnico para "clãs" ou "famílias". Rúben e Simeão são incluídos aqui possivelmente para mostrar a posição relativa de Levi na família de Israel, e para mostrar que na dispensação de Deus nem sempre aquele que nasce primeiro é o "primogênito" em lugar de honra e liderança. Joquebede, sua tia (20). Esse nome significa "Jeová é minha glória". É mais uma prova do conhecimento do nome Jeová desde antes do tempo de Moisés. Ver 3.14-15 nota. O casamento de um homem com sua tia era algo permitido até ser dada a lei de #Lv 18.12. Corá (21). Portanto, ele era primo de Moisés. Ver #Nm 16.11. Seus filhos não pereceram juntamente com ele, e seus nomes são dados no versículo 24 como cabeças de importantes famílias sacerdotais. Eliseba (23). Um nome melhor conhecido em sua forma helenizada: Isabel. Seus exércitos (26), isto é, organizados em arranjo ordeiro, por suas tribos, famílias, etc.; não uma multidão desordenada. Não há sugestão aqui a estarem equipados de armas militares.

>Êx-6.28

g) A comissão retomada (Êx 6.28-7.7)

A narrativa dos versículos 2-12, interrompida pelas genealogias, é retomada neste ponto.

Êx-7.8

III. AS PRAGAS, A PÁSCOA E O ÊXODO (Êx 7.8-15.21)

a) A Faraó é dado um sinal (Êx 7.8-13)

Fazei por vós algum milagre (9). Provai vossas reivindicações mediante algum ato sobrenatural. O mesmo com os seus encantamentos (11). Mediante hipnotismo e diversos outros truques, podiam fazer uma cobra ficar rígida como uma vara. Nenhum poder sobrenatural é subentendido aqui.

>Êx-7.14

b) As primeiras nove pragas (Êx 7.14-10.29)

As pragas não apenas provocavam grande aflição física; mas eram um julgamento contra os deuses do Egito. O rio Nilo era um dos principais objetos de adoração; a rã era sagrada como símbolo da fertilidade; dentre o gado, o carneiro, o bode e o boi eram sagrados; o deus-sol, Rá, foi eclipsado e provado como impotente mediante a praga das trevas. "Sobre todos os deuses do Egito, farei juízos: Eu sou o Senhor" (#Êx 12.12).

1. O NILO TRANSFORMADO EM SANGUE (#Êx 7.14-25). Ele sairá às águas (15). Ou para banhar-se ou para atender alguma festa religiosa. O milagre foi anunciado com antecedência (17) a fim de que Faraó pudesse perceber que não se tratava de uma maravilha desconexa, mas uma prova que o Senhor tem o poder de cumprir Seus desígnios e decretos. Tornar-se-ão em sangue (17). Em #Jl 2.31 o sangue é usado em sentido metafórico, mas aqui provavelmente deve ser considerado em sentido literal. O rio ocasionalmente se tornava avermelhado devido à presença de certas matérias vegetais, mas aqui não aconteceu puramente a intensificação de um fenômeno natural; foi um milagre por causa do qual os próprios peixes morreram e a água se tornou nojenta. Os magos... fizeram o mesmo (22). Talvez por meio de truques ilusórios; mas ver 8.18 nota. Água limpa era obtida provavelmente como no versículo 24. Cavaram... para beberem água (24). O versículo 19 indica que toda água derivada do rio Nilo se transformara em sangue. Mas água obtida de outras fontes continuava pura. Sete dias (25). Depois disso Deus permitiu que fluísse água pura do alto rio para limpar o baixo curso do rio.

Êx-11.1

c) Advertência sobre a última praga (Êx 11.1-10)

O Senhor disse (1). Melhor tradução: "O Senhor dissera", pois o verbo está no mais-que-perfeito, registrando uma palavra de Deus a Moisés, antes de sua entrevista com Faraó. Peça (2). Ver 3.22 nota. Moisés era mui grande... aos olhos do povo (3). Em resultado das maravilhas que ele operara, a sua consideração para com o povo, dando-lhes a devida advertência. Moisés escreveu assim sobre si mesmo, não sem modéstia, mas a fim de explicar por que o povo esteve tão pronto a dar suas jóias, etc. Disse mais Moisés (4). A continuação do discurso de Moisés a Faraó. À meia-noite (4). Qual noite, não foi especificado. Todo o primogênito (5). A palavra hebraica significa a descendência masculina. O primogênito dos animais (5). Diversos desses animais eram considerados como objetos de adoração. Nem ainda um cão moverá a sua língua (7). Uma expressão proverbial. Para que as minhas maravilhas se multipliquem (9). Conf. #Êx 7.3. A voluntariedade de Faraó, agora intensificada pelo julgamento de Deus, serviu para atrair o exercício do poder de Deus, a fim de impressionar tanto os egípcios como os israelitas com Sua justiça e Seu poder.

Êx-12.1

d) A instituição da Páscoa (Êx 12.1-28)

O princípio dos meses (2). O Êxodo foi, espiritual e nacionalmente, um acontecimento que marcou época. Conf. #Nm 1.1. Até então o ano judaico tinha começado com o mês de Tisri, perto do equinócio do outono. O mês em que sucedeu a saída, o mês de Abibe, era no equinócio da primavera. Os judeus começavam agora seu ano civil no mês de Tisri, mas seu ano sagrado começava no mês de Abibe. Um cordeiro (3). Essa palavra pode significar igualmente bem tanto um cordeiro como um cabrito (ver versículo 5), mas parece que eram quase universalmente empregados cordeiros. As casas dos pais (3), isto é, a família. O primeiro e básico festival de Israel foi um festival em família. A pureza da vida familiar é o fundamento tanto da prosperidade espiritual como da prosperidade nacional. Pequena (4). Dez homens, além das mulheres e crianças, eram considerados o mínimo para consumir um cordeiro. Sem mácula (5). Conf. #1Pe 1.19; #Hb 7.26; #Hb 9.14. Não apenas todas as ofertas a Deus devem ser tiradas do melhor, mas aquele cordeiro também deveria tipificar o imaculado Cordeiro de Deus. De um ano (5), isto é, não mais que um ano de idade, a idade da inocência. Guardareis (6). Para permitir perfeita inspeção. Os negócios pertencentes a Deus nunca devem ser feitos às carreiras. À tarde (6). Lit., "entre as tardes". Isso significa ou "entre o pôr do sol e o fim do crepúsculo" ou então "entre o arrefecer do dia, cerca das 15 horas, e o pôr do sol". De qualquer maneira, de acordo com Josefo, o cordeiro era morto entre as horas nona e décima primeira, ou seja, entre as 15 e as 17 horas. Note-se que foi na hora nona (15 horas) que Jesus clamou com alta voz e entregou o espírito (#Mt 27.45-50).

>Êx-12.7

Tomarão do sangue... (7). A explicação dos detalhados requerimentos, nos versículos 7-10, só pode ser visto se percebermos neles um tipo sobre Cristo. Somente pelo sangue é que há livramento da destruição; o cordeiro era assado no fogo para simbolizar o fogo da ira de Deus que foi tolerado pelo Salvador; aqueles que se alimentam d’Ele devem pôr de lado o fermento da malícia e da maldade (#1Co 5.8), e devem comê-Lo com as ervas amargosas do arrependimento; tudo deveria ser consumido: se é fisicamente impossível fazer isso comendo-o, então pode ser feito pelo fogo, visto que a oferta de Cristo foi completa e Ele deve ser recebido em Sua inteireza.

>Êx-12.11

Assim pois o comereis (11). Isso se aplica somente à Páscoa realizada no Egito, e não às celebrações subseqüentes; todavia, os redimidos sempre devem ser como aqueles que não têm habitação permanente neste mundo. Ver #Lv 23.4-5; #Nm 28.16-25 quanto às celebrações da Páscoa no deserto: e ver #Dt 16.1-8, que reafirma as regras, em vista de sua observância na terra prometida. Os vossos lombos cingidos (11). Amarrando de encontro ao corpo suas longas vestimentas soltas. Apressadamente (11). Como prontos para atender a qualquer momento a chamada para a partida. É a páscoa do Senhor (11). A palavra "páscoa", referindo-se usualmente ao ritual inteiro, é aqui aplicada somente para o cordeiro pascal, tal como em #1Co 5.7. "Páscoa" se deriva do verbo pasah,  "passar por cima", incluindo a idéia de "poupar e proteger". Ver versículo 13. Todos os deuses do Egito (12). Cada deus egípcio era representado por algum animal, e estaria impotente para proteger seu próprio representante. Eu sou o Senhor (12). Conf. #Êx 6.2,6,8,29, etc. Vos será (13). Em vosso interesse. Por sinal (13). O sangue, nas vergas e ombreiras das portas, seria uma evidência, para Deus, que o sacrifício tinha sido efetuado, e que os moradores exerciam fé em Suas promessas. Aos tais Ele libertaria. Memória... por estatuto perpétuo (14). Da mesma maneira que a Ceia do Senhor é um memorial que deve ser observado perpetuamente, "até que Ele venha".

