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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Os Decretos Eternos de Deus




Estamos para considerar as obras de Deus; Há muito na Bíblia, como pretendo mostrar-lhes, sobre o modo como Deus faz as coisas, e é importante que consideremos isso antes de considerarmos exatamente o que Deus fez.
Antes de Deus criar o mundo e o homem, Ele ponderou, Ele intentou e determinou certas coisas. Certas coisas foram decididas na mente e no conselho eternos de Deus, antes que Ele fizesse qualquer coisa no âmbito da Criação.
A descrição que é apresentada na Bíblia referente ao modo ou ao método de Deus operar consiste no que comumente se chama a doutrina dos decretos eternos de Deus. Essas são coisas que Deus determinou e ordenou antes que tivesse feito qualquer coisa.
Aliás, estou cada vez mais convencido de que fé é a disposição de alguém submeter-se aos limites bíblicos. É a disposição de não fazer perguntas sobre coisas que não se acham reveladas nas Escrituras. Fé consiste em dizer: “Muito bem, levarei em conta tudo quanto é registrado na Bíblia, e não quero saber de nada mais além disso. Estou satisfeito com a revelação.” Devemos aproximar-nos desta grande doutrina dessa forma.
Deus de toda eternidade, tem tido um plano imutável com referência às Suas criaturas. A Bíblia está constantemente fazendo uso de uma frase como esta: “Antes da fundação do mundo” (Vejam Ef. 1:4). Como o apóstolo Paulo disse sobre o nascimento de nosso Senhor: “Mas, vindo a plenitude dos tempos...” (GáI. 4:4).
Nada é acidentais, casuais, incertos ou fortuitos. Deus tem um plano, um propósito definido. Tudo o que Deus tem feito e causado é segundo o Seu próprio plano eterno, e esse é fixo, certo, imutável e absoluto. Essa é a primeira afirmação.
A segunda consiste em que o plano de Deus compreende e determina todas as coisas e eventos, de toda espécie, que acontecem. Desse modo, a doutrina dos decretos eternos de Deus declara que todas as coisas são finalmente determinadas e decretadas por Ele.
Por conseguinte, se tudo está determinado por Deus, devem-se incluir, necessariamente, as ações livres, as ações voluntárias de agentes livres e voluntários. Com respeito ao sistema como um todo, isso é colocado muito claramente pelo apóstolo Paulo. Diz ele: “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (E£ 1: 10,11). Com efeito, isso se aplica a todas as coisas. Paulo está falando ali do cosmo como um todo sendo unido em Cristo, e ele diz que Deus irá realizar isso dessa maneira.
Em seguida temos mais evidência escriturística a demonstrar que Deus, dessa maneira, governa, controla e determina os eventos que aparentam aos nossos olhos ser totalmente fortuitos. No livro de Provérbios, lemos: “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a sua disposição” (Prov. 16:33). Chamamos “sorte” uma questão de probabilidade e casualidade, não é verdade? Vocês “lançam” a sorte. Sim, diz essa passagem das Escrituras: “mas do Senhor procede toda a sua disposição”. Também no Novo Testamento lemos que nosso Senhor diz: “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai” (Mat. 10:29), Um pequeno pardal estatela-se morto e cai por terra. Acidente, diz você. Casualidade. Absolutamente, não! “Nenhum deles cairá em terra sem à vontade de vosso Pai.”A vida de um pequeno pardal está nas mãos de Deus. Ele, porém, prossegue: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (v. 30). Há eventos que parecem ser totalmente acidentais, no entanto são controlados por Deus.
Em seguida, tomem nossas ações livres. Leiam Provérbios 2 1: 1: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina.” O rei parece estar livre, porém Deus está controlando-o como controla os próprios rios. Efésios 2: 10 nos declara: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” E Filipenses 2:13 nos diz: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”
Não obstante, chegamos a algo mais extraordinário e surpreendente: as Escrituras nos ensinam que até mesmo as ações pecaminosas estão nas mãos de Deus. Ouçam Pedro pregando no dia de Pentecoste, em Jerusalém: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Atos 2:23). Em seguida, Pedro o coloca nestes termos: “Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel” - prestem atenção – “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (Atos 4:27,28). O terrível pecado daqueles homens fora determinado de antemão, pelo conselho de Deus.
Temos também um tremendo exemplo disso no livro de Gênesis, aquela famosa declaração de José a seus irmãos. José, rememorando os fatos de sua história, virou para seus irmãos e disse: “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus...” (Gên. 45:8). Do nosso ponto de vista, foram eles que o fizeram. Eles haviam agido perversamente, haviam feito algo muito ímpio, movidos por motivos mercenários e como resultado de sua própria inveja. “Mas”, disse José, “não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus”. Estas ações pecaminosas emanaram deste grande e eterno decreto de Deus.
Deus não causa o mal em nenhum sentido, em nenhum grau. Deus não aprova o mal. Ele, porém, permite que os agentes perversos o realizem, e então o administra para Seus próprios fins sábios e santos. A Bíblia nos ensina isso claramente. Ouçam novamente aquele relato sobre José e seus irmãos em Gênesis 50:20. Disse José: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande.” E creio que, em muitos aspectos, o exemplo mais chocante de todos se encontra na traição de Jesus por Judas: uma ação livre e voluntária, e no entanto um componente do grande e eterno propósito e plano de Deus.
Assim sendo, isso me conduz à minha terceira proposição geral, ou seja: todos os decretos de Deus são incondicionais e soberanos. Eles não dependem, em nenhum sentido, das ações humanas. Não são determinados por alguma coisa que a pessoa possa ou não fazer. Os decretos de Deus não são nem ainda determinados à luz do que Ele sabe que as pessoas irão fazer. Eles são absolutamente incondicionais. Não dependem de nada, a não ser da própria vontade e da própria santidade de Deus.
Entretanto - quero deixar isto bem claro - não significa que não exista o que se chama causa e efeito na vida. Isso não significa que não exista o que se chama ações condicionais. Sim, existe aquilo a que se chama, na natureza e na vida, causa e efeito. O que a doutrina afirma, porém, é que cada causa e efeito, bem como as ações espontâneas, são componentes do decreto do próprio Deus. Ele determinou agir dessa maneira particular. Deus decretou que o fim que Ele tem em vista será cumprido, certa e inevitavelmente, e que nada poderá impedi-lo nem frustrá-lo.
