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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Como superar a ansiedade e o medo

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Introdução
Ainda que tenhamos recebido a Cristo como Salvador, e com Ele o perdão de todos os nossos pecados (1Jo 1.7), continuamos vulneráveis em nossos sentimentos e emoções. Já somos novas criaturas (2Co 5.17), mas a nossa velha natureza ainda é suscetível às circunstâncias que nos advêm. Sendo assim, não é anormal ficarmos ansiosos, com medo, desanimados e abatidos. O próprio apóstolo Paulo experimentou tais sentimentos em sua vida cristã (2Co 6.4-10; 7.5-6). Mesmo o Senhor Jesus, nos Seus últimos dias, revelou a nós a tristeza do Seu coração (Mc 14.34); contudo, essa tristeza não provém de uma velha natureza no caso de Jesus e nem havia vulnerabilidade Nele.
Qual de nós não se sente ansioso e com medo diante de uma enfermidade, do desemprego, de uma crise familiar, da violência que nos cerca, dos desafios que temos que assumir ou mesmo diante das lutas pelas quais a nossa igreja passa?
O terapeuta cristão Gary R. Collins faz uma distinção entre a ansiedade normal, que é uma reação natural diante dos perigos e ameaças, que é controlada ou diminuída quando as circunstâncias exteriores se modificam; e a ansiedade aguda ou neurótica, que desenvolve sentimentos exagerados de desespero e medo, mesmo quando o perigo é inexistente. Para ambas Deus providenciou recursos para nos ajudar nestes momentos. No texto de Filipenses 4, a partir do versículo 2, notamos que a igreja ou alguns de seus membros estavam em crise de relacionamento. Aparentemente, as irmãs Evódia e Síntique andavam em desacordo. Tal desavença estava entristecendo demais os irmãos. Paulo, então, pediu a um obreiro amigo que promovesse a reconciliação (v.3) e à igreja que, resolvida a questão, voltasse a se alegrar no Senhor (v.4). Vejamos, nos versículos 6 e 7, o apóstolo Paulo ensinando o que fazer para vencer a ansiedade e o medo.
I – IDENTIFICAR A CAUSA DO PROBLEMA
Talvez a dor dos irmãos e a sua ansiedade tivessem como origem a briga das duas irmãs (v.2), e Paulo foi direto ao ponto de tensão. Ou seja, descobrir a causa da ansiedade dá início à solução do problema. Através da observação, reflexão, autoanálise, leitura da Bíblia, aconselhamento, podemos descobrir o que de fato nos preocupa. Às vezes, não é fácil esse exercício, mas pode nos fazer muito bem, se feito adequadamente. Você sabe bem as causas da sua ansiedade quando a sente? Davi, certa vez, pediu que Deus vasculhasse o seu coração e fizesse aflorar os males que ali estavam (Sl 139.23-24).
II – CONSIDERAR A AJUDA DE UM IRMÃO EM CRISTO
Depois de descobrirmos a causa de nossa ansiedade, devemos atacá-la. O apóstolo Paulo não teve dúvida, repreendeu as irmãs e as admoestou a pensarem concordemente no Senhor.
Para ajudar na resolução do conflito, pediu ajuda de um obreiro. Não sabemos quem era esse “companheiro de jugo” (v.3), mas o certo é que a sua ajuda foi muito importante naquela hora. Todo crente deve ter os seus companheiros de jugo, aquelas pessoas que, em momentos difíceis, ajudam-no em oração e aconselhamento. Esse apoio fraternal é de especial significado quando o problema é o tratamento do medo e da ansiedade. A Bíblia afirma que o “perfeito amor lança fora o medo”. Collins, já citado, afirma que o inimigo do medo é o amor. Especialmente, demonstrar o amor de Cristo é ajudar também aqueles que sofrem de ansiedade e medo. Pregar o evangelho do Salvador com paciência e amor é a melhor maneira de levar outros a expulsar de sua vida o medo e a ansiedade.
III – ALEGRAR-SE SEMPRE NO SENHOR
Possivelmente a crise de relacionamento das duas irmãs estava tirando a alegria da igreja. De fato, toda divisão no corpo de Cristo traz consigo uma tristeza imensa. Talvez seja por isso que Jesus orou tanto pela unidade de Seus filhos ( Jo 17.11).
No entanto, em meio às lutas, os irmãos foram exortados a se alegrar no Senhor (v.4). Por  maiores que sejam as lutas sempre haverá no Senhor, motivo de alegria. No versículo 6, no meio da ansiedade e medo, deveria, ainda assim, haver ações de graças. Se olharmos somente para os problemas, ficaremos mais ansiosos ainda. Se olharmos para alegrar sempre Nele.
Segundo Collins, alegrar-se, para os cristãos, é uma ordenança permanente do Senhor, pois Ele disse que jamais nos deixaria. Temos ainda a expectativa de Sua volta e da vida com Ele num lugar especialmente feito para nós, Seus filhos. Baseados nessa promessa, podemos viver livres do medo. Precisamos conhecer a palavra do Senhor para que sejamos consolados e fortalecidos!
IV – CONFIAR EM DEUS EM ORAÇÃO
Em Filipenses 4.6, está escrito que a oração é o melhor remédio à ansiedade e ao medo. Foi em oração que muitos dos heróis da Bíblia aprenderam a confiar no Senhor.
Jó orou muito durante a sua crise existencial. Foi crescendo tanto em confiança em Deus que, no final de suas provações, ele declara: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” ( Jó 42.5). Ana, por sua vez, foi embora contente após ter orado com tanta dedicação ao Senhor e ouvido as palavras do sacerdote Eli (1Sm 1.9-18). Asafe se mostrou confiante na soberania de Deus após entrar no santuário e orar (Sl 73.17-28). À medida que confiamos mais no Senhor em oração, menos a ansiedade e o medo habitam em nós. Em Mateus 6.25-34, o Senhor Jesus ensina que não devemos ficar ansiosos com a nossa vida. O que devemos fazer é buscar o reino de Deus e a Sua justiça (v.33). A oração vence a ansiedade. Quem ora bastante vive bem.
Conclusão
O texto de Filipenses começa relatando uma crise de relacionamento (v.2), mas termina com uma promessa de paz (v.7). É possível ter a paz de Cristo ocupando o lugar do medo e da ansiedade em nossa mente e coração, mesmo que as circunstâncias externas não mudem.
O que determina a paz no barco não é a ausência da tempestade lá fora, mas a presença de Jesus do lado de dentro (Mt 8.23-27). Jesus nos prometeu uma paz que o mundo não pode dar ( Jo 14.27), no entanto, afirmou, também, que no mundo teríamos aflições ( Jo 16.33). Paz não é a ausência de problemas e aflições, mas é uma dependência completa do cuidado de nosso Pai Celeste. Que os recursos espirituais citados neste texto nos ajudem a vencer a ansiedade e o medo. Que o Espírito Santo aplique em nosso coração Filipenses 4.2-8, o que nos fará muito bem. Faz-nos bem refletir esta estrofe de um hino que diz: “Com Tua mão segura bem a minha, e pelo mundo alegre seguirei. Mesmo onde as sombras caem mais escuras, Teu rosto vendo, nada temerei” (H.M. Wright).