>Êx-12.15

As instruções dos versículos 15-20 se referem não à ocasião imediata, mas às futuras observações dessa festividade. Fermento (15). Usualmente um símbolo de corrupção e pecado, mas nem sempre. Ver #Mt 13.33; também versículo 34 nota. #Lv 2.11 nota. Cortada (15). Não morta, mas banida da congregação de Israel. Ver #Gn 17.14 e nota. Ao primeiro dia... santa convocação (16). Esse primeiro dos sete dias era o dia seguinte ao do abatimento do cordeiro pascal, isto é, o dia 15 de Abibe. O termo "convocação" provavelmente se deriva do fato do povo ser convocado juntamente para reunir-se no tabernáculo, talvez por meio das trombetas de #Nm 10.2. Nenhuma obra se fará (16), isto é, nenhum trabalho servil. Conf. #Lv 23.7. Estrangeiro (19). Em heb. ger. Os estrangeiros que aceitassem o rito da circuncisão e a lei do Senhor eram incluídos na congregação e considerados como israelitas. Ver #Dt 1.16 nota. Natural da terra (19). Israelita por descendência natural.

>Êx-12.21

Tomai (21), isto é, dentre o rebanho. Um molho de hissopo (22). O formato dessa planta tornava-a particularmente apropriada para aspergir o sangue da expiação, e, devido o seu freqüente uso para esse propósito, veio a tornar-se um símbolo de purificação espiritual. Conf. #Sl 51.7. Nenhum de vós saia (22). Somente debaixo da cobertura de sangue é que há proteção. O Senhor passará aquela porta (23). Conf. versículo 13. Destruidor (13). O anjo destruidor (#2Sm 24.16), chamado de "praga" no versículo 13. Isto (24). O sacrifício do cordeiro (17,27), e não a aspersão do sangue nas vergas e ombreiras das portas, que se aplicou somente a esta ocasião. Como tem dito (25). Ver #Gn 12.7, etc. Quando vossos filhos... (26). A educação espiritual no lar é o fundamento do caminho de Deus para a vida do homem. A observância do rito provia oportunidade dos pais recontarem a história dos poderosos atos e promessas de Deus. Semelhantemente, as duas ordenanças cristãs fornecem ocasião para nos lembrarmos, na mente e no coração, da obra e das palavras do Senhor Jesus Cristo.

>Êx-12.29

e) A décima praga e a partida para fora do Egito (Êx 12.29-51)

De noite (31). Tão grande era a aflição dos egípcios que Faraó fez um apelo imediato a Moisés. Provavelmente Moisés em realidade não se apresentou a Faraó. Ver #Êx 10.29. O primogênito de Faraó (29). A praga culminante cumpriu a primeira advertência de Deus a Faraó (#Êx 4.23). Abençoai-me também (32). Para evitar maiores calamidades. Note-se a extrema humilhação de Faraó, ainda que sem contrição de coração. Ver #Êx 14.5. Sua massa, antes que levedasse (34). Naquela ocasião o pão ainda não estava levedado, devido à pressa. Conf. versículos 11,39. O pão asmo, nas celebrações subseqüentes, servia de lembrete sobre isso e também incluía a noção de liberdade da corrupção. Ver versículo 15 nota. Pediram (35). Ver 3.22 nota. Emprestavam-lhes (36). Melhor ainda, "deixavam-nos ter". Ramesses (37). Ver #Êx 1.11 e segs. Cousa de seiscentos mil de pé (37). Uma cifra arredondada, representando os 603.550 de #Nm 1.46. Varões, sem contar os meninos (37). Uma anotação para indicar que apenas os adultos masculinos foram incluídos naquela cifra. Fica subentendido, naturalmente, que as mulheres não foram contadas. Uma mistura de gente (38). Ver #Nm 11.4. Vários estrangeiros, não incluídos na "congregação de Israel", também saíram com os israelitas; contrastar com versículo 19. Grande multidão de gado (38). Nem todos os israelitas tinham sido obrigados a prestar trabalho escravo.

>Êx-12.40

Quatrocentos e trinta anos (40). Isso corresponde à cifra arredondada de 400 anos, em #Gn 15.13-14. É natural ler as palavras, aqui e no livro de Gênesis, como a referir-se à duração do tempo de permanência no Egito; porém, a Septuaginta, Paulo (#Gl 3.17), e a tradição rabínica contam os 430 anos a partir do tempo da promessa feita a Abraão, e, nesse caso, devemos entender a palavra "habitaram" (peregrinaram) como incluindo também o período anterior de peregrinação na terra de Canaã. Nenhum filho do estrangeiro (43). Não o ger do versículo 19, mas o estrangeiro não circuncidado, tais como o da "mistura de gente" (38,45). Conf. #Cl 2.11. Mas todos, quer servos ou vizinhos, que estivessem dispostos a aceitar o Deus de Israel como seu próprio Deus, seriam bem recebidos e convidados para a festa da páscoa (44,48-49). Nem dela quebrareis osso (46). Ver #Jo 19.33-36. Nada pode destruir o caráter completo de Cristo e daqueles que, n’Ele, são um com o Pai. Uma mesma lei... (49). O povo de Israel era o povo escolhido de Deus e também os mediadores de Sua salvação para com o mundo, mas Ele nunca tencionou que fossem uma raça exclusiva. #Is 56.3-8 mostra quão aberta estava a porta para os outros, mesmo sob a antiga aliança.

Êx-13.1

f) Santificação e redenção dos primogênitos (Êx 13.1-16)

Santifica-me todo o primogênito (2). "Separa como sagrados". É razoável que a vida que Deus tinha poupado fosse devotada a Ele (#Rm 12.1). Assim como a celebração anual da Páscoa relembrava a nação a respeito de sua grande redenção, igualmente a dedicação dos primogênitos conservava fresca a memória disso em cada lar. Lembrai-vos deste mesmo dia (3). A santificação dos primogênitos foi associada ao dia do livramento; por conseguinte, Moisés prefaciou suas instruções referentes aos primogênitos com uma renovada exortação concernente a observância da Páscoa, o memorial daquele dia. Ver #Dt 5.15 nota. Quando o Senhor te houver metido na terra (5). Conf. #Dt 6.3-15. A prosperidade tende a fazer com que o homem se esqueça das misericórdias passadas; daí a necessidade desses vívidos memoriais.

>Êx-13.9

Sinal sobre tua mão (9). "Tephillin" ou "filactérias" eram usados pelos homens judeus, quando empenhados em oração. Pergaminhos, sobre os quais eram escritas três passagens da lei (#Êx 13.1-10; #Dt 6.4-9; #Dt 11.13-21) eram dobrados metidos em caixinhas que eram seguras ao pulso esquerdo e à testa por meio de fitas. Conf. #Mt 23.5. Dessa maneira contavam com um perpétuo lembrete sobre as lições do êxodo. Este estatuto (10), isto é, a páscoa. Jumenta (13). Sendo um animal impuro, não podia ser sacrificada, e, portanto, tinha de ser redimido, isto é, seu lugar era ocupado por um substituto. Cortar-lhe-ás a cabeça (13). Ninguém podia escapar da lei. Se o dono do animal não estivesse disposto a sacrificar um cordeiro, o jumento estava condenado; se não fosse devotado a Deus, então era destruí-lo. Na prática essa era uma salvaguarda eficaz da lei, visto que um jumento era muito mais valioso, comercialmente falando, que um cordeiro. Teus filhos resgatarás (13). Não com um cordeiro, mas mediante dinheiro (#Nm 3.46-47). Nenhuma sugestão de sacrifício infantil jamais mancha as páginas da lei. Será por sinal (16). Ver versículo 9 nota.

>Êx-13.17

g) A travessia do mar Vermelho (Êx 13.17-14.31)

Pelo caminho... dos filisteus (17). A rota direta, ao longo da costa, que teria demorado uma quinzena. Armados (18), isto é, provavelmente não, equipados com armaduras ou armas de guerra, mas sim, "organizados". Numa coluna de nuvem (21). Como sinal e orientação para a marcha do povo, mas também como sinal visível da presença de Deus. Eles marchariam parte da noite e também parte do dia, descansando nas horas mais quentes.

Êx-15.1

h) O Cântico de Moisés (Êx 15.1-21)

As palavras, ao Senhor (1), ferem a nota chave desse cântico. Nos versículos 1-12 Moisés atribui ao Senhor a glória exibida na vitória acabada de conquistar; nos versículos 13-18 ele profetiza a vindicação da soberania do Senhor, introduzindo Seu povo na herança que Ele lhes prepara. O Senhor (2) é a fonte de seu poder, o tema de seu cântico, o autor de sua libertação e preservação; consequentemente, Ele é o objeto de sua adoração e de seu louvor; o mesmo Deus, tanto para ele como para seus antepassados.

>Êx-15.2

Portanto lhe farei uma habitação (2). Melhor ainda: "Portanto, louvá-lo-ei". O Senhor é varão de guerra (3). A vivacidade poética dessa descrição não nos deveria deixar cautelosos quanto à verdade desse fato, tão evidentemente provado pelos acontecimentos do capítulo anterior, e pelas visões do último livro da Bíblia (#Ap 19.11). Tua destra (6). Nesta altura o cantor se volta e dirige o cântico diretamente para Deus. Nenhuma expressão abstrata seria mais apta que esta frase antropomórfica para descrever o poder ativo de Deus. Ela é freqüentemente usada nas Escrituras, tanto neste sentido como também como a sede da autoridade divina.

>Êx-15.8

Os abismos coalharam-se (8). Não sólidos como gelo, mas em formação vertical contrária à natureza. Entre os deuses (11). A superioridade de Deus sobre aqueles que não são deuses, e que Ele acabara de derrotar, é declarada de três maneiras: o imaculado brilho de Sua santidade, a reverência que Ele inspira naqueles que O adoram e louvam, e a maravilha de Seus atos miraculosos. Ver #Dt 6.14 nota; 32.21 nota.

