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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Justiça Social na Bíblia



O conceito da justiça aparece cedo na vida da criança e na história da humanidade. Crianças novas questionam a parcialidade que um pai ou mãe pratica. João Carlos Ortiz usou a ilustração dos seus filhos, num encontro de pastores em Recife. Quando os pais convidaram hóspedes para um jantar, eles serviram Coca Cola. Antes de sentar a mesa um dos filhos menores começou a se queixar amargamente que ele foi injustiçado, porque o copo dele tinha menos refrigerante do que os irmãos.

Justiça é um tema frequente na Bíblia e infinitamente mais importante do que ter mais ou menos Coca Cola num copo. A palavra diakaiosune é formada do conceito de dikaioo (justificar) e dikaios (justo) e palavras correlatas, dike (penalidade em 2 Ts 1.9) e diakaiosis (em Rm 4.25 e 5.18 “justificação ou absolvição). Esta família de palavras nos ajuda entender que “justiça social” significa agir de modo justo ou reto.  No hebraico a palavra tsadhak (justificar), tseddik (justo) e tsedek ou tsedhakah (retidão ou justificação) é a principal fonte deste conceito no Novo Testamento (cf. D.E.H. Whiteley,The Theology of St. Paul, Philadelphia, 1964, p. 157).  Praticar justiça seria praticar boas obras do modo que Jesus ordenou: “Assim brilhe a luz de você diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.16). Paulo faz eco deste conceito de Jesus dizendo: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nos praticarmos” (Ef 2.10).

Neste mundo caído, a necessidade da prática de justiça se tornou prioritária.

Disse um judeu, Chaim Perelman o seguinte: “Justiça é... uma das noções mais altamente respeitadas em nosso universo espiritual. Todos os homens – cristãos, religiosos e incrédulos, tradicionalistas e revolucionários – invocam a justiça e nenhum deles ousa contradizê-la. A busca da justiça inspira as admoestações dos profetas hebreus e as reflexões dos filósofos gregos. Ela é invocada para proteger a ordem estabelecida, assim como para justificar a sua derrubada..., um valor universal” (cit. R. Shedd, Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, S. Paulo, ed. Revisada, 2013, p.10). Se, então, justiça é um valor universal, como devemos explicar a injustiça nas indescritíveis e horríveis atrocidades praticadas pelos alemães sob o comando da Adolf Hitler e as chacinas promovidas pelos socialistas na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas? 

Acredito que pelo fato de que Deus foi misericordioso conosco, e nós fomos recriados na imagem de seu Filho, cai sobre nós a responsabilidade de mostrar misericórdia para com os necessitados. Esta conclusão é reforçada pela parábola que o Senhor contou dos dois servos endividados. O primeiro devia uma quantia de dez mil talentos, uma dívida do tamanho do Oceano Pacífico. O servo não tinha com que pagar, o mestre credor o perdoou. Outro servo dele tinha uma dívida de um valor em torno de R$ 500,00. Este pediu que o seu credor o tratasse com paciência, dando-lhe tempo para pagar, mas recusou. O resultado foi que o servo com a dívida de tamanho astronômico foi cobrado por seu credor, e forçado pelos torturadores a pagar tudo que devia (Mt 18.23-35). Ainda que esta parábola fosse contada por Jesus no contexto da pergunta de Pedro sobre a obrigação de perdoar as ofensas, sua aplicação bem pode tratar da área de justiça social. Na essência, justiça social trata de misericórdia e não da penalidade de nosso merecimento.

Qualquer aplicação de um texto que seja legítimo faz parte da responsabilidade de interpretar o texto coerentemente, de maneira que não ofereçamos algum significado que o próprio texto não admite. A parábola do servo impiedoso trata de dívidas e não especificamente de “justiça social”. Portanto a pergunta que devemos levantar seria questionar se cristãos têm alguma dívida para com a sociedade em geral, além de suas obrigações relativas à família de Deus. Se a resposta for “sim”, então logo surge a pergunta: “Quais são os limites dessa dívida”? Paulo não menciona a dívida que ele tem com os coríntios, de onde escrevia sua famosa carta aos romanos. Certamente houve muita gente vivendo na miséria em Corinto. Mas, ele reconhece sua dívida. A dívida dele era tanto “a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma” (Rm 1.14,15). 