sábado, 26 de janeiro de 2019

Uns vão, outros ficam… mas há uma só missão


Introdução
Há pouco tempo, ouvi em uma pregação um pastor relatar sobre um trabalho  missionário no leste europeu e concluir dizendo: “Ainda bem que Deus tem os vocacionados dele para lá e não me chamou para trabalhar em um lugar como esse”. Também é comum ouvir frases, tais como: “os missionários vão para os campos, enquanto nós ficamos aqui na retaguarda, orando e contribuindo”.
Sem dúvida, há um conceito teológico por trás disso que parece haver se solidificado em nosso meio. Um conceito que, gostando ou não, forma o “pano de fundo bíblico” que norteia grande parte das nossas igrejas, nossas lideranças, nossos irmãos e até nossos missionários. O conceito é o de que os missionários vão para os campos (normalmente lugares longínquos, primitivos, dolorosos ou exóticos) cumprir sua vocação (entendida ainda pela grande maioria como sendo o abandono de seus familiares, de seu trabalho, de seu salário… de sua vida) e fazer a obra missionária (a verdadeira obra missionária está paulatinamente deixando de ser entendida como “transcultural”, para ser considerada como a “plantação de grandes igrejas em nossos bairros”), enquanto nós continuamos aqui, e daqui mantemos o trabalho missionário com nossas orações e contribuições.
Diante desse conceito popular, corremos o risco de acreditar que somente os vocacionados que vão para campos são os verdadeiros missionários. Mas ao olhar para o texto bíblico, notamos que é salutar essa dinâmica em que uns se transferem para outras regiões e assumem ministérios específicos, enquanto outros continuam em sua terra desenvolvendo seus ministérios de sempre. Em linhas gerais, essa dinâmica missionária da igreja aponta claramente para a existência de uma só missão na qual estamos todos envolvidos e participando. Há alguns elementos no texto que demonstram isso de modo mais claro.
1. Recebidos com alegria pelos irmãos (v. 17)
A felicidade demonstrada pelos irmãos de Jerusalém ao receberem Paulo e sua equipe em sua igreja e em suas casas indica o grau de envolvimento desses irmãos com os missionários recém-chegados e com a obra que estavam realizando. Essa alegria foi traduzida em hospitalidade, em cuidados, em descanso, em comida quentinha e em aconchego. Era uma forma concreta de envolvimento gracioso e de realizarem, eles mesmos, parte da vocação recebida de Deus. Isso nos faz lembrar das sábias palavras de João: “devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade” (3Jo 8). Portanto, há uma só missão!
2. Evangelizar os gentios e os judeus (v. 19-20)
Paulo relatou seu trabalho entre os gentios e o Conselho da igreja de Jerusalém relatou seu trabalho entre os judeus daquela cidade. Uns precisaram deixar suas pátrias para evangelizar, enquanto outros não. Eram relatos de ministérios missionários específicos, com alvos diferentes, com métodos de abordagem próprios, com desafios teológicos, filosóficos e sociais particulares. Quanto a isso, é bom notar que o relato que inclui as maiores dificuldades (21.20-22) foi o do Conselho de Jerusalém, justamente os que estavam evangelizando seus vizinhos em seu próprio bairro. O importante é ver que ambos, os que foram enviados a terras estranhas e os que ficaram, estavam profundamente comprometidos com a evangelização de todos os seres humanos e não consideravam como superior o seu trabalho nem o dos demais. Portanto, há uma só missão!
3. Prestando contas (v. 18-19)
O texto é muito claro ao mostrar que Paulo se reuniu com Tiago e todos os presbíteros da igreja “contou minuciosamente [um a um] o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério”. O apóstolo reconheceu a necessidade de prestar contas do seu trabalho de maneira minuciosa e completa, sem máscaras, triunfalismos ou apelos emotivos.  Ele descreveu a ação de Deus. Paulo e seus companheiros somente puderam agir desse modo por reconhecerem que o Conselho da igreja de Jerusalém e demais irmãos dali faziam, como ele, parte da ação de Deus no mundo e estavam comprometidos com essa ação. Além disso, vale a pena observar que a equipe paulina também reconhecia, respeitava e honrava seu próprio vínculo eclesial com a igreja que enviava. Portanto, há uma só missão!
4. Paulo e seus companheiros seguiram a orientação dada pelo Concílio (v. 23-26)
A liderança da igreja precisava orientar o procedimento de Paulo, uma vez que os judeus convertidos ainda se mantinham ligados à observância dos preceitos do judaísmo e se enfureceriam ao saber que Paulo estava em Jerusalém, pois ele ensinava aos gentios que não era necessário seguir o judaísmo e sim guardar o que o Concílio de Jerusalém havia determinado (21.25; 15.22-35). Por um lado, o Conselho orientou o apóstolo porque sabia muito bem qual seria a reação daqueles judeus. Por outro lado, notamos que o apóstolo seguiu as instruções do Conselho cumprindo alguns votos do judaísmo (algo que ele supostamente já havia abandonado). Não julgou ser autossuficiente como apóstolo e missionário bem-sucedido para “passar ao largo” a decisão do Concílio. Antes, ele reconhecia que Deus o estava guiando por meio da decisão da igreja em missão (não os considerava como “os que estão confortavelmente atrás de uma mesa”) e, dessa forma, nos demonstra seu caráter enérgico e decidido sob o controle do Espírito Santo. Aliás, essa não foi a primeira vez que Paulo recebeu e seguiu instruções de um Conselho. Vemos a mesma atitude em 15.36-41, no caso da desavença com Barnabé. Portanto, há uma só missão!
Conclusão
Uns vão, outros ficam… Mas há uma só missão! Creio que essa é uma lição que precisamos aprender uma e outra vez ao longo da nossa jornada missionária como igreja de Deus militando no mundo. É preciso que todos (os que vão e os que ficam) nos vejamos como verdadeiros enviados de Deus à humanidade (quem quer que seja e onde quer que esteja). A todos nós Deus vocacionou e a igreja é a comunidade dos enviados de Cristo ao mundo. Podemos dar as mãos e aprender, dia a dia, a caminhar juntos como um só povo, com uma só missão!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Porque Eu Tenho Este Espinho?