>Êx-15.13

O versículo 13 marca a transição para a passagem profética. A força do tempo verbal, no hebraico, neste versículo, é presente, e os verbos seriam melhor traduzidos como: "guias" e "levas". À habitação de tua santidade (13) pode referir-se ao monte Sinai, a Canaã ou ao monte Sião. Os povos (14), ao redor, conforme exemplificados no versículo 15. Ouvindo falar na miraculosa derrota dos egípcios, temeriam a vinda dos israelitas. Exemplo disso #Js 2.9-11.

>Êx-15.16

Adquiriste (16). O heb. tem a idéia de tempo presente neste verbo. O sacrifício da páscoa é um sinal que o livramento de Seu povo não foi feito sem custo para Deus. O êxodo foi um ato de redenção, e prefigurou o custo, para o Pai de redimir a humanidade por intermédio do Seu Filho. No monte da tua herança (17). Provavelmente se refere à terra prometida de Canaã, em sua totalidade, pois, na intenção de Deus, já se tratava de um país montanhoso na posse de Israel, tal como, em Seu irresistível propósito, o Seu santuário foi com efeito estabelecido no monte Moriá. O Senhor reinará (18). A vitória sobre o Egito, que forma o tema do cântico, servia apenas de exemplo quanto ao reino eterno de Deus.

O cântico termina no versículo 18. O versículo 19 é um sumário dos acontecimentos que ocasionaram o cântico. Miriã, a profetisa (20). Miriã foi a primeira das mulheres, referidas nas Escrituras, a exercer um ministério especial. Conf. #Jz 4.4; #Lc 2.36, etc. Danças (20). Danças solenes como expressão de adoração, embora apropriadas para os tempos de Moisés e dos salmistas, são capazes de abusos, e nunca encontraram um lugar geralmente aceito na adoração da Igreja Cristã. Miriã lhes respondia (21). O coro, usando um estribilho, empregava as palavras iniciais do cântico de Moisés (1).


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Chamados para gerar



Chamados para gerar

João 4:14 ...aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.

                Quem é Jesus Cristo? Em João 1:1-2 (1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. 2 Ele, a Palavra, estava no princípio com Deus) mostra quem é Jesus Cristo e, quem foi Jesus Cristo. O Logos de Deus, a própria palavra de Deus e isto crer que Ele é quem criou a própria criação (Gênesis 1:1 No princípio, Deus criou os céus e a terra), Deus cria tudo que existe pela sua Palavra (João 1:14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade. A proclamação de João Batista), esta Palavra é a Graça, a Verdade e Águas de vida eterna.
                Em (João 15: 3 Vós já estais limpos, pela Palavra que Eu vos tenho transmitido.) a palavra é que vos limpa para o Seu Designo que é de mudar o Mundo em sua plenitude (João 17:17 Santifica-os pela tua verdade; a tua Palavra é a verdade. Efésios 5:26 a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água por meio da Palavra...). Mudar o Mundo é transformar do seu estado de pecado para um estado de santidade pela Palavra dEle, assim despertar o verdadeiro amor que fará demostrar a graça de Deus a outros (1 Pedro 1:22 Considerando, pois, que tendes a vossa vida purificada pela obediência à Verdade que leva ao amor fraternal não fingido, amai uns aos outros de todo o coração).
                A lição em missões é poder ter um coração desprendido do ódio e, sim apegando ao amor para com todos, tanto, aos amigos como inimigos (Lucas 6:35 Concluindo, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem se desesperar por receber de volta. Então, sendo assim, grande será o vosso prêmio, e sereis filhos do Altíssimo. Porquanto Ele é bondoso até mesmo para com os ingratos e ímpios). Desta forma missões é viver o amor de Cristo a todas as nações da Terra 1 João 3:16, viver como o Senhor viveu neste Mundo se despindo de se mesmo (Filipenses 2 …6 o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, 7 mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos. 8 Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz.) Para demonstrar o amor de Cristo, tem de se esvaziar, se despir (Mateus 20:28 Assim como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como único resgate por muitos”. Os cegos recuperam a visão) e, aprender a servir, ou seja, seguir o ministério de Jesus Cristo (João 20:21).
                Para isto a necessidade de um verdadeiro arrependimento (Mateus 3:2 “Arrependei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”)., arrepender é voltar a Deus, e voltar a Deus é buscar fazer as obras dignas de arrependimentos, que são as obras de Jesus Cristo (Lucas 3 …7João repreendia as multidões que vinham para ser batizadas por ele: “Raça de víboras! Quem lhes persuadiu a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, então, frutos que demonstrem arrependimento. E não comeceis a cogitar em vossos corações: ‘Abraão é nosso pai! ’. Pois eu vos asseguro que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. 9 O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo”…). Estas obras envolvem os desígnios de Deus, e seus decretos e propósitos concernente a humanidade.
                Deus declara através de Ezequiel (Ezequiel 18…31 Livrai-vos de todos os erros e maldades que praticastes contra a minha pessoa; criai em vós um coração renovado, e um espírito novo; por que havereis de escolher a morte, ó Casa de Israel? 32 Porquanto não tenho nenhum prazer na morte de quem quer que seja, afirma Yahweh, o SENHOR Deus. Convertei-vos, pois, e vivei!), por este motivo, Deus separou um povo a pregar o evangelho (Mateus 28 …18 Então, Jesus aproximando-se deles lhes assegurou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos”). Neste anuncio do evangelho amplia os seus feitos, pois é dado a um crescimento da obra de Cristo, pela sua longevidade até a sua vinda, podendo então declarar o evangelho a todos que necessitam clamar para serem salvos (Romanos 10…8 Mas o que ela diz? “A palavra está bem próxima de ti, na tua boca e no teu coração”, ou seja, a palavra da fé que estamos pregando: 9 Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo! 10 Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.).   A Palavra traz libertação, cura, vida arrependimento e salvação, então, gerai frutos em grande quantidade.

                Assim, a igreja é ordenada a cumprir a ordenança de Jesus Cristo vos deu que é a de fazer discípulos por toda a terra (Mateus 28 …18 Então, Jesus aproximando-se deles lhes assegurou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos”.). O “fazei” discípulos está no imperativo, gerar um discípulo faze parte do ide, mas, demanda mais tempo. Os discípulos deverão saber que Jesus é a porta do Reino, que deve se arrepender e buscar o batismo no em Jesus Cristo, o dom do Espirito Santo e guardar todas as coisas que Jesus ordenou (Atos 2: 38 Orientou-lhes Pedro: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em o nome de Jesus Cristo para o perdão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo). Então, considera a ação do que devemos fazer discípulos, sua resume em falar da obra de Cristo e do Espirito Santo.

sábado, 2 de setembro de 2017

O Caminho da Caridade



Texto: I Cor. 16:14

                Não há dúvida quando se fala de vida cristã, se falará de uma vida de amor. Este pensamento é válido, porque no Calvário é demonstrado o verdadeiro amor para uma humanidade sem amor. E quando somos cristãos; somos membros da Igreja de Cristo, uma comunidade mui amada. Por ser parte do corpo de Cristo, estes são chamados a viverem em amor para com Deus, e uns pelos outros. A vida em amor é cumprimento mais perfeito da Lei de Deus (Rom. 13:8-10; Gla. 5:14; I Tim. 1:5).

                Deus não só tem amor por nós, mas, também gera este amor por nós. Nenhum crente gera amor por si mesmo, todavia este amor é gerado por Deus na vida destes, tal amor vem quando o cristão encontra o caminho dEle. Não é que um pessoa se tornou muito boa quando aceitou a Cristo, foi o amor de Deus que foi derramado em sua vida (Rom. 5:5); Deus nos dá um Espírito de amor (II Tim. 1:7), é o primeiro fruto apontado por São Paulo (Gal. 5:22).

                O amor comunitário só poderá ser ensinado e doado pelo próprio Deus (I Tes. 4:9). É o Senhor que faz os cirstãos transbordarem de amor uns pelos outros (I Tes. 3:12). Só existirá amor verdadeiro quando este amor estiver em Cristo (I Tim. 1:14) e "no Espírito Santo" (Col. 1:8); bem da verdade é o amor produzido pelo Espírito. Não há dúvida que o amor é resultado da atuação do Espírito Santo.

                Quando analisamos a igreja, notamos que a Igreja deve viver em amor (Ef. 5:2), quando isto não acontece devemos sofrer as mais duras críticas (Rom. 14:15). O amor por natureza é algo habitual, devemos praticar todos os atos de amor (I Cor. 16:14). Não existe nada dentro da Igreja invisível mais notório que o Amor (I Cor. 13: 1-3). Quem imbui a si características do Amor, se aproxíma da vida que Deus idealiza para os seus filhos: estes são perseverantes e gentil, e não orgulhosos (I Cor. 13:4). Quem ama não é egoísta, não é irascível e também não guarda rancor (I Cor. 13:5). Fica feliz quando a verdade prevalece, não quando a maldade se fortalece (I Cor. 13:6). O amor dura para sempre (I Cor. 13: 7,13).