Acredito que Paulo teria dito em resposta a esta pergunta que a pregação do evangelho é a melhor obra, o mais alto nível de amor que podemos mostrar para os perdidos. A pregação da informação que daria aos condenados à miséria eterna teria prioridade sobre qualquer responsabilidade social. Com uma facilidade incrível as igrejas do primeiro mundo do século 19 se dividiram sobre esta questão. Os de inclinação mais liberal decidiram que o mundo precisava ser melhorado. Precisava de justiça social. O movimento marxista ofereceu a solução materialista. Seria apenas necessário instalar o sistema em que os trabalhadores ganhem todo o benefício do seu trabalho e não dar aos donos das indústrias e terras o direito de tirar seu lucro injusto. 

Os evangélicos discordaram, concluindo que nenhum sistema de redistribuição da renda da produção poderia compensar a vida eterna. O resultado foi, então, que o movimento missionário enviou milhares de missionários do primeiro mundo para o terceiro. Em grande parte a preocupação com os condenados perante Deus (Jo 3.36) estavam no terceiro mundo. As igrejas se dedicaram à tarefa inacabada no mundo da América Latina, da Ásia e da África. A decisão de dar atenção à Bíblia em detrimento da ação social surgiu da maneira que interpretaram a Bíblia. Os evangélicos entenderam que o problema maior era a distância de Deus em que o homem perdido vivia que, consequentemente, o condenaria ao inferno. Isto seria muito mais sério do que os problemas sociais, tais como a fome, a opressão de governos totalitários ou a falta de emprego. Os evangélicos entenderam que a transformação de vidas submetidas a Deus pela fé mudaria as condições de injustiça que dominava os países incrédulos. Baseados nas mudanças profundas que a Reforma trouxe para Europa Ocidental e a América do Norte, concluíram que os melhoramentos que o mundo precisava estavam embutidos no próprio evangelho. Se a maioria dos homens se convertesse, e obedecessem à Bíblia, o resultado seria a diminuição dos males do mundo.

O teólogo C. F. H. Henry chamou a atenção para o “estreitamento da mensagem evangélica, limitando-a a transformação do indivíduo, e o consequente fracasso em opor-se aos males sociais” (The uneasy Conscience of Modern Fundamentalism, Grand Rapids, 1947, pp.23-26). Os teólogos latinos, tais como René Padilla, Samuel Escobar, Orlando Costas e muitos outros, também aceitaram a posição de críticos. Perceberam que o evangelho proclamado pelos missionários anglo-saxões no Terceiro Mundo era incompleto, omitindo o ensino sobre a fundamental preocupação do Reino de Deus com a justiça.

Os liberais pensaram diferentemente. Baseado na crença que todos os homens já são “filhos de Deus”, a evangelização era desnecessária. 

O evangelho social com as boas obras praticadas alcançaria um mundo mais justo, mas pacífico e mais próximo daquilo que a Bíblia chama de Reino de Deus. O evangelho social promoveu esta interpretação da Bíblia, de que o Reino seria uma sociedade pacífica, integrada racialmente, e abundante em termos de suprimento de alimentos, roupas e educação.

Paul Tillich foi a Edinburgh, quando eu estudava lá, para proferir uma palestra em que ele mostrou as implicações duma revelação, não de Deus, criador dos céus e da terra, mas de um Deus que se identificou com “o fundamento do ser”, o que mais lhe preocupa, um sentimento de dependência. As boas novas consistem em que você é aceito, por quem ou por que permanecendo um mistério. Se os milagres são uma invenção dos autores da Bíblia, como ensinava o famoso professor de Novo Testamento de Marburg, R. Bultmann, a autoridade da Bíblia evapora-se. Um incentivo para as boas obras teria que emanar de um espírito humanista.

O liberalismo também penetrou a Igreja Católica como podemos perceber no comentário de Walter Bulhmann, secretário de Missões Católicas em Roma, e da Freira Emanuelle do Cairo no Egito. 

Bulhmann disse: “No passado, o incentivo em ganhar almas dominava a missão da Igreja. Estávamos convencidos de que os não batizados iriam em massa para o inferno. Agora, graças a Deus, cremos que todos e todas as religiões, já estão vivendo na graça e amor de Deus e serão salvos pela misericórdia de Deus”.

Freira Emanuelle do Cairo, Egito: “Hoje não falamos mais de conversão. Falamos de amizade, fazer amigos. Minha tarefa é provar que Deus é amor e trazer coragem a esta gente”.