Deixem-me apresentar-lhes agora a minha evidência para tudo isso. Tomem a profecia de Daniel: “E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: que fazes?” (Dan. 4:35). Nada pode impedir a mão de Deus, nem mesmo questioná-la. Ou então ouçam a nosso Senhor afirmar este mesmo fato em Mateus 11:25,26: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.” Por que Deus tem escondido estas coisas aos “sábios e entendidos” e as revelado aos “pequeninos”? Só existe uma resposta – “porque assim te aprouve”, porque assim pareceu bem aos Seus olhos.
Paulo também afirma a mesma coisa: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade’ (Ef. 1:5). Nada mais, absolutamente. E inteiramente pela graça.
Mas, naturalmente, vocês encontrarão esta doutrina afirmada ainda mais claramente naquele grande e poderoso capítulo nove da Epístola aos Romanos. Desejo, neste momento, enfatizar especialmente o versículo 11. Vocês descobrirão que ele é um versículo entre parênteses; porém, que grandioso versículo! Que declaração! “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama).” O argumento de Paulo consiste em que Deus decretara que o mais velho servisse ao mais jovem, porque, mesmo antes que houvessem nascido, Ele havia dito: “Amei Jacó, e aborreci Esaú” (v. 13).
“Por que”, vocês perguntam, “Deus amou Jacó, porém odiou Esaú? Foi em razão do que eles fizeram?” Não. Antes que nascessem, antes mesmo que fossem concebidos, Deus escolheu Jacó e não Esaú. Não tinha nada a ver com suas obras, em sentido algum.
O propósito de Deus é incondicional e absolutamente soberano. Ouçam a Paulo dizer novamente: “Que diremos, pois? que há injustiça da parte de Deus? de maneira nenhuma” (Rom. 9:14). Que Deus os livre de chegarem a tal conclusão! E impossível – “Pois diz a Moisés: compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer." (Rom. 9:15-18)
Deixem-me apresentar o quarto princípio, o qual é que: os decretos de Deus são eficazes. Ora, isso, naturalmente, se deduz necessariamente. Visto que Deus é um Senhor soberano, em virtude de Sua onipotência e de Sua grandeza, Seus propósitos jamais podem fracassar. O que Deus determina e decreta, infalivelmente devera ser cumprido. Nada pode impedi-lo. Nada pode frustrá-lo.
E isso me traz ao quinto princípio: os decretos de Deus são em todos os aspectos perfeitamente consistentes com Sua própria natureza muitíssimo sábia, benevolente e santa. Creio que não é necessário que eu argumente tal fato. Noutras palavras, não existe contradição em Deus. Nem pode haver. Deus é perfeito, como temos visto, e Ele é absoluto, e tudo quanto estou expressando agora se entrosa perfeitamente com tudo quanto já consideramos antecipadamente.
De duas coisas podemos estar certos e devemos sempre asseverar: primeira, Deus jamais é a causa do pecado. Em Habacuque 1: 13, vocês encontrarão expresso: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal.” Tiago diz: “... Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1: 13). Segunda, o propósito de Deus é, em todas as coisas, perfeitamente consistente com a natureza e o modo de agir de Suas criaturas. Noutras palavras, ainda que não possamos conciliá-lo, há uma conciliação final. Os decretos de Deus não negam a existência de agentes livres. Tudo o que sabemos é isto: ainda que Deus concedeu esta liberdade, Ele, não obstante, a tudo governa a fim de que Seus fins determinados possam ser concretizados.
Como pode Deus decretar tudo e ainda manter-nos responsáveis pelo que fazemos? Eis a resposta: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” (Rom. 9:20-23).
“Mas”, talvez vocês perguntem, “como você concilia estas duas coisas?”
Respondo: não posso. Sei que a Bíblia me afirma as duas coisas: que o homem, em certo sentido, é um agente livre, e, em contrapartida, que os decretos eternos de Deus governam todas as coisas.
Em seguida, devo apresentar minha última proposição, ou seja, a salvação dos homens e das mulheres e dos anjos e alguns deles em particular foi determinada por Deus antes da fundação do mundo. Isso Ele faz inteiramente de acordo com o Seu beneplácito e de Sua graça. Devo remetê-los novamente a Mateus 11:25,26. E em João 6:37, lemos: “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” E no versículo 44 nosso Senhor diz: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer.” Em Atos 13:48, leio o seguinte: “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”
Em 2 Tessalonicenses 2:13, vocês encontram: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade.” Em seguida, em sua carta a Timóteo, Paulo diz: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Tim. 1:9).
Especialmente, porém, gostaria de enfatizar novamente aquela grande afirmação, a qual já citei, de Romanos 9:20-23. O apóstolo Paulo, pregando esta grande doutrina dos decretos eternos de Deus, imagina alguém em Roma dirigindo-lhe uma pergunta e dizendo: eu não entendo isso. A mim soa contraditório, injusto. Se o que você me diz sobre estes decretos é verdadeiro, então a impressão que fica é que Deus é injusto. O questionador diz a Paulo: “Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste à sua vontade?” (Rom. 9:19).
E a réplica de Paulo é: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou.”
Eis aí a resposta do apóstolo. Eis aí a resposta das Escrituras. Eis aí, portanto, a resposta de Deus, a nós e por nós, enquanto estamos neste mundo passageiro. Ela se acha além de nós. Não podemos apreender o supremo funcionamento da mente de Deus. Não adianta perguntar: por que isso? e, por que aquilo? Por que Deus levantou Faraó? Por que Ele escolheu Jacó e não Esaú? Por que Ele nos castiga, se todas as coisas estão determinadas e decretadas? A resposta é: “Mas, ó homem, quem és tu?” Vocês estão opondo sua própria mente contra a de Deus. Estão ignorando, quão finitos vocês são, quão pecaminosos em resultado da Queda. Vocês têm que abrir mão do entendimento até chegarem à glória. Tudo o que vocês têm a fazer aqui, no momento, é crer que Deus é sempre consistente consigo mesmo, e aceitar o que Ele explícita e abertamente nos revelou sobre Seus decretos eternos, sobre o que Ele determinou e decidiu antes mesmo que criasse o mundo.
E, acima de tudo, compreendam que, se vocês são filhos de Deus, é em razão de Deus o ter determinado, e o que Ele determinou a seu respeito é indiscutível, seguro e certo. Nada e ninguém pode jamais tirá-los de Suas mãos, nem tampouco levá-Lo a renunciar Seu propósito com relação a vocês. A doutrina dos decretos eternos de Deus existiu antes da fundação do mundo. Ele me conheceu. Conheceu a vocês. E os nossos nomes foram escritos no “livro da vida do Cordeiro” antes mesmo que o mundo fosse criado, antes mesmo que vocês e eu, ou algum outro, entrássemos nele.
Curvemo-nos diante de Sua Majestade. Humilhemo-nos em Sua augusta presença. Submetamo-nos à revelação que Ele tão graciosamente Se agradou em nos comunicar.
 Extraído do livro “Deus o Pai, Deus o Filho” Dr. Martyn Lloyd-Jones – Editora PES.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O CAMINHO DA FÉ