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Eu tenho um “espinho na carne”. Eu não gosto disso. Eu muitas vezes gostaria de não tê-lo. Às vezes estou exasperado com isso. Isso torna quase tudo mais difícil, diariamente me perseguindo enquanto eu cuido da minha família, vocação e responsabilidades ministeriais – quase tudo que faço. Isso me enfraquece. Muitas vezes sinto que seria mais eficaz e frutífero sem isso. Eu supliquei a Deus, às vezes em lágrimas, para que seja removido ou por mais poder para superá-lo. Mas ele permanece.

Não, não vou explicar o que é. Os detalhes não são pertinentes ao ponto que quero fazer, e acho que eles realmente tornariam este artigo menos útil. Porque você tem seu próprio espinho na carne, ou se você viver o suficiente você terá um (ou mais). O seu será diferente do meu, mas o seu propósito será semelhante. Porque nos são dados espinhos que nos enfraquecem significativamente, a fim de nos tornar mais fortes.

O Espinho Mais Famoso
Recebemos o termo “espinho na carne” do apóstolo Paulo:

E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Coríntios 12:7)


O espinho de Paulo está entre as aflições mais famosas da história, e nem sequer sabemos o que era. Tem havido muita especulação ao longo dos anos. O espinho de Paulo poderia ter sido uma aflição física. Isto é plausível, dada toda a violência física e privação que ele sofreu (2 Coríntios 11:23-27), e alguns pensam que ele pode ter sofrido de uma doença ocular (Gálatas 4:15).

Ou desde que ele se referiu ao seu espinho como um assediador “mensageiro de Satanás”, ele poderia ter sido vulnerável a significativas lutas espirituais e psicológicas. Isto é plausível, dado o trauma cumulativo de perseguir violentamente os cristãos, sofrendo perseguição violenta, vivendo em constante perigo como cristão, e depois vivendo diariamente com “ansiedade por todas as igrejas” (2 Coríntios 11:28).

Ou dado o contexto de 2 Coríntios 11–12, seu espinho poderia ter sido os “super-apóstolos” e os falsos irmãos constantemente o perseguindo e causando estragos nas igrejas que ele plantou (2 Coríntios 11 5,26). Ou pode ter sido algo completamente diferente.

O fato de que nós realmente não sabemos o que o espinho de Paulo se mostrou ao mesmo tempo misericordioso e instrutivo para nós. É misericordioso porque, dadas as várias possibilidades, todos nós podemos nos identificar com Paulo até certo ponto em nossas aflições. É instrutivo porque o espinho de Paulo não é o ponto. O ponto é o propósito de Deus para o espinho.

Enviado pelas Mãos de Deus
Paulo faz duas declarações surpreendentes e, de certo modo, inicialmente perturbadoras, sobre seu doloroso espinho – na mesma frase:

E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Coríntios 12:7)

A primeira afirmação incrível que Paulo faz é que Deus lhe deu seu espinho. É claro a partir do contexto que Paulo identificou Deus como doador do seu espinho, não Satanás. E ele entendeu que o propósito de Deus era manter Paulo humilde e dependente do poder de Cristo (2 Coríntios 12:9).


Agora, a maioria de nós não consegue se identificar com os tipos de revelações que Paulo recebeu, e quando lemos os tipos de sofrimento que Paulo experimentou (2 Coríntios 11:23-27), é provavelmente seguro assumir que nossos espinhos não são profundos como o dele. Mas o propósito de Deus em nossos espinhos é semelhante.