Uma vez adotada uma posição como esta, o incentivo para enviar missionários para converter os incrédulos desaparece, enquanto se mantém um renovado interesse em ação social. Que outra justificativa existe para manter a entrada de recursos e um compromisso dos jovens que não têm interesses puramente materialistas no centro de suas ambições.

J.C. Ryle expõe o pensamento geral evangélico: “Enquanto o Diabo for o príncipe do mundo e muitos corações não se converterem, haverá conflitos e luta... Não devemos esperar que os missionários e ministros venham a converter o mundo e ensinar toda a humanidade a amar uns aos outros. Eles absolutamente não farão isso. Não é essa incumbência deles. Eles conclamarão as pessoas a testemunharem de Cristo e a servi-lo em toda a Terra; não farão nada além disso” (cit. Justiça Social e a Interpretação..., p. 16 n.15). Seria difícil chegar a outra posição se de fato acreditamos que o perdido não crente de fato sofrerá a eterna desgraça, sem Deus e sem esperança na vida vindoura. 

Por isso, os evangélicos, com razão entendem que Deus em sua Palavra os convoca para ir e fazer discípulos de todas as nações, ensinando-as a obedecer tudo que Jesus ensinou. O cerne do que Jesus ensinou foi que a vida vale infinitamente mais do que o mundo que a riqueza desfruta: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” (Mc 8.36). 

Há duas razões principais para se envolver em boas ações em favor de mundanos: 

1) Nós sabemos na Bíblia que Deus é amor, que ele mandou seu Filho para salvar o mundo por causa do amor que ele tem pela humanidade (Jo 3.16; 1Jo 4.8). Sentir-se indiferente diante da miséria, da depravação, da opressão que os não cristãos sofrem deve ser um crime, tal como o bombeiro que olhasse o Edifício Andraus, próximo ao centro de São Paulo, enquanto estava em chamas, e dissesse para si mesmo: “Não há nada que posso fazer. Os jatos de água são fracos demais para atingir as chamas!” Timothy Keller, em seu livro Justiça generosa (Vida Nova, 2013) argumenta fortemente contra esta desculpa e toda tentativa de não se envolver com as múltiplas necessidades do mundo.

2) Boas obras são ordenadas por Deus (veja a parábola do Bom Samaritano). Boas obras são usadas por Deus para persuadir pecadores a se arrependerem e glorificar a Deus (Mt 5.16). Como os milagres de Jesus durante sua vida terrestre, ainda que não fossem capazes de salvar os espectadores, levaram alguns dos beneficiados a buscar mais do que a cura do corpo (veja os casos em João do homem paralítico esperando 38 anos o mover das águas para ser curado (Jo 5.14,15) e o cego desde nascença em João 9. Os dois beneficiados foram persuadidos que Jesus era o salvador.

Dr. Polley, cirurgião renomado do estado de Nova Iorque, se deslocava para lugares remotos na África para realizar cirurgias, mas principalmente para divulgar o evangelho.

3) Se todos os homens foram criados à imagem de Deus, e ele manda que amemos uns aos outros como se amamos a nós mesmos (Lv 19.18; Mt 22.39; Lc 10.27, etc.). Embutido no conceito do amor está a obrigação de procurar aliviar o sofrimento dos que vivem oprimidos pelas incontáveis injustiças que assolam a humanidade. O pecado universal dos homens não mudou esta obrigação. Este mandamento se encontra repetidas vezes na Palavra, no Antigo e no Novo Testamento.

Alexander Solzenitsyn mostrou no seu livro sobre o Gulag que um sistema idealista não é incentivo suficiente para garantir justiça na sociedade. Isso foi demonstrado amplamente em sociedades comunistas, mais recentemente na Coréia do Norte, onde milhares de presos sofrem as mais horríveis indignidades em campos de concentração pelo simples crime de serem cristãos.

A Lei dos israelitas no período pós-mosaico visava uma sociedade justa. Pode-se ver a discussão no capítulo 2 de meu livro, Justiça Social e a interpretação da Bíblia. Moisés falou em Deuteronômio 4: “Eu lhes ensinei decretos e leis, como me ordenou o Senhor, o meu Deus, para que sejam cumpridas na terra na qual vocês estão entrando para dela tomar posse. Vocês devem obedecer-lhes e cumpri-los, pois assim os outros povos verão a sabedoria e o discernimento de vocês. Quando eles ouvisse todos estes decretos dirão ‘ De fato esta grande nação é um povo sábio e inteligente’. Pois, que grande nação tem decretos e preceitos tão justos como esta lei que estou apresentando a vocês hoje?” (4.5-8). O propósito de Deus na entrega das leis e decretos relacionados com a justiça social para seu povo foi para que as nações tomassem nota da importância de buscar ao Deus de Israel e se comprometer com suas leis. Estava diretamente ligada a missão de Israel.