                O amor deve ser a busca obsesiva do cristão, este deve perseguir tal objetivo com avidez (I Cor. 14:1; II Tim. 2:22); não deveremos achar que o Amor surgirá sem nos esmerarmos a procurá-lo. O baltrame da vida cristã é o amor (Ef. 3:17); é algo maravilhoso "poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3:18-19). Em mundo a onde os seres humanos são estigmatizados pelo egoísmo, pelas guerras, pelos ódios, pelos preconceito, Deus projeta para a igreja uma identificação diferente; uma identificação dada pelo o Amor e o amar. O vínculo da Igreja de Cristo é do amor (Col. 2:2), que é o vínculo da perfeição (Col.3:14). Pois, a edficação do Corpo de Cristo, é feito em Amor  (Ef. 4:16) e pelo Amor (I Cor. 8:1). São Paulo tinha uma esperança, de que a Igreja de Cristo demonstrassem este amor (II Cor. 2:8; 8:8; Gal. 5:13), e o mesmo ora a Deus para que seja super abundante (Filp. 1:9).


                Muitos hoje vivem uma vida de fé mistica, sobrenatural, buscando mover montes, e abrir mares, resucitar mortos e curar enfermos pelo poder desta fé, entretanto se esquecem que a verdadeira Fé é vivenciada pelo o AMOR verdadeiro (Gal. 5:6). Não há rituais, mandingas que te levará a cumprir a vontade de Deus, somente o cuidada com o próximo é o que Deus quer de nós (Is 58:1-12), e não uma religião de aparência. Neste tempo temos de viver uma vida direcionada no verdadeiro AMOR para que possamos vivênciar uma verdadeira religião (A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. Tiago 1:27).

domingo, 20 de agosto de 2017

Onde começa a missão do homem no Pacto da Nova Aliança



Uma segunda possibilidade é que poderíamos entender essa aliança como "nova" fazendo dela um contraste com aquela ideia errônea que os judeus tinham da Lei como sendo uma aliança legal para a salvação. Aquela antiga aliança (considerada entre os judeus como aliança de salvação) caducou, pois ela foi tornada imperfeita. Em Jeremias 31:31-34 o profeta parece falar ali de uma aliança inteiramente nova. Mas surge a seguinte pergunta: Em que, então, diferem as duas alianças ali apresentadas?
A nova aliança é o pacto movido pelo pulsar da vida de Jesus, o Verbo de Deus já no início que agora é manifesto:
Gênesis 1:1
No princípio, Deus criou os céus e a terra.

Provérbios 8:22-31
O SENHOR me possui como fundamento do seu Caminho, antes mesmo do princípio das suas obras mais antigas; …

Efésios 3:9
e revelar a todos qual é a dispensação deste mistério que, desde os séculos passados, foi mantido oculto em Deus, que tudo criou.

Colossenses 1:17
Ele existe antes de tudo o que há, e nele todas as coisas subsistem.

Hebreus 1:10
E acrescenta: “Tu, Senhor, no princípio estabeleceste os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos.

Hebreus 7:3
sem pai, sem mãe, sem origem nem antepassados, sem princípio de dias nem fim de vida; no entanto, por ser à semelhança do Filho de Deus, Ele permanece sacerdote perpetuamente. Cristo supera o sacerdócio levítico

Hebreus 13:8
Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente!

Apocalipse 1:2,8,11
o qual comprovou tudo quanto viu da Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo. …

Apocalipse 2:8
“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: ‘Aquele que é o primeiro e o último, que foi morto e ressuscitado, faz as seguintes afirmações:

Apocalipse 21:6
E declarou-me ainda: “Tudo está realizado! Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A todos quantos tiverem sede lhes darei de beber graciosamente da fonte da Água da Vida.

Apocalipse 22:13
Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Derradeiro, o Princípio e o Fim.
Por ser ele o princípio, nele não há erros como nos outros personagens estudados, mas, sim uma gama de preceitos que falam da missão do homem, tendo este compreendido o Cristo neste Mundo.
João 1:14
E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade. A proclamação de João Batista

1 João 1:1,2
O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam a respeito da Palavra da Vida. …

Apocalipse 19:13
Estava vestido com um manto salpicado de sangue, e seu Nome é Palavra de Deus.

Graça e Verdade esta é a vida do Mundo o próprio Haja de Deus estava ali, o Verbo, a Palavra e o Deus Vivo. Seu sangue que purifica o homem, ou seja, limpa. Quando algo é limpo é demonstrado todos os erros e falhas do eu, do ego, do ente e do ser. A somática é o homem, ou seja, o homem é o ser piscobiosocial, então para Cristo, ou, na nova aliança não é o erro, mas, as intenções.
O pecado é tratado no interior do homem primeiro “pisco”, (Mateus 5:27. Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28. Eu, porém, vos digo, que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já cometeu adultério com ela). Os daqueles que compõe a nova aliança está em sua mente a princípio, trata na intenção e, evitar a consumação da ira (Mateus 5:38. Ouvistes o que foi dito: “Olho por olho e dente por dente”. 39. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas se alguém te ofender com um tapa na face direita, volta-lhe também a outra). Evitar o pecado é o que o Senhor deseja.
Começarei com as palavras de São Paulo I Coríntios 6: 18 Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.    19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?    20 Porque fostes comprados por preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo. O pensamento da nova aliança é de uma regeneração de dentro para fora, e, não, de fora para dentro, em todos os pontos da vida.
Mateus 5:37
Seja, porém, o teu sim, sim! E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno. Jamais use a vingança

Lucas 22:40
Chegando ao lugar, Jesus lhes instruiu: “Orai, para que não venhais a cair em tentação”.

João 17:15
Não oro para que os tires do mundo, mas sim, para que os protejas do príncipe deste mundo.

Então a onde começa a sua missão neste Mundo, no próprio Mundo, todavia, deve ser dito que não somos do Mundo e, sim enviados ao Mundo como o Pai enviou a Cristo (Jo 20:21). E, isto é provado em I cor. 6: 6. Entretanto, prego isso como concessão e não como mandamento. 7. Porquanto gostaria que todos os homens estivessem na mesma condição em que eu vivo, contudo, cada ser humano tem seu próprio dom da parte de Deus; um de determinado modo, outro de forma diferente. Melhor estar solteiro, pior é a separação

8. Digo, no entanto, os solteiros e às viúvas: Melhor seria se permanecestes como eu. A sua missão começa antes do seu lar em sua transformação, em seu ser em mudança mudará o seu trabalho, Mundo e lar. Então aos casados que cuide da sua família, e, não abandone a obra de Deus e, ne a família (I Cor. 6:10. Todavia, ordeno aos casados, não eu, mas o Senhor: Que a esposa não se separe do marido. 11. Se, porém, ela se separar, que não se case, ou que se reconcilie com o seu marido. E que o marido não se divorcie da sua esposa.), para que possa suportar o dia a dia no lar. Destarte, poder-se-ia a outra parte ir embora, então, não poderia casar-se de novo, mas, não ficaria impedido de fazer a obra de Deus.
Esta mudança notória faz no interior cria esta resistência no dizer não naquilo que o Mundo oferece e, taxa como normal. A missão na sua plenitude chega ao lar cuidando dos conjugues, família e parentes:

(I Pedro 3: 1. Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres, 2. considerando a vossa vida casta, em temor.    3. O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de joias de ouro, ou o luxo dos vestidos,  4. mas, seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que és, para que permaneçam as coisas    5. Porque assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam submissas a seus maridos;    6. como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto.  
7. Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações.  
8. Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes, 9. não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; porque para isso fostes chamados, para herdardes uma bênção.  
10. Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; 11. aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.)
         A forma abrangente deste texto mostra que antes de pensar em sair ir além deve pensar na sua casa e, como ela está? Seus filhos como estão? Antes deles te respirarem deves tu respeitas a eles também, pois, se não eles nunca aprenderão o que é respeito (Ef 6: 1. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.    2. Honra a teu pai e a tua mãe {que é o primeiro mandamento com promessa}, 3. para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.  

4. E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.), tais coisas estarão munindo à  para a guerra Mundial das Missões.

(II Tim. 2:1 Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus; 2 e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.    3 Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus.    4 Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.    5 E também se um atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado se não lutar legitimamente.    6 O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos.  7 Considera o que digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo.  
8 Lembra-te de Jesus Cristo, ressurgido dentre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho, 9 pelo qual sofro a ponto de ser preso como malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. 10  Por isso, tudo suporto por amor dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que há em Cristo Jesus com glória eterna.  

11 Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos; 12 se perseveramos, com ele também reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; 13 se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo).

Parte do estudo do livro Homem: Onde começa sua missão?

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

Resultado de imagem para Inspiração e revelação bíblica



A teologia cristã, como a Bíblia a apresenta, é uma unidade orgânica; e, como tal, deverá ser estudada, atendendo-se ao todo, e não a cada uma das partes em separado. Nenhuma doutrina poderá ser convenientemente estudada e aprofundada, sem a enquadrar-mos no sistema geral a que pertence. O nosso objetivo é, pois, tratar da revelação e da inspiração, de acordo com a doutrina bíblica. É necessário, no entanto, começarmos por distinguir esta doutrina das restantes verdades do Cristianismo. A doutrina da inspiração bíblica é, como veremos, uma parte da doutrina geral da revelação que, por sua vez, se baseia nas doutrinas fundamentais da criação e da redenção. Nas páginas que se seguem serão expostas estas diferentes relações, de maneira a compreendermos melhor a doutrina que se pretende inculcar.