O orgulho, em todas as suas manifestações, é o nosso pecado mais penetrante e o mais perigoso para nós espiritualmente. Qualquer coisa que Deus nos dê para nos manter humildes e em espírito de oração, depende dele é um grande presente – mesmo quando esse dom nos causa dor. E aqui vemos claramente que Deus disciplina seus filhos com aflição, a fim de protegê-los de terem sua alegria destruída pelo pecado do orgulho. Pense nisso: a dor pode nos proteger da dor; a dor redentora pode nos proteger da dor destrutiva.

Assédio Satânico
Mas a segunda alegação surpreendente que Paulo faz é mais chocante: a dor redentora que Deus deu a Paulo para protegê-lo da dor destrutiva de seu orgulho foi entregue a ele por “um mensageiro de Satanás”. De repente, nos encontramos em uma parte ainda mais profunda da piscina teológica. E dada a facilidade com que Paulo diz isso, ele claramente espera que os cristãos possam nadar aqui.

Satanás nos perfura com um espinho de Deus? Sim. Isso nos incomoda? Nos incomoda que isso não tenha incomodado Paulo? Paulo não sente necessidade de qualificar ou explicar como Deus pode dar ao seu filho um presente redentor da dor através de meios malignos. Por quê? Porque esse fenômeno ocorre em toda a Bíblia. Paulo conhece o seu Antigo Testamento como as costas da mão, e tem verdades como esta tecida em toda a parte: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande.” (Gênesis 50:20). E ele sabe que o dom mais redentor da dor na história, a morte de Cristo, o Senhor, nos foi dado pelos meios mais malignos.

Nossos espinhos redentores também podem ser entregues por um mensageiro satânico. Mas podemos saber isso: será apenas mais uma maneira pela qual Deus “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:15). Nosso Deus é tão poderoso e tão sábio que ele pode trabalhar todas as coisas – incluindo nossos espinhos satanicamente entregues – para o nosso bem (Romanos 8:28). Confiança neste tipo de soberania é o que alimenta nossa satisfação alegre e confiante, enquanto experimentamos a fraqueza e o cansaço de nossa aflição.

Perfurado para um Propósito
Assim como os de Paulo, nossos espinhos nos enfraquecem. Às vezes eles são visíveis para os outros, mas muitas vezes estão escondidos da visão pública, conhecidos apenas por aqueles que nos conhecem melhor. E eles nunca são românticos, nunca são heróicos. Em vez disso, quase sempre nos humilham de maneiras constrangedoras e não nobres. Eles não apenas parecem impedir nossa eficácia e frutificação, mas também são mais propensos a diminuir em vez de melhorar nossa reputação. É por isso que nós, como Paulo, pedimos a Deus para removê-los (2 Coríntios 12:8).

Mas é assim que nossos espinhos devem ser. Porque, se fossem nobres e heróicos, se aprimorassem nossa reputação, não nos ajudariam em nada nos proteger de nosso orgulho difundido. É por isso que, como com Paulo, Deus frequentemente responde aos nossos pedidos de libertação com um “não”. Porque sem o espinho, nunca experimentaríamos que “a graça [de Deus] é suficiente para [nós]”, que o seu “poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9).

É por isso que temos nossos espinhos. Eles são enfraquecedores que nos fortalecem. Sem eles, escolheríamos uma força mais fraca e perderíamos a experiência da glória da poderosa graça de Deus e obteríamos menos alegrias como resultado. É apenas mais um paradoxo maravilhoso do reino: nossos espinhos agonizantes acabam produzindo maior alegria em nós e, finalmente, nos tornam mais eficazes e frutíferos. Quanto mais pressionamos esse paradoxo, mais diremos com Paulo,

De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.   (2 Coríntios 12:9-10)

Jon Bloom (@Bloom_Jon) serve como autor, presidente do conselho e co-fundador da Desiring God. Ele é autor de três livros, Not by Sight, Things Not Seen, and Don’t Follow Your Heart.  Ele e sua esposa moram em Twin Cities com seus cinco filhos.

Fonte: Why You Have That Thorn

Traduzido por Felipe Barnabé

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NASCIMENTO, TREINO E CHAMADA DE MOISÉS (Êx 2.1-7.7)




a) Os primeiros oitenta anos de Moisés (Êx 2.1-22)

Note-se a simplicidade e o tom de veracidade neste relato, em contraste com as lendas elaboradas que registram o nascimento dos heróis da mitologia. Um varão... uma filha (1). A omissão de seus nomes não indica que o autor não os conhecesse. Mas trata-se antes de um sinal da modéstia de Moisés. Compare-se isso com as referências de João a si mesmo, em seu evangelho. Filha de Levi (1), isto é, descendente de Levi. Arca de juncos (3). A palavra tebah,  uma "caixa" ou "baú" (provavelmente um termo egípcio), é usada somente aqui e para designar a arca de Noé. Os "juncos" eram canas de papiro, um material empregado para muitas finalidades no Egito, até mesmo para a construção de grandes barcos. Conf. #Is 18.2. Nos juncos (3). Na vegetação da margem, onde a arca seria menos notada e onde ficaria impedida de flutuar rio abaixo. Sua irmã (4). Miriã é a única irmã de Moisés mencionada nas Escrituras. Ver #Nm 26.59. A julgar pelas suas ações, aqui registradas, ela deve ter tido doze anos ou mais de idade naquela ocasião.