No Novo Testamento também, a prática das boas obras seria uma porta para levar as nações incrédulas a se interessar em observar os benefícios evidentes de reconhecer o senhorio de Cristo e de viver debaixo do seu reinado.
  

CONCLUSÕES:
1)   A Palavra condena o amor ao dinheiro. A idolatria que serve o deus Mamom é incompatível com o senhorio de Cristo. 
2)   A justiça social não implica a necessidade de se ficar pobre para ser abençoado e ser salvo, mas implica que temos a oportunidade de suprir as necessidades dos irmãos que nada têm ou passam fome e frio (cf. Atos 2.42-47).
3)   As boas obras do cristão têm o propósito de chamar a atenção dos perdidos para eles também se tornarem felizes na segurança que o Pai celeste dá para seus filhos.
4)   Os cristãos são cidadãos do céu, portanto sua peregrinação na terra é temporária, um vestibular para se prepararem para viver eternamente na presença de Deus, e menosprezar os valores principais deste mundo secularizado.
5)    A prioridade máxima do cristão é semear o evangelho, não melhorar a vida dos que não têm interesse algum no Deus único e no caminho da salvação.
6)    Mostrar a realidade do amor de Deus por ações de generosidade deve caracterizar a vida do cristão. Compare o que aconteceu em Jerusalém: “Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (At 2.45-47).
7)   A justiça social foca principalmente os filhos de Deus. Primeiramente, suprir as necessidades da família nuclear, depois da família de Deus e, finalmente, os de fora. “Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Regeneração e Vocação Eficaz



a)      Regeneração
A palavra regenerar está empregado em dois pontos nas Santas Escrituras (Mateus 19:28; Tito 3:5 παλιγγενεσία); é um conceito de renascimento ou recriação, usado em vários contextos em: filosofia , teologia , política e biologia . Seu significado deriva do grego “palin”, ou seja, mais uma vez, e “génese”, significando o nascimento. Juntas o sentindo é reflexivo de um novo nascimento; mundo vindouro; mundo novo; vida nova; e regeneração. Destarte, quando há este pensamento é de que em Cristo tudo se fez novo (II Coríntios 5:17).
                Todavia, a doutrina de Regeneração é retirada em maior peso da palavra γεννάω (gennao) de João 3:3, ou seja, nascimento do qual verossimilmente da derivação direta do alto; “ἄνωθεν”, fazendo parte do discurso da definição sucinta: a partir de cima, desde o início, novamente e uma definição: (a) a partir de cima, do céu, (b) a partir do começando, desde a sua origem (fonte), desde os tempos antigos, (c) de novo, novo. Sendo assim, quando regenerado este indivíduo retorna a pureza da criação original (1 Pedro 1: 15-17; Mateus 5:48); isto é unicamente possível em Cristo (1 Coríntios 15:45-50).
                 De tal modo, nascer de novo é uma obra unicamente de Deus, a onde, o homem não tem participação nisto (João 3:8); Deus então recria o homem, não do pó, mas do Espírito. “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2:10). Por esta razão o regenerado irá produzir o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-25), que é a vocação eficaz.
b)      Vocação Eficaz
“Vocação eficaz é a obra do Espírito de Deus ( II Tm 1. 8-9; Ef 1.18- 20), pela qual, convencendo-nos de nosso pecado e de nossa miséria ( At 2. 37), iluminando nossos entendimentos no conhecimento de Cristo (At 26. 18), e renovando nossa vontade (Ez 11. 19; 36. 26, 27), nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho” ( Jo 6. 44, 45; Fp 2. 13; Dt 30. 6; Ef 2. 5).
A Vocação Eficaz é ter vivido no pecado, e pela graça de Deus passar a ter uma vida santa e justificada (Rom. 5. 19-21). Quando alguém que não acreditava em Deus; ou não compreendia a morte de Cristo; e até mesmo na salvação não a entendia. Passa então a crer é pela iluminação de sua mente (πεφωτισμενους τους οφθαλμους “pefotismenous tous ofthalmous” Efésios 1:18),  ora isto é o Illuminati, ser iluminado para o que está oculto, revelação (Efésios 3:9-12). Este “Chamado” apresenta-se tanto exteriormente, na oferta do Evangelho a todos os Pecadores, quanto interiormente, na operação do Espírito Santo na vida do Eleito (M 20.16; 22.14). Esta operação é eficaz porque é o Espírito Santo que convence o pecador de suas misérias (Efésios 3:9-12).. A Bíblia é clara em demonstrar (1Ts 2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.) que a Vocação Eficaz é realizada primeiramente no “entendimento”, visto que, antes do Espírito Santo iluminá-lo, estavam entenebrecidos (Ef 4.17 - 19), era cego pelo “deus deste século” (2 Co 4. 4). Este é o ponto: para atingir o entendimento é preciso pregar a Palavra do Evangelho. A pregação da Palavra é a “trombeta de prata de Deus nos ouvidos dos homens” (WATSON). A Vocação Eficaz é ensinamento bíblico e sólido; anda de mãos dadas com a Verdadeira Pregação do Evangelho. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Reino Escatológico