I. A REVELAÇÃO

A palavra "revelação" pode ser tomada em dois sentidos: ativo e passivo. No primeiro caso significa a atividade de Deus, enquanto se dá a conhecer aos homens; no segundo, o conhecimento que lhes é comunicado. A idéia bíblica de revelação deve partir duma indução da evidência, para o que julgamos bastarão as páginas que se vão seguir.

a) O Velho Testamento

É freqüente o Velho Testamento afirmar que a existência e a história de Israel, como nação, e a sua religião como a Igreja, foram o resultado evidente da revelação divina. Deus revelou-Se na aliança efetuada com Abraão como seu Deus, comprometendo-Se a continuar essa aliança com a sua descendência (#Gn 17). Foi assim que os conduziu do cativeiro para a Terra Prometida, transformando-os num povo que passou a servi-Lo (#Êx 6.2-8; #Êx 19.3-6; #Sl 105.43-45). Deu-lhes a Sua "Lei" (torah, lit. "instrução"), e ensinou-lhes como deviam prestar-Lhe culto. Levantou uma série de intérpretes para lhes anunciarem "a Palavra do Senhor". Vezes sem conta e em momentos decisivos da sua história, esse Deus demonstrou o completo domínio que possuía das circunstâncias, revelando o que por eles iria fazer antes do acontecimento (cfr. #Is 48.3-7).

Israel tinha a consciência de ser o único povo a travar tais relações com Deus (#Sl 147.19-20), para quem a religião significava precisamente o conhecimento de Jeová, e supunha a revelação do Mesmo na aliança que fizera. A não ser assim, os gentios cairiam na idolatria. A religião revelada de Israel iria reparar as blasfêmias proferidas por outra religião qualquer. Por isso, quando Deus Se manifestou a outras nações, com quem não tinha efetuado qualquer aliança, foi exclusivamente para os julgar pelos seus pecados (#Êx 7.5; #Ez 25.11,17; #Ez 28.22-24).

O que o Velho Testamento supõe da Sua revelação é que não a considera total, perfeita, mas apenas preparatória para algo de maior. Os profetas anteviam aquele dia em que Deus iria revelar-Se de maneira mais prodigiosa com o aparecimento do Messias, que iria reunir o povo disperso e estabelecer o Seu reino entre os novos habitantes desse reino. Os céus e a terra renovar-se-iam (#Is 45.17-25); seria transformada a religião de Israel; enfim, todas as nações veriam e compreenderiam a glória de Deus em Israel (#Is 40.1-4; #Ez 36.23). É o que dá a entender o fecho do Velho Testamento (#Ml 4).

b) O Novo Testamento

Os escritores do Novo Testamento estavam convencidos de que só em Cristo se encontrava o significado da história judaica e do Velho Testamento. Por outras palavras, que o desenrolar dos acontecimentos em Israel, desde o seu início e através de todos os tempos, bem como a composição do Velho Testamento foram orientados por Deus, tendo em vista a encarnação. As deduções desta doutrina levaram, naturalmente, à idéia teológica fundamental pela qual se entende a revelação. A idéia é esta: Deus, Criador Onipotente, que "faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade" (#Ef 1.11), previu a queda do gênero humano pelo pecado. Determinou, então, glorificar-Se através da Igreja; e, para isso, designou Seu Filho, que iria salvá-la, na qualidade de Ministro e Medianeiro de Deus. A história do mundo foi, e será sempre, nada mais nada menos que a execução do Plano divino, infalível sem dúvida, nos seus objetivos. Desde que o Filho de Deus apareceu para instaurar o Seu reino messiânico, foi enviado por Deus o Espírito Santo cuja missão no mundo era não só completar a revelação já começada na terra, em conformidade com os desígnios divinos, mas também, através da fé, conduzir o Seu povo à salvação prometida. A revelação do Plano de Deus era, pois, completada pelo Espírito, que o deu a conhecer aos apóstolos. Mas a plena execução só em Cristo se realizará com o Seu "aparecimento" (parousia), quando a Igreja obtiver a sua perfeição.

Esta é, a traços largos, a doutrina do Novo Testamento acerca da revelação. Embora mais explícita nas Epístolas Paulinas (cfr. #Rm 8.28-39; #Ef 1.3-14; etc.) e no Evangelho de S. João (cfr. #Jo 6.37-45; #Jo 10.14-18; #Jo 10.27-29; #Jo 16.7-15; 17), não é difícil notá-la mais ou menos em todos os livros, podendo ser reduzidos a três classes os principais textos que a eles aludem.

1. TEXTOS REFERENTES À PESSOA DE CRISTO-O Filho é a imagem do Pai (#2Co 4.4; #Cl 1.15; #Hb 1.3), sendo assim a perfeita revelação do Pai aos que têm olhos para ver (#Jo 1.18; #Jo 14.7-11). Toda a "plenitude" de Deus habita no Filho encarnado (#Cl 1.19; #Cl 2.9). Todos aqueles que compreendem o significado da vida e morte de Cristo, reconhecerão os desígnios ou "a sabedoria" de Deus relativos à salvação da Igreja (#Cl 2.2-3; #1Co 1.24; #1Co 2.7-10). Ninguém pode compreender a revelação sem uma luz espiritual vinda do alto (#Jo 3.3-12; #Jo 6.44-45; #Mt 16.17; #Gl 1.16).

2. TEXTOS REFERENTES AO PLANO DIVINO-O Plano divino para a salvação do Seu Povo escolhido, tanto judeu como gentio, era "o mistério", a divina "sabedoria", que Deus concebeu antes da criação, mas conservou oculta até ao tempo dos apóstolos. Só então veio a lume o verdadeiro significado da eleição e da história de Israel, e bem assim da revelação do Velho Testamento. A finalidade de Deus foi sempre, não a salvação de uma das muitas nações do mundo, mas a criação duma nova nação, cujos membros seriam recrutados de todas as outras, e passariam por um novo nascimento espiritual (cfr. #1Pe 2.9-10). Os regenerados seriam glorificados, tal como o seu Chefe ("as primícias" do novo povo, #1Co 15.20,23), de sorte que, ao chegar ao Céu no Seu corpo glorioso, fosse um penhor e uma garantia para os que um dia partilhassem com Ele dessa glória. Várias vezes Paulo alude à revelação deste mistério (#Ef 1.8-12; #Ef 3.3-11; #1Co 2.7-10; #Rm 16.25-26; #Rm 11.25-36; #2Tm 1.9-11). A fonte desta revelação é Deus; o Mediador, Cristo (#Gl 1.12; #Ap 1.1); o veio de transmissão, o Espírito Santo (#1Co 2.10-12; #2Co 3.15-18; #2Co 4.6; #Ef 3.5). Para que pudesse ser transmitido intato à Igreja, o Espírito inspirou as palavras do testemunho apostólico (#1Co 2.13), tal como inspirou as palavras de Cristo (#Jo 3.34; #Jo 12.48-50), de maneira a formarem um "corpo de doutrina" (typos; lit. "modelo" #Rm 6.17; #2Tm 1.13). Esta é, sem dúvida, a "sã doutrina" (#1Tm 1.10; 6.3; #2Tm 4.3; #Tt 1.9; #Tt 2.1), a "tradição" apostólica (#2Ts 2.15; #2Ts 3.6), a orientadora da fé e a vida das Igrejas.

3. TEXTOS REFERENTES À EXECUÇÃO DO PLANO DIVINO-Deus manifesta os Seus desígnios através de palavras e de ações; e cada uma destas ações, que marca um passo além no Seu Plano da história redentora pode chamar-se, apropriadamente, uma "revelação". O Novo Testamento conhece duas revelações deste gênero, que devem ainda realizar-se: a aparição do anticristo (#2Ts 2.3-8) e a parousia de Jesus (#1Co 1.7; #2Ts 1.7-10; #1Pe 1.7,13). Esta última encerra a história e precede o dia do Juízo Final. Cristo revelará, então, os eternos desígnios de Deus relativos aos impenitentes e aos santos, a manifestação da ira para aqueles e a glória para estes (#Rm 2.5-10; #Rm 8.18; #1Pe 1.5).

Tal é, em resumo, o material bíblico em que assenta a doutrina teológica da revelação.

c) A Revelação Original

A doutrina da revelação baseia-se no fato de Deus ter criado à Sua imagem e semelhança o homem, que O devia conhecer, amar, servir e glorificar. Para ser verdadeira, a religião do homem tem de ser baseada na revelação de Deus. Foi assim que Deus Se revelou a Adão, para que este vivesse em amizade com Ele. O primeiro conhecimento da Divindade, teve-o Adão através da restante criação, que acabava de sair do nada. O mundo que contemplava oferecia-lhe testemunho eloqüente do poder e da sabedoria do Criador. Não obstante a queda de Adão, (#Gn 3.18; #Rm 8.19-22), o Universo ainda proclamava a glória de Deus (#Sl 19; #Rm 1.19-20). E antes, como seria? Mais eficazmente, sem dúvida. Adão conheceu ainda Deus pelo conhecimento de si próprio, pois como mais nobre e mais perfeita criatura contribuía para revelar e proclamar mais alto a glória de Deus. A Providência divina deu-lhe ainda a conhecer a bondade do Criador. Se, apesar do caos que sobreveio ao mundo após o pecado, o decorrer dos acontecimentos ainda dá este testemunho (#At 14.17), o que não seria quando Adão só conhecia o paraíso, os animais que Deus lhe dera para dominar, e a esposa que criara para ele! (#Gn 2.18-24). Finalmente o testemunho das obras de Deus foi suplantado pela revelação verbal, quando necessária (embora não saibamos como transmitida) (#Gn 2.16-17).