SALMO 16

A palavra Michtam, que aparece no título, tem um significado incerto. Alguns têm-na relacionada com a palavra hebraica Kethem, que significa "ouro", e tomam-na como significando "Um poema de ouro". Esta seria uma descrição muito adequada do Sl 16 que é uma das pedras preciosas do Saltério, mas é menos aplicável aos Sl 56-60, que também têm a palavra Michtam como título. O Salmo é atribuído a Davi (Cfr. At 2.25; At 13.35-36), e contém um número de expressões que se adaptariam perfeitamente bem ao período da vida de Davi em que ele era um proscrito. Contém três divisões.

a) As marcas do crente (1-4)

São 4: Deus é o objeto da sua confiança (1); reconhece Jeová como o seu Senhor todo suficiente (2); tem prazer naqueles que temem a Deus; (3) (Cfr. 1Jo 3.14); foge dos falsos objetos de culto (4); (Cfr. Js 23.7; 1Jo 5.21). Guarda-me (1) a palavra hebraica é traduzida "preservar" 19 vezes e "guardar" 284 vezes. Confio (1). Literalmente, "busco refúgio". Santos (3); isto é, as pessoas de Deus postas à parte para serem possessão Sua. Os ilustres (3). A verdadeira nobreza. Fazem oferendas a outro deus (4). Melhor "trocam o Senhor por outros deuses" (SBB) (Cfr. Jr 2.11).

>Sl-16.5

b) As bênçãos presentes do crente (5-8)

São elas: um coração satisfeito (5-6); conselho e correção (7); e segurança (8). Herança (5). A tradução literal é "YHVH é a porção da minha herança e do meu cálice". A menção de "cálice" sugere que a primeira palavra se refere a uma porção de alimento. O significado, então, torna-se: "YHVH é tudo o que eu preciso para satisfazer a fome e a sede". As linhas (6). A porção de terra medida à linha para ele, (Cfr. Sl 78.55; Am 7.17; Zc 2.1). Os vers. 5-6 as figuras de um banquete de uma herança atribuída combinam-se. Os meus rins (7). O salmista refere-se figurativamente à sede das emoções e afeições que incluem aqui a consciência (Cfr. Sl 73.21-22). E de noite (7). (Cfr. Sl 4.4; Sl 17.3). O verso 8 apresenta um lindo quadro do Salmista escondido por detrás de Deus que se levanta entre ele e os seus inimigos.

>Sl-16.9

c) As perspectivas do crente (9-11)

São elas: Preservação da morte (9); a vereda da vida revelada (10-11a); alegria na presença de Deus (11b). Davi está a pensar das suas perspectivas futuras neste mundo; mas as suas palavras, à luz do Novo Testamento, brilham com um significado mais profundo. O Salmo é citado por Pedro e Paulo em referência a Cristo (At 2.25-28; At 13.35). Foi perfeitamente cumprido n’Ele, que é o guia da vida de fé (Hb 12.2), mas também é verdade a nosso respeito que somos Seus seguidores. A minha glória (9). A versão dos Setenta traduz "a minha língua"; (Cfr. At 2.26). Repousará segura (9). (Cfr. Dt 33.12,28; Jr 23.6). Não deixarás a minha alma no inferno... (10). Literalmente "não abandonarás a minha alma ao Seol, não permitirás que o teu amado veja o abismo". Ver (11), isto é, fazer-me saber.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