Na mensagem de Jesus Cristo é encontrado um dualismo entre esta era e a por vir. A vinda do Reino de Deus (Mat. 6:10) ou o seu aparecimento (Luc. 19:11) que será o fim desta era para a era futura. Este Reino de Deus é mencionado em (Dan. 12.2), como sendo um governo teocrático. Mas, quando Jesus Cristo diz respeito ao Reino de Deus a seus discípulos, este refere ao século futuro (Mat. 10:17-31).
          
      A vinda do Reino de Deus é o fim de toda a obra do diabo e de seus anjos (Mat. 25:41), será uma sociedade sem pecado, sem mal (Mat. 13:36-43), e a comunhão perfeita com Cristo demonstrada pelo banquete messiânico (Luc. 13:28-29). Nesse sentido, o Reino de Deus é um sinônimo para o século futuro.
               
   A grande diferença do Reino de Deus pregado por Cristo para o pregado pelos profetas anoso testamentário é a universalidade. No Antigo Testamento o Reino de Deus é singularmente destinado a Israel (Amos 9:12; Miq. 5:9; Isa. 45:14-16; Isa. 60:12, 14), outras vezes porém são vistos como convertidos (Sof. 3:9, 20; 2:2-4; Zac. 8:20-23), mas sempre sendo Israel como nação soberana.

               
  Quando inicia a pregação de João Batista a ideia do particularismo judaico é rejeitada, o Reino de Deus é para aqueles que se arrependeram de seus pecados. Jesus Cristo por ser conhecedor dos corações destes; ele ensina que outros tomaram o lugar destes no Reino Vindouro (Mat. 8:12). Haja vista, que os filhos de Deus para Jesus Cristo são aqueles que nasceram de novo, ou seja, ouviram e entenderam a Palavra de Cristo (Mat. 13:38). Para ser inserido neste Reino de Deus o individuo precisa receber a proclamação deste Reino de Deus, com atitude de completa obediência e dependência, ser literalmente como uma criança (Marc. 10:15).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Reino de Deus e O Reino dos Céus


As duas termologias têm ocupado lugar primaz no entendimento do evangelho pregado por Jesus Cristo. Os termos “Reino de Deus” que no grego é basileia tou theou, é o mais utilizado pelos estudantes de escatologia (escathon). Todavia, basileia que substitui a palavra hebraica malkût, não há um consenso termológico. Muitos defendem que basileia seja o escathon. Destarte, é impossível o entendimento de escathon referir tanto ao presente como o futuro, haja vista, que o termo escathon na sua etimologia é referido sempre no futuro. Mas, contudo, o termo malkût é abstrato, significa domínio, ou governo (Salmos 145:11, 13; Salmos 103: 19). Hoje o judaísmo entende basileia como domínio e soberania de Deus. E, desta maneira é a melhor forma de entender os Evangelhos. Analisando diversos textos dos Evangelhos é claro o entendimento de basileia como “reino” ou “governo”, ou seja, estado absoluto da Soberania de Deus (Lucas 19:12; 23:42; João 18:36; Apoc. 17:12). Um dos grandes exemplos disso é a oração do Pai Nosso (Mateus 6:10), que pede para que o Seu domínio seja efetuado neste Mundo. O “Reino” designado por Jesus aos seus discípulos (Lucas 22:29) é o governo real.
                No evangelho de Jesus Cristo escrito por Mateus é utilizado à palavra “Reino dos Céus”. Muitos pregadores da atualidade tentam encontrar um significado diferente de “Reino de Deus”, contudo, a expressão “céus” é semítica usada comumente para substituir a palavra “Deus” (ver Lucas 15:18).