>Êx-2.6

O menino chorava (6). Naturalmente, em tais circunstâncias! Mas o choro do infante foi usado, na providência de Deus, para comover o coração da princesa. Dos meninos dos hebreus é este (6). Crianças egípcias talvez também costumassem ser rejeitadas, mas aquele menino "famoso", tão cuidadosamente aninhado, não podia ser senão um dos meninos dos hebreus. Tomou o menino, e criou-o (9). A mãe de Moisés foi capaz de criar seu próprio filho em sua própria casa, até desmamá-lo, no fim de seu primeiro ano de vida, ou, talvez, de seu segundo ou terceiro ano (conf. II Mac. 7.27), quando então o trouxe de volta à filha de Faraó, para ser educado no palácio real. Não somos informados se ela continuou em sua companhia ali, mas bem podemos acreditar que ela implantou nele as raízes da fé no verdadeiro Deus, que orientou sua conduta posterior. O adotou (10). Ele desfrutou dos privilégios e da educação de um filho adotivo da princesa. Esses privilégios ele mais tarde renunciou (#Hb 11.24) mas nunca perdeu os benefícios de sua educação (#At 7.22). Chamou o seu nome Moisés (10). A palavra hebraica, Mosheh, provavelmente é uma forma do termo egípcio mesu, que significa criança, filho, substantivo esse derivado de um verbo que quer dizer "produzir", "retirar". Daí a explicação, dada neste versículo, sobre a razão pela qual ela lhe deu esse nome. A palavra hebraica mashah também significa "retirar", e o jogo de palavras, portanto, podia aparecer no hebraico, o que não pode aparecer na versão portuguesa.

>Êx-2.11

Sendo Moisés já grande (11). De acordo com Estêvão (#At 7.23), tinha "quarenta anos" completos. Saiu a seus irmãos (11). Ele não permanecera na ignorância sobre sua verdadeira raça. "Foi este o primeiro sinal daquela poderosa simpatia e terna afeição pelo seu povo que o caracteriza" na narrativa inteira, e que culmina no patético grito: "Perdoa o seu pecado, se não risca-me, peço-te, do teu livro" (#Êx 32.32), (Rawlinson). Feriu ao egípcio (12). Moisés não tinha justificativa para esse ato, nem pela lei da terra nem aos olhos de Deus. Ele tinha boas intenções, mas mesmo suas melhores intenções eram produto de um espírito ainda não sintonizado à vontade de Deus. Daí a necessidade de mais quarenta anos de disciplina, antes que seu coração e mente estivessem plenamente habilitados para receber a revelação dos propósitos e leis de Deus. Na areia (12). Note-se a minúcia de detalhe. Moisés escreveu sobre aquilo que viu. Os homens de Israel atribuíram a Moisés um ofício que ele realmente não demonstrou (14). Não podiam entender seus verdadeiros motivos (#At 7.25). Sua precipitada ação do dia anterior fez com que suas ações posteriores ficassem sujeitas a tais errôneas interpretações. Procurou matar a Moisés (15). Na execução razoável da justiça. Midiã (15). O território aqui referido provavelmente era a porção sudeste da península do Sinai.

>Êx-2.16

Sacerdote de Midiã (16). Ver #Êx 18.12. Quanto à relação entre os midianitas e israelitas, ver #Gn 25.2. Adoravam ao mesmo Deus verdadeiro. Reuel (18) significa "Deus é amigo". Quanto ao nome Jetro ver anotação sobre #Êx 3.1. Um homem egípcio (19). A julgar por sua aparência e vestuário. Gérson (22). Nome derivado de ger, " um estranho", e de sham, " ali".

>Êx-2.23

b) A chamada de Moisés (Êx 2.23-4.17)

Depois de muitos destes dias (23). Quarenta anos depois de sua fuga do Egito. Ver #Êx 7.7. Suspiraram por causa da servidão (23). O novo Faraó não tinha aliviado o rigor da opressão. De conformidade com a data mais provável, o Faraó da opressão foi o poderoso Tutmés III, mas alguns pensam que foi Ramsés II. Muitas edificações de ambos os monarcas existem até hoje. Conheceu-os Deus (25). Conf. #Sl 31.1; #Os 13.5. Deus prestou atenção a eles e com simpatia entendeu os sofrimentos e sentimentos de Seu povo. Contrastar com #Mt 7.23.

Êx-4.18

c) Moisés retorna ao Egito (Êx 4.18-31)

Meus irmãos (18), isto é, parentes. Essa era uma parte, mas não o total, do propósito de Moisés ao retornar ao Egito. Vai, volta (19). Moisés ainda estava se demorando em cumprir a comissão dada por Deus. A vara de Deus (20), isto é, seu antigo cajado, ainda que agora dotado do poder divino.

>Êx-4.21

Endurecerei o seu coração (21). É dito que Faraó endureceu o seu próprio coração, ou que seu coração foi endurecido, em #Êx 7.13 (ver anotação), #Êx 7.14-22; #Êx 8.15,19,32; #Êx 9.7,34-35; e também que Deus endureceu o coração de Faraó, em #Êx 9.12; #Êx 10.1,20,27; #Êx 14.4,8. Essa ação é predita em #Êx 4.21; #Êx 7.3. Note-se que esse endurecimento é primeiramente atribuído principalmente ao próprio Faraó, e mais diretamente a Deus só mais tarde. Deus não causa positivamente a rebeldia do homem contra Si, mas Ele conformou de tal maneira o coração do homem que, cada vez que ele se recusa a fazer a vontade de Deus torna-se menos responsivo à próxima chamada ou mandamento. A consciência, assim, torna-se menos sensível, e o coração se vai endurecendo. O homem endurece seu próprio coração, mas na linguagem bíblica, "os acontecimentos, quer físicos ou morais, que são o resultado inevitável do arranjo divino do universo, são referidos como se fossem operação direta de Deus" (Hertz). Em adição a essa significação da frase devemos notar que, tendo Faraó uma vez endurecido seu próprio coração, Deus o feriu diretamente com um endurecimento do qual era-lhe impossível ser renovado para o arrependimento (conf. #Hb 6.4-6), tanto como uma penalidade como a fim de demonstrar sobre ele o Seu poder (#Rm 9.17-18), conforme também ficou demonstrado tanto na queda do Faraó como na libertação do povo de Deus.