AS QUALIFICAÇÕES PARA A COMUNHÃO COM DEUS


SALMO 15


Este breve poema expressa sucintamente os ideais que o salmista acreditava que Deus esperaria da parte dos Seus hóspedes. O caráter irrepreensível, assim retratado, é medido apenas pela conduta pessoal e social; isto é, o padrão é puramente ético. Todavia, infere-se nos seus versos que o homem descrito teme a YHVH. Uma descrição em termos similares acha-se em (Salmos 24:3-5. Quem poderá subir o monte do Senhor? Quem poderá entrar no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por deuses falsos. Ele receberá bênçãos do Senhor, e Deus, o seu Salvador lhe fará justiça) e em (Isaías 33:14-16. Em Sião os pecadores estão aterrorizados; o tremor se apodera dos ímpios: "Quem de nós pode conviver com o fogo consumidor? Quem de nós pode conviver com a chama eterna? "Aquele que anda corretamente e fala o que é reto, que recusa o lucro injusto, cuja mão não aceita suborno, que tapa os ouvidos para as tramas de assassinatos e fecha os olhos para não contemplar o mal, é esse o homem que habitará nas alturas; seu refúgio será a fortaleza das rochas; terá suprimento de pão, e água não lhe faltará). (Cfr. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor.Lucas 1:6; Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Lucas 2:25; Ele e toda a sua família eram piedosos e tementes a Deus; dava muitas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus. Atos 10:2; mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo. Atos 10:35; Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Hebreus 12:14)

Os versos 1(Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Salmos 15:1) e 5b (...Quem assim procede nunca será abalado! Salmos 15:5b) apresentam o tema do poema, isto é, a aspiração mais alta do homem piedoso. Por um lado, consiste em ter liberdade de acesso à presença de Deus, tipificada pelo Seu tabernáculo ou tenda (o emblema tradicional da Sua presença entre as exigências da vida peregrina), e pelo Seu santo monte ou Monte de Sião (o símbolo histórico do Seu propósito efetivo entre as vicissitudes da política nacional). Por outro lado, consiste em ter uma segurança duradoura no meio das circunstâncias aparentemente casuais de modo que, como homem justo, ele nunca seja movido pela malícia urdida pelos obreiros do mal.




>Sl-15.2

a) Conduta pessoal (2-3)

No aspecto positivo, ele é irrepreensível na forma de vida (Cfr. Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus. Gênesis 6:9; Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro. Gênesis 17:1), sustentando ativamente um procedimento reto em todas as transações, inteiramente livre da duplicidade, porque o seu coração está posto na verdade. Negativamente, ele não difama (3); o verbo hebraico significa deambular como um contador de histórias; isto é, grosseiro e falho de cortesia na fala. Tem todo o cuidado em evitar a mera murmuração (cfr. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada. 1 Timóteo 4:2; Rejeite, porém, as fábulas profanas de velhas e exercite-se na piedade. 1 Timóteo 4:7; Além disso, aprendem a ficar ociosas, andando de casa em casa; e não se tornam apenas ociosas, mas também fofoqueiras e indiscretas, falando coisas que não devem. 1 Timóteo 5:13), nunca tirando vantagem de um semelhante seu (3b), cuidadoso em não entristecer os seus amigos por meio de conversas idiotas e destituídas de tato a respeito de coisas que praticaram e que desde então lamentam (3c).

>Sl-15.4

b) Conduta social (4-5)

Novamente são apresentadas características pessoais positivas do caráter ideal. Em virtude de haver dois caminhos na vida, ele tem o cuidado em avaliar as pessoas antes pelos seus padrões de moral do que por quaisquer outros fatores. Ele reprova energicamente um companheiro por falta de humildade perante Deus (Cfr. [cântico dos degraus, de Davi] SENHOR, o meu coração não se elevou nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes matérias, nem em coisas muito elevadas para mim. Salmos 131:1) e respeita qualquer homem que honra o Senhor. Réprobo (4) a palavra hebraica é derivada de um verbo que significa "rejeitar". O aspecto negativo é sublinhado a seguir. Se ele estiver encarregado de um dever, ou aceitar com juramento uma obrigação moral, que mais tarde se lhe afigura penosa e custosa, não abdica da sua responsabilidade porque a palavra falada, de um voto, é uma coisa sagrada (Cfr. Então todos os príncipes disseram a toda a congregação: Nós juramos-lhes pelo SENHOR Deus de Israel, pelo que não lhes podemos tocar.  Josué 9:19); Ele nem oprime os outros nem reclama quando os negócios se voltam contra si (Cfr. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Mateus 18:27-30) e não terá coisa alguma a ver com a corrupção da justiça pelo suborno, muito menos se o móbil parece prejudicar a parte inocente. Usura, isto é, emprestar com juros e mais particularmente juros elevados. (Cfr. Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse.  Levítico 25:36-37; O que aumenta os seus bens com usura e ganância ajunta-os para o que se compadece do pobre. Provérbios 28:8). Peitas significam aqui "suborno". Nunca será abalado (5); isto é, desfrutarão de segurança, tranqüilidade e estabilidade. Notar o contraste (Pois diz lá no seu íntimo; Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá. Salmos 10.6).