                Jesus Cristo não evitou utilizar a palavra “Deus”, então quando é utilizada a palavra “Céus” em vez de “Deus”, não se refere a uma nova ideologia. O significado é o mesmo, o estabelecimento da soberania de Deus na Terra.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Mundo e a Humanidade


O pensamento sobre o Mundo e a humanidade é progressivo em todas as culturas. O Mundo discutido pelo pensamento filosófico que é dividido em duas visões: noumena, o Mundo criado pela alma humana, e a outra divisão é phenomena, o Mundo que inclui o corpo do homem. Todavia, o pensamento hebraico é que o Mundo foi criado por Deus, e isto, remete então o aforisma que tudo converge nEle e para Ele (Romanos 11:36).
A)     O Mundo
O Mundo para Jesus Cristo também era criado pelo Pai, e toda a sua habitação (Marc. 13:19; Mat. 19:4). Deus não é apenas o Arquiteto e Edificador (Hebreus 11:10), mas também aquele que sustenta todas as coisas (Luc. 12:22ss). As dádivas do cuidado de Deus são tanto para os bons como para os maus (Mat 5:45), haja vista, que tudo está em suas mãos (Ecl. 9:1), isto é, Ele é o Senhor dos céus e da Terra (Luc. 10:21).
                Contudo, o bem supremo de Deus não pode ser encontrado na criação. E seria inútil o homem “ganhar o Mundo inteiro e perder a sua alma” (Marc. 8:36). Neste contexto “o Mundo” (cosmos) não é o mundo físico ou da humanidade, mas, sim, o conjunto complexo de toda criação de Deus; destarte, a convergência alcançada a toda criação em Jesus Cristo (Efésios 1:10). Sendo assim, o homem poderia conquistar o que ele desejasse neste mundo (Mat. 4:8-9) e, mesmo assim não chegaria ao conhecimento de Deus. Igualmente, o homem então passa a buscar a grandeza de onde ele é inserido, a saber, a importância de seu meio. Tornando então o amor às riquezas instrumento de princípio de todo o mal (1 Timóteo 6:10). É somente por obra do Espírito Santo, que o homem colocará Deus em primeiro lugar; pois é, que o seu amor natural pelo Mundo poderá ser sobrepujado (Marc. 10:27).
 b) A Humanidade
A humanidade é a coroa da criação de Deus, e o fruto das mais augustas especulações da mente finita da própria humanidade. Assim, para entender o que não é entendível ao seu próprio questionar (Jer. 17:9-10), deves então entender os quatro ensinos básicos bíblicos sobre o homem: 1) O ser humano tem um valor supremo como filhos de Deus; 2) O ser humano deve uma relação de confiança e obediência filial; 3) A existência de uma irmandade universal; 4) O pecado quebrou a relação paternal com Deus.
                Os seres humanos, apesar de irem contra Deus, não se tornaram por completos rejeitados por Deus (Gên. 3:9). Deus demonstra no curso da história um cuidado especial com o homem, e o Senhor Jesus Cristo mostra isto por intermédio de uma estória em Mateus 6:26-30. O cuidado de Deus chega ao ponto de saber a quantidade dos cabelos dos homens (Mat. 10:30).
                O homem tem a obrigação de servir a Deus, e não tem o direito de exigir nada dEle. Quando fizeram tudo quanto tiveram a possibilidade de fazer, não fizeram mais do que esperado (Luc. 17:7-10). O ser humano é completamente dependente de Deus, e incapaz de outorgar algo em sua vida (Mat.5:36; 6:27). O homem pode procurar segurança em suas conquistas, mas Deus pode tirá-lo de perto delas antes que este possa desfrutá-las (Luc. 12: 16-21). Deus pode condenar o homem ao inferno (Mat. 10:28). E Deus é juiz sobre todo o seu pensamento e ações (Mat. 25:41 ss).
                Todos os homens são pecadores, por isto, todas as tragédias humanas não são imputadas sobre as pessoas na proporção de sua pecaminosidade; mas todas elas precisam arrepender-se, ou perecerão (Luc. 13:1-5).