>Êx-4.22

Israel é meu filho, meu primogênito (22). Isso não subentende a suposta paternidade universal de Deus, como se as outras nações também fossem Seus filhos, mas significa que Israel foi primeiramente eleita para receber filiação espiritual "para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios" (#Gl 3.14). Ver #Rm 8.14-17.

>Êx-4.24

Numa estalagem (24). Simplesmente um lugar de descanso. E o quis matar (24). Talvez por meio de uma enfermidade. Parece que isso foi um castigo por ele ter negligenciado quanto ao dever de circuncidar seu filho. Antes que Moisés pudesse apresentar os mandamentos de Deus perante Faraó e os israelitas, ele mesmo não podia omitir qualquer deles. Daquela maneira drástica Deus levou Moisés ao ponto da total obediência, a preparação necessária para poder ser ele usado em Seu serviço. Um esposo sanguinário (25). Em heb. hathan-damim, lit., "cortado com sangue". Essa expressão era aplicada a um jovem noivo, circuncidado antes do casamento. Estas palavras foram dirigidas a seu filho, denotando o cumprimento do rito do concerto, ou a seu marido, que assim lhe era restaurado como noivo. Qualquer que tenha sido a significação exata, seu ato anulou o divino desprazer. E desviou-se dele (26). Deus poupou Moisés. Foi provavelmente nessa altura que Moisés mandou de volta a Jetro sua esposa e seu filho (ver #Êx 18.2-3). Os sinais (30) eram os milagres dos versículos 3-9.

Êx-5.1

d) A primeira petição a Faraó e seu resultado (Êx 5.1-6.1)

Uma festa (1). Ver 3.18 nota. Quem é o Senhor? (2). Uma expressão de desprezo; mas Faraó, à semelhança até de muitos israelitas, talvez ignorasse o nome. O Deus dos hebreus (3). Essa descrição tinha mais probabilidade de ser entendida por Faraó. Por que fazeis cessar o povo...? (4), isto é, por que os distraís com essa conversa sobre peregrinação? etc. O povo da terra (5). Heb., ’ am ha-ares. Este termo usualmente denota pessoa comum, mas aqui, como também em #Gn 23.7, provavelmente significa "o concílio dos anciãos" que tinha vindo com Moisés e Aarão. Faraó deixa subentendido que muitos deles não estavam trabalhando. Palha (7). Ou para reforçar a massa, ou para impedir que se pegasse nos moldes. Estão ociosos... não confiem em palavras de mentira (8,9). Satanás freqüentemente apresenta a adoração a Deus como uma coisa vã, própria somente para aqueles que nada mais construtivo têm a fazer. Rastolho (12). No Egito apenas as cabeças das espigas eram cortadas, deixando longas tiras de palha para os israelitas cortarem, carregarem e esmiuçarem, antes de usá-las na fabricação dos tijolos. A palavra também pode incluir todas as outras espécies de refugo do campo.

>Êx-5.19

Estavam defronte deles (20). Os oficiais (19) estavam esperando por eles, quando vieram da presença de Faraó, para saber qual o resultado da entrevista. Tornou Moisés ao Senhor (22). Como quem constantemente repetia sua comunhão com Deus. Por que...? (22). Será que Moisés ter-se-ia esquecido da advertência de #Êx 3.19? Contudo, existia agora um outro problema, pois, em lugar de uma negação franca, Faraó havia aumentado as cargas dos israelitas além da tolerância humana. Agora verás (#Êx 6.1). Quanto maior fosse a violência de Faraó, maior seria a manifestação do poder de Deus em livrar. Por uma mão poderosa (1), isto é, compelido pela forte mão de Deus. Ver #Êx 3.19.

Êx-6.2

e) As promessas e a comissão renovadas (Êx 6.2-13)

Eu sou o Senhor... (2,3). Contrariamente às afirmações da moderna crítica, Deus não estava aqui anunciando a Moisés um novo nome pelo qual Ele deveria ser chamado. Mas os versículos que seguem demonstram que Deus estava declarando que tinha chegado o tempo d’Ele cumprir a aliança feita com seus pais, e de fazer aquilo que Ele tinha prometido. Portanto, Ele fortaleceu a fé de Moisés e dos israelitas, reafirmando Seu caráter (ver anotação sobre #Êx 3.14). Ele é o Deus observador de Suas alianças, e foi nesse aspecto de Seu caráter que Ele agora se revelava especialmente ao Seu povo, cumprindo as promessas do concerto feito com seus pais, pelo que também o nome "Jeová" deveria, dali por diante, ser associado à relação de aliança entre Deus e Seu povo. Seus pais também empregaram este nome, "Jeová", mas o aspecto de Seu caráter que Ele então revelara particularmente a eles foi o aspecto de Seu poder, no que tangia especialmente à multiplicação de sua descendência (#Gn 17.1-2; #Gn 28.3; #Gn 35.11).

>Êx-6.3

Deus Todo-poderoso (3) não significa um nome de Deus (as palavras "pelo meu nome" não se encontram no original hebraico), mas trata-se de uma frase descritiva, "o Deus que é todo-poderoso". Os israelitas, nos dias de Jeremias e Ezequiel, continuavam conscientes do nome "Jeová", mas #Jr 16.21, "saberão que o meu nome é o Senhor (Jeová)" -uma frase freqüentemente encontrada em Ezequiel -prova que era o caráter de Deus, subentendido por esse nome, que eles não conheciam. Assim, em #Êx 6.7, o significado é que eles viriam a conhecer que Ele era Jeová, Deus deles, não por ouvir anunciado esse nome, mas por experimentar Seus atos de poder e amor. Outra maneira legítima de traduzir o versículo 3, mas que dá uma diferente significação, é, "Permiti-me aparecer a Abraão, a Isaque e a Jacó como El Shaddai, e nem mesmo a eles me permiti ser conhecido pelo meu nome Jeová?" Ver também anotações sobre #Gn 2.4; #Gn 17.1; #Dt 5.11.