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ESBOÇO DUMA SOCIEDADE CORRUPTA



SALMO 14

Esta descrição de homens degenerados e injustos refere-se primariamente à humanidade como um todo e não meramente a um período de extrema decadência moral em Israel. Isto é confirmado pelo uso dos três primeiros versículos em (Romanos 3:10-12 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só). O Salmo foi escrito de novo, anos mais tarde, e reaparece como (Sl 53), de modo que a alusão ao cativeiro, no (Salmos 14:7 Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o SENHOR fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel), dificilmente pode referir-se ao exílio. A frase hebraica traduzida por fizer voltar os cativos do (7) pode também ser traduzida por "restaurar a fortuna de". Como em Jó 42.10. Podia aplicar-se ao período do poder de Absalão ou a uma ocasião de grande desgraça. O poema adota alternadamente o ponto de vista da Terra e do Céu.

a) A iniqüidade dos homens (1)

Néscio ou "louco" (Ao vil nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso. Isaías 32:5); isto é, um homem inteiramente indiferente perante os padrões morais da lei e que adota diariamente, como princípio pessoal, a crença de que a divindade não se preocupa, em nada, com as diferenças entre o comportamento dos homens. Tais pessoas não podem viver senão uma vida dissoluta e serem incapazes de "fazer o bem".

>Sl-14.2

b) O inquérito e o veredicto de Deus (2-4)

A questão dos padrões fundamentais da conduta moral é levantada, sem cessar, pelo Senhor. Ele está meticulosamente preocupado acerca das ações dos homens e é rápido em notar qualquer que entende; isto é qualquer homem que rejeita a falsidade da premissa do louco. A diagnose do (Salmos 14:3 Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um.) não pode ser fornecida pelo homem ímpio porque ele tem repudiado a bondade objetiva, a justiça e a verdade. De fato, esta é a primeira característica de tais homens; todos se têm extraviado de uma vida reta e se têm tornado corruptos na sua natureza (Quanto mais abominável e corrupto é o homem que bebe a iniqüidade como a água? Jó 15:16). Pelo que, sem exceção todos são obreiros do mal; não há quem faça o bem (3). Não terão conhecimento os obreiros de iniqüidade? (4). Isto pode traduzir-se: "não saberão os obreiros da iniqüidade?"; isto é, estas coisas não permanecerão ocultas daqueles que roubam o povo de Deus tão naturalmente como comem pão. Sem dúvida que o exemplo padrão encontra-se em (Então os príncipes de Edom se pasmaram; dos poderosos dos moabitas apoderou-se um tremor; derreteram-se todos os habitantes de Canaã. Espanto e pavor caiu sobre eles; pela grandeza do teu braço emudeceram como pedra; até que o teu povo houvesse passado, ó SENHOR, até que passasse este povo que adquiriste. Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó SENHOR, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. O SENHOR reinará eterna e perpetuamente; Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o SENHOR fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar. Êxodo 15:15-19).

>Sl-14.5

c) O temor ali se manifesta sobre os ímpios (5-6)

Quer, "onde o julgamento se exerce" (como por exemplo, no Mar Vermelho, À vigília da manhã, o Senhor, do alto da coluna de fogo e da de nuvens, olhou para o acampamento dos egípcios e semeou o pânico no meio deles.  Embaraçou-lhes as rodas dos carros de tal sorte que, só dificilmente, conseguiam avançar. Disseram então os egípcios: "Fujamos diante de Israel, porque o Senhor combate por eles contra o Egito." Êxodo 14:24-25), ou simplesmente "se acharam em grande pavor". Todavia, Deus sempre está com os poucos homens justos se a sua preservação final é o seu conforto e esperança mesmo quando Ele está oculto dos olhos dos néscios (Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe". Corromperam-se e cometeram atos detestáveis; não há ninguém que faça o bem. Salmos 14:1). Em situações reais, homens ímpios podem abertamente ridicularizar os avisos dados pelos justos e escarnecer do seu conselho, isto é, a sua dependência de Deus (Notar o contraste com 1.a.): contudo, Deus é o refúgio secreto dos retos (Pela fé Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família. Por meio da fé ele condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé. Hebreus 11:7).

>Sl-14.7

d) Uma oração clamando por bênção divina (7)

Este último versículo pode ser uma adição posterior ao salmo, para o tornar próprio para uso público por parte de adoradores devotos no templo. Expressa os anseios profundos de todas as pessoas piedosas, pela manifestação do reino de Deus. (2 Tessalonicenses 1:5-10. Elas dão prova do justo juízo de Deus, que deseja que vocês sejam considerados dignos do seu Reino, pelo qual vocês também estão sofrendo. É justo da parte de Deus retribuir com tribulação aos que lhes causam tribulação, e dar alívio a vocês, que estão sendo atribulados, e a nós também. Isso acontecerá quando o Senhor Jesus for revelado lá do céu, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes. Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder. Isso acontecerá no dia em que ele vier para ser glorificado em seus santos e admirado em todos os que creram, inclusive vocês que creram em nosso testemunho; Apocalipse 22:20. Aquele que dá testemunho destas coisas diz: "Sim, venho em breve! " Amém. Vem, Senhor Jesus!).

Arrependendo-se para alcançar a vida eterna



Texto: Lucas 24: 44-49

Introdução

A chance do ser humano está no arrependimento. Este ato é uma graça evangélica (E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho. Zacarias 12:10) anunciado pela palavra de Deus para perdão dos pecados (E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Lucas 24:46-47).

Devido ao arrependimento, o ser humano vê e sente o seu estado pecaminoso; e diante da imundícia este sente nojo dos seus atos pecaminosos, e compreende que estes pecados são perigosos para sua vida e tenta diretamente contra a sua natureza. Por esta ação o pecador abandona a vida de pecado e volta-se para Deus (Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estares puro neste negócio. 2 Coríntios 7:11), assim este se propõem a andar com Deus em todas suas veredas e cumprir seus mandamentos (E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Lucas 1:6), pois logo se tornam justos perante a Deus.

Assim cabe aos que professam a Jesus Cristo como Senhor, conhecerem que quanto aos fundamentos, o genuíno arrependimento evangélico, por parte do pecador, descansa num genuíno arrependimento pessoal, e de seus próprios feitos pecaminosos; e numa genuína apreensão da misericórdia de Deus em Cristo.