                As pessoas encontram seu valor último para Deus quando aprendem a serem ricas não apenas para o Mundo e sim para Deus (Luc. 12:15-21). É loucura ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida verdadeira, que é a presença de Deus (Mat. 16:26), que só pode ser encontrada com a comunhão com Deus. O Senhor não quer homens ricos; poderosos; igrejas grandes ou ricas; o Senhor quer festa nos céus, e isto somente ocorrerá quando o pecador se arrepende (Luc. 15:7).

sábado, 23 de janeiro de 2016

Os Demônios



Leitura: Marcos 3:22-27

Os demônios são seres presentes em todas as culturas da terra, da mais primitiva, até a mais evoluída. Nas escrituras sagradas, começando no Antigo Testamento estes espíritos são opositores dos seres humanos, e provocadores de toda a sorte de males, no Salmo 91:5-6 são demonstrados o nome de espíritos malignos da antiguidade, parecer mais específico, demônios assírios que atuam em cada hora do dia: Não terás medo do (Pahad) terror de noite nem da (Hets) seta que voa de dia. Nem da (Deber) peste que anda na escuridão, nem da (Queted) (Shed Tsohorayin) mortandade que assola ao meio-dia. (Salmos 91:5,6). Todavia, não é demonstrada a origem dos demônios nos livros Sacros, o mais perto desta compreensão está no livro apócrifo de Enoque 15: 8 (Agora, os gigantes que têm nascido de espírito e de carne, serão chamados sobre a terra de maus espíritos, e na terra estará a sua habitação. Maus espíritos procederão de sua carne, porque eles foram criados de cima; dos santos Sentinelas foi seu princípio e a sua primeira fundação. Maus espíritos eles serão sobre a terra, e de espíritos da maldade eles serão chamados. A habitação dos espíritos do céu será no céu, mas sobre a terra estará a habitação dos espíritos terrestriais, os quais são nascidos na terra.).
            No Novo Testamento a ideia ainda é de espíritos opressores, mas estes agora sofrem o prenuncio de seu juízo, como proclamado por aquele espírito maligno em Cafarnaum (Marc. 1:24), que reconhece o poder sobrenatural de Jesus Cristo. Destarte, o trecho demonstra que o espírito da maldade tem o poder da mente do possuído, e, o, faz perder o controle de todas as suas ações. A possessão demoníaca se manifesta de várias formas nos seres humanos, e utilizam de várias maneiras para entrarem na vida das pessoas.
            Os Espíritos da Maldade comumente habitam nos corpos dos incrédulos, e o fazem com grande frequência (Marc.5:15; Luc. 4:41; 8:27; Atos 16:18). Eles escravizam estas pessoas, utilizam seus corpos, vozes, talentos, dons e os caminham a iniquidade e à destruição. Estes seres podem causar doenças físicas e mentais, mas nem todas as doenças são frutos de possessão, haja vista, que as Escrituras fazem estas discriminações (Mat. 9:32-33; 12:22; 17:14-18; Marc. 9:17-27; Luc. 13:11-16). Todas as ações místicas estão ligadas a ações de demônios, isto é, feitiçarias, e facilmente levam a opressões demoníacas (Atos 13:2-8; 19:19; Gal. 5:20; Apoc. 9:20:21).
            Hoje, é muito difundido possessão em cristãos; todavia, as Escrituras ensinam que nenhum verdadeiro crente, em que habita o Espírito Santo, pode ficar endemoninhado, isto é, o Espírito Santo e os demônios nunca poderão habitar no mesmo corpo (II Cor. 6:15-16). Os demônios podem, no entanto, influenciar os pensamentos, as emoções e os atos dos crentes que não obedecem aos ditames do Espírito Santo (Mat. 16:23; II Cor. 11:3,14).
            Os Espíritos da Maldade cada vez mais próximo dos últimos momentos da humanidade tornam-se mais ativos, na difusão do ocultismo, imoralidade, violência e crueldade; atacarão a Palavra de Deus e a sã Doutrina (Mat. 24:24; II Cor. 11:14-15; I Tim. 4:1). O maior surto de atividade demoníaca ocorrerá no período do Anticristo e seus seguidores (II Tess. 2:9; Apoc. 13:2-8; 16:13-14).