>Êx-6.4

Meu concerto (4). Ver anotações sobre #Gn 6.18; #Gn 15.7-21; #Dt 4.13. Resgatarei (6). Essa é a primeira instância do uso desta palavra na Bíblia, a qual expressa um dos elementos fundamentais do ato divino da salvação. A redenção de Israel, tirando-o do Egito, figura proeminentemente, nas Escrituras, como um tipo de nossa redenção do pecado. O termo heb. gaal, significa "reivindicar" ou "resgatar", especialmente como o parente resgatava a propriedade ou a pessoa de um parente incapaz de fazê-lo. Dessa maneira Deus, o divino Parente, cujos recursos são inexauríveis, resgata Seu povo incapacitado, ao custo do exercício de Seu poder sobrenatural tornando-o Sua própria propriedade peculiar (versículo 7). Conf. #Is 43.1. Juízos (6). Os atos de poder eram um julgamento contra o opressor. Ver #Dt 4.1 nota. Eu vos tomarei por meu povo (7). Conf. #Êx 19.5-6, etc. Israel foi escolhido para ser o meio pelo qual Deus trouxe ao mundo a Sua revelação sobre Sua própria Pessoa e sobre Sua salvação. E serei vosso Deus (7). Ele tinha uma relação especial para com Israel; todavia não deixou de ser o Deus da terra inteira. Eu sou o Senhor (8). A mensagem se encerra com ás mesmas palavras com que teve início. É selada em ambas as extremidades com a autoridade do Deus vivo e fiel.

>Êx-6.11

Que deixe sair (11). Uma exigência maior que a primeira. Ver 3.18 nota. Incircunciso de lábios (12). Não se trata de qualquer admissão de pecaminosidade, mas uma repetição de sua queixa em #Êx 4.10, que ele era pesado de língua. Semelhantemente a "os seus ouvidos estão incircuncisos" (#Jr 6.10), que quer dizer alguém que "não pode ouvir". Conf. #Lv 26.41.

>Êx-6.14

f) As genealogias de Moisés e Aarão (Êx 6.14-27)

Casas de seus pais (14). Um termo técnico para "clãs" ou "famílias". Rúben e Simeão são incluídos aqui possivelmente para mostrar a posição relativa de Levi na família de Israel, e para mostrar que na dispensação de Deus nem sempre aquele que nasce primeiro é o "primogênito" em lugar de honra e liderança. Joquebede, sua tia (20). Esse nome significa "Jeová é minha glória". É mais uma prova do conhecimento do nome Jeová desde antes do tempo de Moisés. Ver 3.14-15 nota. O casamento de um homem com sua tia era algo permitido até ser dada a lei de #Lv 18.12. Corá (21). Portanto, ele era primo de Moisés. Ver #Nm 16.11. Seus filhos não pereceram juntamente com ele, e seus nomes são dados no versículo 24 como cabeças de importantes famílias sacerdotais. Eliseba (23). Um nome melhor conhecido em sua forma helenizada: Isabel. Seus exércitos (26), isto é, organizados em arranjo ordeiro, por suas tribos, famílias, etc.; não uma multidão desordenada. Não há sugestão aqui a estarem equipados de armas militares.

>Êx-6.28

g) A comissão retomada (Êx 6.28-7.7)

A narrativa dos versículos 2-12, interrompida pelas genealogias, é retomada neste ponto.

Êx-7.8

III. AS PRAGAS, A PÁSCOA E O ÊXODO (Êx 7.8-15.21)

a) A Faraó é dado um sinal (Êx 7.8-13)

Fazei por vós algum milagre (9). Provai vossas reivindicações mediante algum ato sobrenatural. O mesmo com os seus encantamentos (11). Mediante hipnotismo e diversos outros truques, podiam fazer uma cobra ficar rígida como uma vara. Nenhum poder sobrenatural é subentendido aqui.

>Êx-7.14

b) As primeiras nove pragas (Êx 7.14-10.29)

As pragas não apenas provocavam grande aflição física; mas eram um julgamento contra os deuses do Egito. O rio Nilo era um dos principais objetos de adoração; a rã era sagrada como símbolo da fertilidade; dentre o gado, o carneiro, o bode e o boi eram sagrados; o deus-sol, Rá, foi eclipsado e provado como impotente mediante a praga das trevas. "Sobre todos os deuses do Egito, farei juízos: Eu sou o Senhor" (#Êx 12.12).

1. O NILO TRANSFORMADO EM SANGUE (#Êx 7.14-25). Ele sairá às águas (15). Ou para banhar-se ou para atender alguma festa religiosa. O milagre foi anunciado com antecedência (17) a fim de que Faraó pudesse perceber que não se tratava de uma maravilha desconexa, mas uma prova que o Senhor tem o poder de cumprir Seus desígnios e decretos. Tornar-se-ão em sangue (17). Em #Jl 2.31 o sangue é usado em sentido metafórico, mas aqui provavelmente deve ser considerado em sentido literal. O rio ocasionalmente se tornava avermelhado devido à presença de certas matérias vegetais, mas aqui não aconteceu puramente a intensificação de um fenômeno natural; foi um milagre por causa do qual os próprios peixes morreram e a água se tornou nojenta. Os magos... fizeram o mesmo (22). Talvez por meio de truques ilusórios; mas ver 8.18 nota. Água limpa era obtida provavelmente como no versículo 24. Cavaram... para beberem água (24). O versículo 19 indica que toda água derivada do rio Nilo se transformara em sangue. Mas água obtida de outras fontes continuava pura. Sete dias (25). Depois disso Deus permitiu que fluísse água pura do alto rio para limpar o baixo curso do rio.