1)      Os Fundamentos do Arrependimento

A Bíblia expressa que “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. João 3:19-21”, só o ser humano que alcança a iluminação Espiritual percebe e aprecia a santidade de Deus como revelada igualmente a Santidade de Deus na lei e no evangelho (Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. Romanos 3:20; Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:5-6), destarte o ser humano reconhece toda sua pecaminosidade de sua própria natureza e conduta. Assim o ser humano compreenderá que Deus é justo, como sempre foi.

De modo, que o arrependimento produzirá três tipos de consciência: a consciência de culpa, isto é, expondo a punição merecida, como sendo oposta à justiça de Deus (Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Salmos 51:4-6; Esconde o teu rosto dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Salmos 51:9); a consciência procedente a esta é de compreensão da sua corrupção, como sendo oposta à santidade de Deus (Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Salmos 51:5; Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Salmos 51:7; Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável. Salmos 51:10); e a consciência de desamparo (Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito. Salmos 51:11).

2)      As bases do arrependimento

Só haverá verdadeiro arrependimento quando a preciosa luz de Deus penetrar em ti. Pois a consciência debilitada (Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus Romanos 3:23) ecoa a lei de Deus e não pode ser apaziguada por nenhuma outra propiciação senão por aquela exigida pela própria justiça divina (Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna. Tito 3:5-7); e até que isso seja feito numa confiante aplicação dos méritos de Cristo, ou a indiferença entorpecerá ou o remorso atormentará sua alma.

O arrependimento leva o pecador para o amor de Deus, que o protege da sua própria ira, haja vista, que Deus fora de Cristo é “fogo consumidor”, e o medo inextinguível de sua ira repele a alma (Porque o nosso Deus é um fogo consumidor. Hebreus 12:29) .

O senso da espantosa bondade de Deus, aos nossos olhos, na dádiva de seu Filho, e de nossa ingrata retribuição a ela, é o mais poderoso meio de conduzir a alma ao genuíno arrependimento do pecado quando cometido contra Deus. (Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.  Romanos 7:18-25).

Conclusão:

Concluímos que tudo isto pode ser visto na vida daqueles que verdadeiramente se arrependeram. Nas Escrituras Santas; vemos exemplos de conversões que balizam este pensamento (Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Salmos 51:1; Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. Salmos 130:4), os que se arrependem tem de Deus: a Sua Misericórdia; a Sua Benignidade; o Seu Perdão. Recebas isto hoje em sua vida, para que possas alcançar a vida eterna.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DESÂNIMO E ABATIMENTO MUDADOS EM CONFIANÇA


SALMO 13

Enquanto que o Salmo 12 era um lamento por causa da degeneração da sociedade, o Sl 13 é um grito pessoal e lancinante. A forma como principia é caracterizada por frustração tediosa e paciência cansada. Mas o simples ato do apelar para Deus estimula a esperança do salmista de modo que a parte final é marcada por uma apreciação alegre do trabalho e do propósito de Deus na sua vida. O Salmo divide-se em três partes: O apelo em quatro aspecto; Um temor em quatro aspectos; e uma certeza em quatro aspecto.

a) O apelo em quatro aspectos (1-2)

As palavras até quando... para sempre? constituem uma pergunta em que a esperança e o desespero se perseguem mutuamente no círculo fechado do momento em que a pressão é sentida. (Até quando, ó Deus, nos afrontará o adversário? Blasfemará o inimigo o teu nome para sempre?
Salmos 74:10; Até quando, SENHOR? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo? Salmos 79:5; Até quando, SENHOR? Acaso te esconderás para sempre? Arderá a tua ira como fogo?  Salmos 89:46
). Os quatro aspectos do sofrimento são: solidão, porque Deus está esquecido dele; vergonha, porque parecendo que Deus não cuida dele transmite-lhe o sentimento da sua insignificância; desespero, porque ele é deixado aos seus próprios recursos, tão pobres para iludir os planos dos seus inimigos; injustiça, porque os seus inimigos têm a vantagem e estão exaltados, enquanto que aquele que busca viver retamente como diante do Senhor acha-se abatido e destituído de poder.

>Sl-13.3

b) Um temor em quatro aspectos (3-4)

Alumia os meus olhos (3); isto é, "revigoram". (Porém Jônatas não tinha ouvido quando seu pai conjurara o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão à boca, aclararam-se os seus olhos.  1 Samuel 14:27). Este é um apelo positivo entre expressões negativas. Atenta (olha ou contempla). O apelo direto: "atenta em mim, ouve-me, ó Senhor, meu Deus" -expressa o temor de que Deus não responderá a menos que seja solicitado a fazê-lo. O salmista vê-se constrangido a clamar a Deus, não só porque lhe é doloroso julgar-se negligenciado por Deus, mas também para que a morte não venha sobre si de uma forma tão inexorável como o seu próximo sono, para que os seus inimigos não sejam finalmente triunfantes sobre ele, e para que os mesmos não tenham motivo para se regozijar em virtude de finalmente ele ser removido da sociedade humana. Estes temores são obviamente paralelos aos quatro aspectos de dor nos vers. 1-2: solidão; vergonha; desespero; e injustiça.