Talvez não compreendamos devidamente esta doutrina. O conhecimento que Adão tinha de Deus no Éden, antes da queda, está tão fora da nossa compreensão, como o conhecimento de Deus que a Igreja gozará nos Céus depois da Ressurreição. Mas as características permanentes da auto-revelação divina merecem ainda mais algumas considerações:

1. A FINALIDADE DA REVELAÇÃO-Deus deu-Se a conhecer ao homem, a fim de que este atingisse o objetivo para que foi criado: para O conhecer, amar e adorar. O Criador é transcendente e inacessível às Suas criaturas, até ao momento que Se revele a elas; e o conhecimento que o homem tem de Deus é correlativo e conseqüente à primeira auto-revelação divina. Adão no Paraíso necessitava da revelação para viver em amizade com Deus.

2. OS MEIOS DA REVELAÇÃO-Revelação é a manifestação pessoal de Deus às Suas criaturas racionais. A afinidade que ela inicia é comparada, na Escritura, à do marido com a mulher, do pai com o filho, do amigo com amigo (cfr. #Jr 3; #Os 11.1; #Is 41.8; #Mt 7.11; #Jo 15.15; #Ef 5.25-27). Tal afinidade ou parentesco não poderia ser criado sem que Deus Se dirigisse pessoalmente ao homem. É Deus quem deve abrir-Se, quem deve falar. Agir sem uma explicação não é meio normal para se dar a conhecer. Adão não podia limitar-se em ver Deus apenas nas Suas obras; necessitava de O ouvir, de receber a Sua revelação verbal.

Certamente, revelação é mais do que uma simples informação comunicativa, tal como a fé é algo mais que o mero conhecimento das verdades. Nas revelações humanas as atitudes pessoais não podem, por natureza, exprimir-se duma forma verbal. Pode indicar-se a sua existência, definir-se-lhe a natureza, por meio da palavra, mas só através da ação, podem-se exprimir e manifestar devidamente. Por isso, quando Deus revela o Seu amor pela humanidade, o significado profundo contido nas palavras que pronuncia só será compreendido à medida que forem conhecidas as ações divinas. A atitude pessoal de Deus para com o homem requer, portanto, palavras e obras em matéria de revelação. O que importa, é frisar que dificilmente se pode admitir a revelação sem palavras.

3. A EFICÁCIA DA REVELAÇÃO-Que insondável mistério este, o de um Deus infinito dar a conhecer os Seus pensamentos ao homem, criatura mortal e finita! Não se imagine, todavia, que, de forma alguma, Deus é impedido na Sua ação reveladora por qualquer obstáculo humano. É certo, porém, que o conhecimento que o homem teve e tem acerca de Deus é imperfeitíssimo e, em muitos casos, não se adapta convenientemente ao seu objeto. Mas Deus, Criador da inteligência humana, preparou-a de maneira a poder compreendê-Lo perfeitamente no caso de lhe fazer qualquer revelação, sobretudo no que respeita à religião. Adão podia assim compreender Deus, quando Este Se dignasse revelar-Se-lhe. É assim que, ao manifestar-Se ao homem pecaminoso, Deus concede-lhe a faculdade de reconhecer a Sua Palavra e de a receber tal como é. Ao ato de confiança que resulta do exercício desta faculdade, dá a Escritura o nome de fé. Em #Hb 11.3 é a própria faculdade que assim é denominada. Pode-se, pois, afirmar que Adão no Paraíso tinha fé, e que quando o Espírito concede a faculdade da fé àqueles a quem Deus pretende dar-Se a conhecer, isto nada mais é que a restauração daquilo que o homem perdeu com a queda. Após a queda, o homem arriscou o seu estado primitivo e corrompeu a sua natureza. Deus adaptou-Se, por isso, à nova situação, integrando-o no processo redentor que logo iniciou, de maneira a remediar os efeitos do pecado. Mas os três aspectos da revelação, que notamos, ficaram e ficam constantes e firmes.

d) Deus revelou-se como Redentor Por causa do pecado o homem perdeu a possibilidade de apreender e compreender o testemunho que a criação dava de Deus. O significado e a mensagem do livro permaneceram os mesmos, mas ele é que não sabia lê-lo. E os Céus proclamavam a glória de Deus a ouvidos surdos. "Não se importaram de ter conhecimento de Deus" (#Rm 1.28). O homem deixou de amar e servir naturalmente o Criador, "porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus" (#Rm 8.7). Apenas no coração lhe ficou uma ligeira idéia de Deus, isto é, uma noção de que havia algo ou alguém superior a ele, merecedor de que se lhe preste o devido culto; mas o homem não se dignou atribuí-lo ao seu criador. Sob a influência da descrença agora, contrariamente à Escritura que a condena, reina a cegueira e negação absoluta do verdadeiro Deus (cfr. #Rm 1.21-32; #Ef 2.2,3; #Ef 4.17-19).

Nestas condições é clara a insuficiência da auto-revelação na criação e da Providência de Deus. Mas Deus ainda Se manifesta nas Suas obras (#Rm 1.19-20), embora os homens fechem os olhos "detendo a verdade em injustiça" (#Rm 1.18). Ora, a continuação da revelação original não leva ao conhecimento de Deus e apenas serve para não se poder desculpar a ignorância do mundo. Supondo mesmo que o homem conseguisse ler bem "o livro das criaturas", essa leitura só e levaria ao desespero. Porque esta chamada revelação geral traz o conhecimento dum Deus que não admite mas castiga a desobediência e a ingratidão do homem (#Rm 1.18). Odiando, todavia, o pecado, Deus ama o pecador. Só o sabemos através duma revelação especial,  cujo centro é ocupado pela figura de Jesus.

Desde a queda que o Criador se deu a conhecer como Redentor, a surgir numa determinada época da história humana, mas sempre envolto naquilo que os apóstolos consideravam um "mistério". Todo o plano girava em torno da missão terrena do Filho encarnado. Em Cristo, apenas, se cumpriram todos os símbolos, figuras e representações a que aludem as profecias das Escrituras do povo de Israel (cfr. #Mt 5.17; #Lc 24.27; #Jo 5.39; #At 13.26-33; #Hb 7.10). É nesta missão que se baseia toda a atividade redentora de Cristo. Quando subiu ao Céu, por exemplo, o Senhor entrou na posse do Seu ministério celestial, de onde passou a conceder aos crentes, através do Espírito, as graças que prometera nesta terra, embora esse ministério só tenha o seu epílogo quando da segunda vinda de Mestre. Os desígnios de Deus a respeito da redenção, bem como a Sua plena e definitiva manifestação, só serão revelados quando a Igreja atingir a plenitude de perfeição, que lhe permitirá manifestar a glória de Deus (#Ap 21.11), e aparecer com o seu Salvador glorificado (#Ap 21; 22.5). Entretanto, continuará a manifestar-se a graça de Deus. A nova criação, por isso, tanto ou mais que a antiga, e a graça especial, tanto ou mais que a providência comum, são motivo de revelação, a manifestar mais uma vez a glória de Deus.

e) A revelação verbal

No âmbito da Redenção que abrange a salvação da Igreja, a revelação verbal tem um lugar primordial. Antes de nada mais, era um elemento importante na série de atos pelos quais a Redenção foi operada. Sem a revelação verbal nunca Abraão teria entrado em Canaã, nem Moisés conduzido Israel do Egito, e ainda a vida de Jesus teria corrido risco logo nos primeiros anos da Sua infância (cfr. #Gn 12.1-5; #Êx 3.6-13; #Mt 2.13-15). Em seguida, a revelação verbal foi sempre necessária como fundamento da fé. Neste aspecto salienta-se tal importância, sobretudo quando se analisa o significado soteriológico da fé. Como atividade, a fé não é só o instrumento que une o pecador a Cristo, mas, como faculdade, é o órgão daquele conhecimento e daquela amizade com Deus, outrora perdida, que pode, no entanto, reaver-se através da Redenção.