            Em Marcos 3:27, o conflito espiritual contra Satã envolve três aspectos: a) declarar guerra contra Satanás (Luc. 4:14-19); b) ir a onde o poder satânico está, e ataca-lo e vence-lo no poder do nome de Jesus Cristo (Luc. 11:20-22); c) apoderar-se de bens ou posse, isto é, libertando os cativos do inimigo e entregando-os a Deus (Luc. 11: 22; Atos 26:18).

sábado, 16 de janeiro de 2016

O Espírito do Mundo



O Reino de Deus foi inserido neste Mundo em meio ao Império das trevas, assim ainda o é hoje, a pregação da igreja é feita nos lugares a onde há um domínio das trevas (II Corintios 10:4). Quando o próprio Reino veio ao Mundo, este estava em trevas à beira da sombra da morte (Lucas 1: 78-80). Quando Jesus foi comissionado ao seu ministério logo após ele foi impelido à tentação pelo o império deste Mundo (Mateus 4:1). Numa das tentações Jesus Cristo é levado ao cume do Templo, e Satã faz lhe uma promessa interessante ao ponto de vista: 6 E lhe disse: "Eu lhe darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser” (Lucas 4:6). Muitos quando leem este texto se preocupam apenas com a tentação, mas, contudo, o ponto chave está na frase me foram “dados e posso dá-los a quem eu quiser”. O diabo é o príncipe do mau, dos opressores do povo de Deus (Marcos 3:22).
                A ideia de uma hoste de espíritos que rodeiam a Deus é desde o Antigo Testamento (Sal. 82:1; 89:6; Dan. 7:10), e todas estas hostes estão sobre o domínio de Deus, em Jó 1-2 monstra que Satã é um destes espíritos; é de suma importância entender que Satã não tem autonomia para realizar o que quiser, mas todo os seus atos são regidos por Deus (I Crônicas 21:1; II Samuel 24:1). A cultura de espíritos maus é mais evidente em literaturas intertestamentárias judaicas que proliferaram estas doutrinas (1 En. 6; 15), e também a origem de Demônios, e têm também neste livro uma distinção entre os anjos caídos (vigias) e os demônios (gigantes). Neste livro é atribuído todo o ensinamento do pecado a um anjo em especial Azazel (I En. 10:12).
                No Novo Testamento a principal função de Satã é opor-se ao propósito redentor de Deus. Vimos que na tentação ele reivindica o poder que é dado a ele, o onde Jesus Cristo não o questiona (Lucas 4:6). Esta ideia é ratificada por Paulo em (II Coríntios 4:4), a mesma ideia está em refletida em Mateus 12:29, em que Jesus fala da invasão da “casa do valente” – esta era presente, no objetivo de despojá-lo.
                É importante lembrar que em nem um momento nas Sacras Escrituras existe um dualismo de poder, ou seja, Deus é absoluto. No novo testamento Deus é explicitamente criador de todas as soberanias espirituais. Nos textos apocalípticos estas criaturas sofrerão o juízo no fim de tudo.
                Na teologia do Novo Testamento o príncipe de império é causador de diversas oposições aos seres humanos e a igreja. Em Lucas 13:16 uma mulher andava a 18 anos em curvada pressa por Satã. Destarte, as atividades dele se concentram em maior parte a parte moral e ética (Gálatas 5:19-21). Em quanto o julgamento final não for estabelecido a igreja terá dentro de si pessoas influenciadas por Satã (Mateus 13:38), que é o símbolo da sociedade mista que é representada na parábola do joio e do trigo. O Espírito do Mundo deseja que a Palavra de Deus seja sufocada para que assim Ela seja retirada dos corações (Marcos 4:15). Na tentação de Cristo, Satã o tentou a desviar de sua missão redentora, e usou até mesmo Pedro neste papel (Marcos 8:33). Cumprido já o propósito de Deus, Satã apossou também de Judas, levando-o a atrair Jesus e a entregá-lo aos sacerdotes (Lucas 22:3). Satã também quis a Pedro para humilhar, e fazê-lo sofrer, contudo o Senhor Jesus intercedeu por Pedro (Lucas 22:31).

                A teologia do novo testamento é feita para demonstra que o Senhor Jesus Cristo é a vitória sobre a toda potestade (Colossenses 1:13-23). Contudo, há ainda uma batalha a ser travada.