>Sl-13.5

c) Uma certeza em quatro aspectos (5-6)

A encarar aquilo de que a sua alma está tão intensamente privada, achando-se numa posição mesmo contrária é ressaltar pela fé para uma experiência de satisfação os apelos impulsivos e as reflexões sóbrias dos versos 1-4 não representam a atitude fundamental e a disposição do seu coração. Mas eu (5); isto é, "quanto a mim confio em ti". "O meu coração se alegrará... cantarei" (5-6). O seu desânimo dá lugar à confiança na medida em que a sua fé se firma nos quatro característicos do Senhor: a sua misericórdia para com os homens (Piedoso é o SENHOR e justo; o nosso Deus tem misericórdia.
Salmos 116:5
), a sua intervenção libertadora, a sua prontidão em dar aquilo que verdadeiramente encanta os homens (Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; SENHOR, não te detenhas. Salmos 70:5), e a sua bondade abundante exatamente para o homem que tem estado sem repouso (Proferirão abundantemente a memória da tua grande bondade, e cantarão a tua justiça.
Salmos 145:7
). Esta esperança irreprimível, sempre clarificada e cristalizada pela oração, é uma das características constantes do Saltério (Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.  1 Coríntios 15:19Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu . Hebreus 6:18-19). 

domingo, 30 de setembro de 2012

Percebendo pelo poder de Deus: a natureza da verdadeira força e a Glória de Deus


II Co. 4. 4-7...nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.  Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.  Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.  Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.

Introdução:

Nesta epístola é apresentado um habito da humanidade, o de “julgar o livro pela capa”. A igreja de Corinto parece ter cedido à impressão imediata: que seria por aspecto, por aparência, por normas mundanas de sucesso. Hoje este perigo assola os cristãos modernos, pois muitos começam acreditar em sua própria notoriedade, em sua própria glória, ou ainda, crer que o sucesso é eterno.

Corinto era estimulada humanamente a ser desta forma. Esta cidade situava-se na principal rota marítima de Roma para o oriente, isto a transformara em uma importante cidade da Grécia. Fazendo-a valorizar o poder do dinheiro e glória em si mesma.

Esta Igreja foi fundada por Paulo como é relatado no livro de Atos dos Apóstolos, contudo após um tempo o apóstolo segue a fundar outras Igrejas. Num determinado tempo Paulo recebe notícia perturbadora concernente a esta Igreja. Destarte a isto, escreve a primeira epistola a esta igreja. O apóstolo retorna a segunda vez a Corinto, esta visita é chamada de “visita dolorosa”, este nome expressa os resultados desanimadores como nos é relatado (II Co. 2:1 Portanto, para não entristecê-los de novo, eu resolvi não ir ver vocês.). Julgando pela aparência o apostolo Paulo fracassou, mediante a este fracasso, deixa a cidade desencorajado e, escreve a “carta severa” que é mencionada em (II Co 2:4; 7:8-9), esta carta foi perdia. Contudo, quando é lido 2 Coríntios  notamos que a “Carta Severa” produziu bons frutos, e que renovou o apóstolo a retornar a Corinto para compartilhar sua alegria.

Entretanto, Corinto ainda tinha pessoas que estavam seguindo pregadores mais excelentes do que Paulo (no aspecto humano), que são denominados de “mais excelentes apóstolos” (II Co. 11:5; 12:11). Esses mestres, impressionantes no exterior, contrapõem ao exterior canhestro de Paulo. Sendo assim Paulo escreve segunda coríntios, que relata primeiro as coisas óbvias, e depois o que só poderá ser percebido pelo poder de Deus.


I) A aparência enganadora


a) A aparente força

A igreja de Corinto era engodada por “mestres que se transfiguraram em apóstolos” (II Co 11:13).  Estes eram pregadores profissionais abarcados de jargões de efeito, postura arrogante, verdadeiros profissionais que nada se parecia com o velho Paulo, que era obcecado em anunciar o evangelho; gastando a sua vida de um lado ao outro, apregoando a salvação em Cristo. Os “Excelentes Apóstolos”, denominados jocosamente por Paulo, produziam magníficas cartas de recomendação colocando-os acima de qualquer suspeita (II Co 3:1). Tais produziam elogios sobre si mesmos (II Co 10:12), homens que se vangloriavam em sua própria força.

Esta epístola foi escrita no primeiro século e, relata a vaidade humana de gloriar-se em si mesma, da mesma forma que é comum hoje no século 21. O apóstolo Paulo pode se referir a se “gloriar segundo a carne” (II Co 11:18), porque se gloriar é intemporal, ou seja, só Deus pode se Gloriar.


b) A aparente fraqueza

O mundo real é cheio de fraquezas humanas, e de dificuldades inevitáveis, motivo por que Paulo fala de forma enfática de seus gemidos nesse corpo debilitante (II Co. 5: 2-4 Por isso gememos enquanto vivemos nesta casa de agora, pois gostaríamos de nos mudarmos já para a nossa nova casa no céu. Aquela casa será o nosso corpo celestial, e, quando nos vestirmos com ele, não ficaremos sem corpo.  Gememos aflitos enquanto vivemos nesta barraca, que é o nosso corpo. Isso não é porque queiramos ficar livres do nosso corpo terreno; o que desejamos é receber o corpo celestial para que a vida faça com que o que é mortal desapareça). Neste mundo sempre a igreja irá precisar de um Deus que lhe console (II Co 1:4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus).


b.1) O Pobre, e sua aparente fraqueza

O mundo sempre teve pobres, pessoas que literalmente necessitam do amor do próximo para sobreviver, tais são considerados aparentemente fracos. Nos capítulos 8 e 9 de sua segunda epístola aos coríntios, Paulo expressa sua preocupações com os pobres de Jerusalém, e conclama os irmãos da Turquia e Grécia a participarem de coletas para ajudar os menos afortunados de Jerusalém e, faz referencia à pobreza dos irmãos da Macedônia que ajudaram na coleta.
1. Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; 2.  porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. 3.  Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, 4.  pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. (II Co. 8: 1-4)

As aparentes fraquezas da pobreza dos macedônios não o impediram de darem uma ajuda abundante aos necessitados.


b.2) Paulo, e sua aparente fraqueza

O apostolo Paulo ao contrário dos que se vangloriavam e se colocavam em estado de perfeição absoluta, reconhecia o seu estado de aparente fraqueza. Logo no primeiro capítulo ele declara (II Co. 1:8 Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida). Mais adiante no quarto capítulo da mesma epístola, Paulo lança mão de palavras desesperada em relação a si (II Co. 4:8-10 Em tudo somos atribulados... perplexos...abatidos... e trazendo sempre por    toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso Corpo...), mais à frente no versículo (17) Paulo refere a esta lista como sua “tribulação”. A declaração de Paulo nada  aprecia com as dos Hiper Apóstolos, no capítulo 7:5 diz: “Porque, mesmo quando  chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos atribulados: por fora combate, temores por dentro” , não há segredo da fraqueza humana em Paulo.