Ora, o objeto que movimenta esta faculdade é a Palavra de Deus como tal (cfr. #1Ts 2.13). A fé "ouve a Sua voz" e responde à Sua Palavra de promessa confiada e obedientemente. Sem uma palavra proferida por Deus, a fé não pode subsistir (#Rm 10.17). O motivo é evidente. Sem uma palavra de explicação, a obra redentora de Deus não seria facilmente reconhecida. Como vimos, sem se pronunciar, as intenções do Criador não poderão ser compreendidas pela criatura. O caso da encarnação dá a entender que a mais compreensiva das revelações divinas é a de mais difícil compreensão por parte do homem. Cristo, a Palavra de Deus em pessoa, realizou totalmente os desígnios redentores do Pai. Em Cristo, Deus manifestou-se claramente na Sua obra redentora, e por isso mesmo, o caso de Cristo transcende em absoluto o poder de interpretação do homem. "Não é de crer", escreve B. B. Warfield, "que a suprema revelação de Deus em Jesus Cristo fosse conhecida e compreendida, sem uma preparação, e esta sem ser acompanhada de revelações explicativas por palavras". Ainda não é tudo. Como poderíamos, sem ninguém no-lo dizer, acreditar numa verdade misteriosa e quase absurda, qual é a de Jesus-Deus encarnado, que veio a este mundo morrer numa cruz para resgatar o homem do pecado? Para crermos, outorgou Deus uma explicação verbal desse caso miraculoso do Homem-Deus, que vem a ser o evangelho, ou o kerygma dos apóstolos, a anunciar o dom de Deus da Palavra viva e das promessas de vida eterna aos que O receberem. Assim, parece que a revelação verbal relativa à ação redentora de Deus na história não é um mero apêndice a essa ação, mas parte integrante da mesma, como elo da cadeia de acontecimentos a que dizem respeito aquelas revelações. Se bem que o programa da redenção implique a salvação do homem, isso não basta. É necessário que os pecadores voltem à fé e ao conhecimento de Deus através do Evangelho, cujas promessas se mantêm idênticas em toda a história da redenção, desde Adão e Abraão até aos nossos dias, isto é, uma aliança em que Deus se prontifica a ser o Deus do Seu povo, Deus protetor e justo Juiz, não somente neste mundo mas também no outro, em especial para premiar os que n’Ele crêem e esperam. A fé salvadora tem sido a mesma, desde Abel até hoje (#Hb 11.4). Quanto ao seu conteúdo, porém, a promessa vai-se tornando cada vez maior. É que, adentro do plano dessa aliança, Deus vai revelando novas bênçãos particulares, já incluídas nesse plano, e o fundamento objetivo em que se baseia, que é a Sua obra redentora. É um processo que Deus vai utilizando sem cessar através dos séculos. Trata-se dum progresso, não no sentido de que cada nova revelação venha considerar a anterior como antiquada ou descabida, mas no sentido de que Deus vai ampliando aquilo que já ensinara, explicando aquilo que pretende fazer, até se aperfeiçoar o modelo da verdade que tem a sua plenitude em Cristo. Foi assim que, na devida altura enviou o Seu Filho para executar a Obra da Redenção, coroando em seguida o plano da revelação com o Evangelho. Em princípio, esse plano esteve sempre intimamente ligado ao plano de Deus acerca da história da Redenção. A cumular esse plano, a figura do Homem-Deus, Jesus Cristo.

A revelação verbal manifestou-se de múltiplas maneiras. Por vezes, casos anormais, como visões, sonhos, e a inspiração profética, que podia ir desde as mais prolongadas meditações aos arrebatamentos do êxtase. Noutros casos Deus servia-Se apenas do Seu divino concurso,  isto é, cooperando no exercício dos dotes naturais, e assim levando-os ao conhecimento da verdade através dos processos normais do pensamento: a investigação histórica, a exegese das Escrituras Canônicas, a meditação e a oração, o raciocínio lógico e teológico. Os livros históricos e da Sabedoria do Velho Testamento, bem como todo o Novo Testamento, exceto o Apocalipse, parece que supõem uma revelação deste gênero. Limitações do espaço não nos permitem tratar mais pormenorizadamente os diversos modos de revelação mas é importante notar antes de prosseguirmos que na Escritura não há indicação de diferença da integridade e pureza da revelação obtida por aqueles processos. Embora pareçam limitados em si mesmos, todos os órgãos de revelação são, na mão de Deus, um instrumento eficaz para o Seu desígnio.

f) A revelação bíblica

Deus quis deixar escrito aquilo que revelou. Mas o livro que escolheu para tal fim não contém todas as revelações verbais (cfr., por exemplo, a referência em #2Cr 9.29 aos livros proféticos que desapareceram), mas apenas as que se relacionavam com a finalidade do livro, que era não somente apresentar um fundamento para a fé pessoal e um guia para o crente, mas também permitir à Igreja que o compreendesse, que interpretasse a sua história, que reformasse e purificasse continuamente a sua vida e repelisse todos os assaltos, -quer lhe venham de dentro, pelo pecado e pela heresia, -quer de fora, pela perseguição e pelas ideologias rivais. Todos os problemas que a Igreja enfrentou, ou virá ainda a enfrentar, têm em princípio a sua resolução nas Escrituras. É porque a Bíblia, apesar de ser um livro humano, que fala de pecado e do erro e em muitos lugares da fraqueza dos seus autores, não deixa de ser, acima de tudo, uma obra divina, cujo autor primário é Deus.

Como prová-lo? Primeiramente pelo testemunho de Cristo e em seguida pelo testemunho de Espírito; sendo o primeiro uma prova externa, enquanto o segundo poderemos considerá-lo como uma prova interna. Examinemo-los:

1. O TESTEMUNHO DE CRISTO-Em primeiro lugar a autoridade de Cristo considera o Velho Testamento como inspirado por Deus. Trata-se dum testemunho firme e categórico, pois para Cristo a "Escritura" é uma unidade (cfr. #Jo 10.35), cuja autoridade, permanente e absoluta, supõe uma origem divina (cfr. #Mt 5.17-20; #Lc 16.17; #Mt 19.4-6). Os argumentos da Escritura são duma força extraordinária (#Mt 22.32,41 e segs.; #Jo 10.34,35). Quem não se apercebe da ênfase com que Cristo pronunciou aquele "está escrito"? Por isso todo o Seu ministério foi um testemunho contínuo a confirmar a autoridade divina do Velho Testamento, pregando e morrendo em obediência ao que estava escrito (cfr. #Mt 8.16,17; #Mt 26.24,54; #Lc 4.18-21; #Lc 18.31-33; #Lc 22.37). O Mestre, a quem a Igreja se submete, em tudo Se sujeitou à Palavra do Pai expressa no Velho Testamento. São os apóstolos os primeiros a confirmar tal testemunho (cfr. #2Tm 3.16; #2Pe 1.20-21; #Rm 3.2). Outros textos referem-se a palavras proferidas por Deus ou pelo Espírito Santo (cfr. #Mt 19.4,5; #At 4.25,26; #At 13.34-35; #Hb 1.6; #Hb 3.7).

Em segundo lugar a autoridade de Cristo supõe que o Novo Testamento tem o mesmo caráter do Velho. Jesus ensinou os discípulos a ler o Velho Testamento "cristologicamente", isto é, a considerá-lo como uma revelação profética de acontecimentos relativos a Si próprio (#Lc 24.24,25,44-45; #Jo 5.39,46). Os apóstolos assim procederam (cfr. #At 3.18,24; #1Pe 1.10-12), admitindo-o como se fosse escrito em primeiro lugar para beneficio dos crentes (cfr. #Rm 4.23,24; #Rm 15.4; #1Co 9.10; #1Co 10.11; #2Tm 3.16), ainda que só o poderiam vir a compreender os que o lessem à luz de Cristo (#2Co 3.14-16).

Ora, visto que Deus escrevera as Suas revelações proféticas para que pudessem ser continuamente acessíveis e duma forma inviolável para benefício, não só de Israel, mas também da Igreja Universal, preparou-as com tal sabedoria, que nada mais se poderia esperar senão o Novo Testamento para as cumprir. Há, no entanto, algumas considerações a fazer a este respeito. Em primeiro lugar, Cristo prometeu o Espírito aos apóstolos para que recordassem e compreendessem aquilo que já lhes ensinara (#Jo 14.25,26), e bem assim recebessem novas revelações, que Lhe diziam respeito, mas que eles ainda não podiam "suportar" (#Jo 16.12-14). Assim preparados, poderiam ser legítimos intérpretes do Mestre junto da Igreja, em todos os tempos e em todas as partes do mundo (#Jo 17.20; #Mt 28.19). Qual teria sido, pois, a intenção de Cristo, senão a de lhes impor a obrigação de deixarem por escrito esse testemunho que iriam perpetuar? Em segundo lugar, os apóstolos afirmam que, sob o impulso do Espírito Santo, ensinam e escrevem a verdade pura. É a inspiração verbal (#1Co 2.13), que só quem é "espiritual" pode compreender em toda a sua extensão e profundidade (#1Co 14.37; G1 1.8; #2Ts 3.6,14). O que não se pode negar é que os apóstolos exigiam para as suas obras uma autoridade tão categórica, como a que atribuíam ao Velho Testamento. Em terceiro lugar, veja-se como Paulo cita Deuteronômio juntamente com Lucas, e como Pedro se refere às epístolas paulinas, como parte integrante do Cânon das Escrituras (#1Tm 5.18; #2Pe 3.16). Finalmente, diversos séculos de exegese cristã demonstraram que, sob o ponto de vista teológico, os dois Testamentos formam uma unidade orgânica, que se completam mutuamente num harmonioso testemunho a Cristo.

Concluindo, seja-nos lícito afirmar que, à luz da intenção evidente de Cristo de escreverem os apóstolos os seus testemunhos, a autoridade que eles para si e para os outros reclamam, levam-nos, sem dúvida a admitir, que o Novo Testamento veio completar o Velho.

2. O TESTEMUNHO DO ESPÍRITO-Se é pelo uso da faculdade da fé que distinguimos a Palavra de Deus por aquilo que ela é, deve ser também a fé que vê a natureza real daquilo que contempla. Assim o interpretou a Igreja através dos tempos. Já que é o Espírito que infunde a fé, operando no íntimo dos crentes, a presença desta convicção é o que se chama o testemunho do Espírito.