Paulo, era fraco corporalmente pois foi surrado (II Co 11:24) e a sua reputação estava em frangalho pois sofreu prisões, perseguições e difamações (II Co. 6:4-8); e ainda  tinha um sofrimento que lhe atribuía o perpétuo estado de fraqueza, descrito como um “espinho na carne” (II Co 12:7-8). Entretanto, Paulo era o que representava melhor a Cristo e não os “Hiper Apóstolos”. O aparente fraco Paulo declara em (II Co 5:20a De sorte que somos embaixadores da parte de  Cristo, como se Deus por nós rogasse...), Deus escolheu o fraco Paulo em vez dos fortes aos seus próprios olhos. Mas será que Deus escolheria um vaso fraco, em vez de um forte?


b.3) Deus, e sua aparente fraqueza

Parece absurdo a conjectura de uma aparente fraqueza de Deus, todavia Paulo chocou os leitores com algumas declarações quando compartilha as suas provações. Logo no primeiro capítulo é expresso “Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte (II Co. 1:9a)”,  uma frase tão obscura, mas que é reescrita com algumas modificações no quarto capítulo (II Co 4:10a levando sempre no corpo o morrer de Jesus...), que emana a compreensão, de que Paulo carrega em seu corpo a exposição da morte de Jesus para que todos vejam. É imprescindível responder a pergunta: Por quem e, para quê, Paulo foi enviado? Paulo foi enviado por Cristo, para ser seu representante e anunciar as Boas Novas de salvação. Representar a Cristo é representar a “mansidão e benignidade de Cristo (II Co 10:1)”, isto quer dizer que deve seguir a aparente fraqueza de Deus (II Co 8:9 pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos) .

Cristo se fez pobre (II Co 8:9). Ele sofreu por todos (II Co 1:5). Ele morreu por todos (II Co 5:14). Ele foi crucificado em fraqueza (II Co 13:4 Porque, de fato, foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus.). Paulo afirma que ele expõe isto em seu próprio corpo.

Este Deus aparentemente fraco, fortalece toda a humanidade que crer, por esta ser, co-participante em seus sofrimentos.


II) O poder de Deus nos tornando perceptivo

O mundo é compreendido mediante o poder de Deus que cura a cegueira que o diabo coloca nos olhos da humanidade para que não resplandeça a luz da glória de Deus (II Co 4: 4), é impossível compreender a verdadeira força e a glória de Deus se não for por fé (II Co 5:7 visto que andamos por fé e não pelo que vemos.). Este poder faz com que os que estão em Cristo enxergue que nas aparentes fraquezas se revelam o poder e a Glória, como naquele Cristo, que morre em fraqueza ressuscitou em glória (II Co 5:16 Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo). Quando o poder de Deus é derramado, é demonstrado que a guerra espiritual não é vencida segundo a fortaleza da carne, mas sim, segundo o poder de Deus (II Co 10:3-4  Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne.  Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas...), isto ocorre, pois o poder de Deus nos torna perceptivo a natureza da verdadeira força e da Glória de Deus.

a)      Percebendo a natureza da verdadeira força

A verdadeira força não procederá da ausência de tribulação, mas sim no compreender que usará tais tribulações para a glória do nome dEle (II Co 1:4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus), a verdadeira força esta na compreensão do Deus que ressuscita os mortos (II Co 1:9-10), e permanecer em pé em meio às dores pela fé em Deus (II Co 1:24), o  cristão não é suficiente em si mesmo, mas no Deus que lhe salvou.

O cristianismo é o ato do fraco confiar em Cristo, então todo cristão é fraco, pois ele depende exclusivamente de Deus para vencer a sua batalha.  Quando alguém reconhece ser fraco, Deus o fortalece (II Co. 12:10  Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte). Esta certeza  de Paulo deve-se a compreensão de que se ele  vence os percalços desta vida, vence mediante a glória de Deus em sua vida (II Co 10:17 Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor). A verdadeira  força vem do Senhor!!!

b)      Percebendo a Glória de Deus

A glória de Deus  é a realidade intrínseca e, a manifestação exterior do poder e do caráter de Deus. Esta glória, e poder é manifesta através de todos que vivem de acordo com o evangelho de Deus (II Co 3: 18  E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito).

Deus quer que os que se aproximam dEle, se lancem em seus braços, e se tornem dependentes do seu poder mesmo que estes sejam frágeis como vaso de barro (II Co 4:7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós), isto para sabermos que  a glória de Deus se manifesta nos simples de coração. Esse  é o ponto desta epístola.

Conclusão

A aparente fraqueza torna fortaleza quando o cristão compreende que Jesus morreu por ele (II Co 5:14-15  Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.), ao viver para Deus, somo inseridos em sua força e em sua Glória. E será ouvida de Deus a minha graça te basta (II Co 12: 9  Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo),  pois é esta graça a virtude do poder e da Glória de Deus em   Cristo.