A Bíblia é, pois, a Palavra de Deus revelada aos homens, enquanto nessas páginas Deus manifesta as Suas intenções relativas aos planos que traçou para salvação do Seu Povo. Chamar à Bíblia uma narrativa ou um testemunho é pouco, porque é muito mais. É uma narrativa, sim, não só daquilo que Deus disse, mas também daquilo que Deus ainda diz presentemente. É um elo na cadeia da ação redentora de Deus. O seu conteúdo, lido ou ouvido, é o meio pelo qual os pecadores chegam ao conhecimento do Pai e do Filho, baseados no ministério histórico de Cristo, que ele lembra e explica, e através da ação regeneradora do Espírito, que opera com a Palavra. Não é, todavia, a Palavra de Deus, no sentido em que cada frase separada, incluindo as palavras proferidas pelos perversos, exprime a intenção de Deus ou reflita a Sua divina vontade. A Bíblia é a "Palavra de Deus Escrita", mas considerada no seu todo, ou, com mais precisão, a teologia da Bíblia é uma unidade orgânica, que os nossos antepassados tão sugestivamente denominaram "corpo da divindade". Aqui se encontra a imagem da mente Divina, a transcrição dos Seus pensamentos, a declaração da Sua graça, a personificação verbal de todos os tesouros de ciência e sabedoria ocultos no Seu divino Filho. Aqui assenta toda a nossa fé.

II. A INSPIRAÇÃO

a) O significado da inspiração

A palavra inspiração, não sendo bíblica, significa, normalmente, uma influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os autores bíblicos, garantindo que, aquilo que escreveram era precisamente o que Deus pretendia que eles escrevessem para a transmissão da verdade divina, podendo, por isso, dizer-se realmente "inspirados" ou theopneustos,  literalmente, "soprados por Deus" (#2Tm 3.16). Como já não é novo para nós este assunto, limitar-nos-emos agora a corrigir alguns equívocos.

A "inspiração" que garante a comunicação infalível da verdade revelada é bem distinta da "inspiração" do artista criador. Nada de confusões. A inspiração não só não implica estado anormal do espírito do escritor, -por exemplo, visões ou audição de vozes estranhas, -como não supõe, também, a aniquilação da sua personalidade. Deus providencialmente preparou os meios humanos de inspiração para que os escritores pudessem cumprir a sua tarefa; e, na maior parte dos casos, apenas através das faculdades normais. Muitos estados de espírito são na realidade compatíveis com a inspiração. Não é necessário supor-se que os autores tinham sempre a consciência de que estavam a ser inspirados, quer dizer, que sabiam estar a escrever as Escrituras Canônicas. Nem há razão para afirmar-se que um documento inspirado não possa, na providência divina, ter sido compilado ou extraído de fontes por um processo vulgar de composição histórica, passando por várias edições até atingir a sua forma definitiva. O que deve admitir-se é que no fim de contas a obra foi theopneustos,  e que através dela Deus quis comunicar aos homens a Sua graça salvadora. Sendo assim, só podemos admitir a inspiração verbal. E se as palavras da Escritura são inspiradas por Deus, é quase uma blasfêmia não admitir a infalibilidade da sua doutrina, e a ausência de erro nessas palavras. São prerrogativas que não podemos aprovar, ou desaprovar, através da argumentação vulgar; porque as consideramos artigos de fé, baseadas que são na doutrina de Cristo e no testemunho do Espírito a confirmarem que as Escrituras Canônicas foram inspiradas por um Deus que não pode mentir. Quem as nega rejeita o testemunho de Cristo, dos apóstolos e da própria Igreja Cristã relativo à natureza da "Palavra de Deus" escrita, e com certeza não possui nem compreende o testemunho interno do Espírito Santo.

b) O problema da inspiração

Nenhuma doutrina cristã está isenta de problemas, e isto porque Deus quis que a Sua verdade fosse um objeto de fé. Ora, o fundamento da fé é o testemunho e a autoridade do próprio Deus; donde se segue que são coisas distintas o acreditar numa autoridade e o acreditar em face duma demonstração racional. O pecado original do homem foi um desejo de evidenciar a sua sabedoria auto-suficiente, uma vontade de não admitir qualquer autoridade externa, capaz de agir por si própria (cfr. #Gn 3.5,6); e Deus deliberadamente apresenta a verdade salvadora aos pecadores e de tal forma que, ao aceitá-la, supõe-se um ato de arrependimento intelectual de sujeição à doutrina de Deus. Daí a renúncia à própria sabedoria (cfr. #Rm 1.22; #1Co 1.19-25) a fim de que só possa sobressair aquela outra sabedoria, que é apanágio dos que ouvem a Palavra do Senhor. Para ser mais completa essa renúncia, Deus determinou, ou melhor, garantiu, que nem um só artigo de fé pudesse ser demonstrado, tal como qualquer teorema geométrico. O homem deve contentar-se com o conhecimento que adquire pela fé, conhecimento esse que, no fim de contas, jamais poderá atingir a perfeição neste mundo. Não conseguiremos, pois, eximir de dificuldades a doutrina da Inspiração Bíblica, tal como sucede com a doutrina da Trindade ou da Encarnação. Nem esperemos neste mundo resolver todos os problemas. Não é de admirar, portanto, que muitos cristãos caiam na heresia, a respeito desta ou doutras doutrinas. Convém, no entanto, indicar qual a atitude a tomar perante os erros que se nos apresentem.

Em primeiro lugar, esta doutrina não raro é amesquinhada por aqueles que dizem professá-la, e afirmam que a Bíblia é produto da inspiração em certo sentido, mas nunca inspiração verbal. Deus inspirou ou revelou a verdade aos escritores, que sendo criaturas falíveis e pecaminosas, poderiam falsificá-la. Por isso, é possível admitirmos erros nas Escrituras. Mas não foi assim, como vimos, o pensar de Cristo e dos apóstolos. É errado o pensamento de que nem todos os livros da Bíblia estão ao mesmo nível de profundidade espiritual e finalidade de doutrina; mas, na Sua providência soberana, podia Deus preparar e dirigir os instrumentos humanos apenas para escreverem precisamente aquilo que entendesse, nem mais nem menos. Por outras palavras, segundo esta teoria, a Bíblia não é aquilo que Deus pretendia, nem aquilo que Cristo pensava e ensinava. É evidente que tal teoria é inadmissível.

Em segundo lugar, rejeita-se por vezes a nossa doutrina, recorrendo-se a pretensos argumentos internos da Bíblia. Tais objeções, todavia, supõem fundamentalmente uma idéia humana a priori daquilo que provavelmente será a Bíblia inspirada. E, só o fato de as apresentar como argumentos válidos para duvidar do que Deus afirma desse livro, é já um sinal de impenitência intelectual, inconsciente talvez, mas não menos real por isso. O melhor é, na realidade, começar por aceitar o testemunho de Deus sobre a inspiração verbal, e só depois examinar os argumentos internos da Escritura para se chegar à conclusão da probabilidade da inspiração verbal. Por mais rigoroso e profundo que seja o exame, verificar-se-á que a inspiração se adapta perfeitamente a todas as formas do pensamento, a todos os métodos literários, a todas as figuras estilísticas e a todas as características vocabulares dos escritores. Estes são os canais condutores da verdade inspirada. Desconhecê-los, pode ser um perigo, pois é possível não se conhecer a intenção de Deus, e nesse caso descobrir erros onde na realidade não existem. Ao estudar-se a Bíblia, deve seguir-se o princípio, baseado na fé, de que a Escritura, em parte alguma é capaz de adulterar a verdade, sendo inspirada para no-la transmitir, e de que todos os acontecimentos bíblicos têm um significado que só a Igreja pode conhecer perfeitamente. Neste caso, é conveniente apreciar o texto a analisar à luz do contexto bíblico da Escritura, considerada no seu todo. Trata-se dum princípio de importância fundamental para a interpretação bíblica, que nunca se deve perder de vista, mesmo no meio das dificuldades que possam surgir a este respeito. Vamos citar aqui um exemplo apenas.

Várias vezes se diz que certas atitudes, ações e reflexões teológicas são uma refutação da doutrina duma Escritura inspirada. É uma objeção que só revela incompreensão da natureza da Bíblia. Já frisamos que a Bíblia é mais do que um simples amontoado de textos separados; é um organismo, um conjunto homogêneo, cujas partes não se podem explicar isoladamente. Ora, Deus recolheu diferentes materiais para a Sua obra; por isso não admira, que muitos dos exemplos apontados sejam maus. É que tudo serve para nossa instrução, embora tais exemplos possam ser interpretados de diferentes modos. Fala-se em erros teológicos e práticos, supondo-se que pelo fato de aparecerem na Bíblia têm a aprovação de Deus. Os princípios da teologia bíblica devem interpretar os fatos da história e da biografia bíblicas, uma vez que estes também explicam aquela. A Escritura interpreta-se com o auxílio da mesma Escritura. Já se disse que a Bíblia constitui uma unidade orgânica, que a Palavra de Deus é um todo, e que cada texto deve ser compreendido à luz da verdade que se encontra em Jesus.

Impossível aqui apresentar mais argumentos a favor da nossa tese. Limitar-nos-emos a afirmar, em conclusão, que a atitude da fé para com a doutrina da inspiração bíblica, bem como para com outras doutrinas, é a de aceitar única e simplesmente o testemunho de Deus. Nada, por isso, poderá abalar a nossa fé, já que nada pode abalar o testemunho em que se apóia. Quando tiver de enfrentar as dificuldades e as objeções, que implicam com a sua fé, o crente deve lembrar-se mais da sua possibilidade de falhar do que da infalibilidade do testemunho de Deus, ao apresentar-nos a verdade. Recorra-se, nesse caso, a uma cuidadosa retrospecção à luz dum estudo mais profundo e mais eficaz da evidência bíblica. Foi assim que se fizeram progressos doutrinários através da história da Igreja. Será assim que também nos nossos dias se conseguirá uma compreensão mais fiel e mais perfeita da doutrina da inspiração da Bíblia, aceitando-a como a Palavra de Deus, isenta de erro e infalível.


J. I. PACKER