Êx-11.1

c) Advertência sobre a última praga (Êx 11.1-10)

O Senhor disse (1). Melhor tradução: "O Senhor dissera", pois o verbo está no mais-que-perfeito, registrando uma palavra de Deus a Moisés, antes de sua entrevista com Faraó. Peça (2). Ver 3.22 nota. Moisés era mui grande... aos olhos do povo (3). Em resultado das maravilhas que ele operara, a sua consideração para com o povo, dando-lhes a devida advertência. Moisés escreveu assim sobre si mesmo, não sem modéstia, mas a fim de explicar por que o povo esteve tão pronto a dar suas jóias, etc. Disse mais Moisés (4). A continuação do discurso de Moisés a Faraó. À meia-noite (4). Qual noite, não foi especificado. Todo o primogênito (5). A palavra hebraica significa a descendência masculina. O primogênito dos animais (5). Diversos desses animais eram considerados como objetos de adoração. Nem ainda um cão moverá a sua língua (7). Uma expressão proverbial. Para que as minhas maravilhas se multipliquem (9). Conf. #Êx 7.3. A voluntariedade de Faraó, agora intensificada pelo julgamento de Deus, serviu para atrair o exercício do poder de Deus, a fim de impressionar tanto os egípcios como os israelitas com Sua justiça e Seu poder.

Êx-12.1

d) A instituição da Páscoa (Êx 12.1-28)

O princípio dos meses (2). O Êxodo foi, espiritual e nacionalmente, um acontecimento que marcou época. Conf. #Nm 1.1. Até então o ano judaico tinha começado com o mês de Tisri, perto do equinócio do outono. O mês em que sucedeu a saída, o mês de Abibe, era no equinócio da primavera. Os judeus começavam agora seu ano civil no mês de Tisri, mas seu ano sagrado começava no mês de Abibe. Um cordeiro (3). Essa palavra pode significar igualmente bem tanto um cordeiro como um cabrito (ver versículo 5), mas parece que eram quase universalmente empregados cordeiros. As casas dos pais (3), isto é, a família. O primeiro e básico festival de Israel foi um festival em família. A pureza da vida familiar é o fundamento tanto da prosperidade espiritual como da prosperidade nacional. Pequena (4). Dez homens, além das mulheres e crianças, eram considerados o mínimo para consumir um cordeiro. Sem mácula (5). Conf. #1Pe 1.19; #Hb 7.26; #Hb 9.14. Não apenas todas as ofertas a Deus devem ser tiradas do melhor, mas aquele cordeiro também deveria tipificar o imaculado Cordeiro de Deus. De um ano (5), isto é, não mais que um ano de idade, a idade da inocência. Guardareis (6). Para permitir perfeita inspeção. Os negócios pertencentes a Deus nunca devem ser feitos às carreiras. À tarde (6). Lit., "entre as tardes". Isso significa ou "entre o pôr do sol e o fim do crepúsculo" ou então "entre o arrefecer do dia, cerca das 15 horas, e o pôr do sol". De qualquer maneira, de acordo com Josefo, o cordeiro era morto entre as horas nona e décima primeira, ou seja, entre as 15 e as 17 horas. Note-se que foi na hora nona (15 horas) que Jesus clamou com alta voz e entregou o espírito (#Mt 27.45-50).

>Êx-12.7

Tomarão do sangue... (7). A explicação dos detalhados requerimentos, nos versículos 7-10, só pode ser visto se percebermos neles um tipo sobre Cristo. Somente pelo sangue é que há livramento da destruição; o cordeiro era assado no fogo para simbolizar o fogo da ira de Deus que foi tolerado pelo Salvador; aqueles que se alimentam d’Ele devem pôr de lado o fermento da malícia e da maldade (#1Co 5.8), e devem comê-Lo com as ervas amargosas do arrependimento; tudo deveria ser consumido: se é fisicamente impossível fazer isso comendo-o, então pode ser feito pelo fogo, visto que a oferta de Cristo foi completa e Ele deve ser recebido em Sua inteireza.

>Êx-12.11

Assim pois o comereis (11). Isso se aplica somente à Páscoa realizada no Egito, e não às celebrações subseqüentes; todavia, os redimidos sempre devem ser como aqueles que não têm habitação permanente neste mundo. Ver #Lv 23.4-5; #Nm 28.16-25 quanto às celebrações da Páscoa no deserto: e ver #Dt 16.1-8, que reafirma as regras, em vista de sua observância na terra prometida. Os vossos lombos cingidos (11). Amarrando de encontro ao corpo suas longas vestimentas soltas. Apressadamente (11). Como prontos para atender a qualquer momento a chamada para a partida. É a páscoa do Senhor (11). A palavra "páscoa", referindo-se usualmente ao ritual inteiro, é aqui aplicada somente para o cordeiro pascal, tal como em #1Co 5.7. "Páscoa" se deriva do verbo pasah,  "passar por cima", incluindo a idéia de "poupar e proteger". Ver versículo 13. Todos os deuses do Egito (12). Cada deus egípcio era representado por algum animal, e estaria impotente para proteger seu próprio representante. Eu sou o Senhor (12). Conf. #Êx 6.2,6,8,29, etc. Vos será (13). Em vosso interesse. Por sinal (13). O sangue, nas vergas e ombreiras das portas, seria uma evidência, para Deus, que o sacrifício tinha sido efetuado, e que os moradores exerciam fé em Suas promessas. Aos tais Ele libertaria. Memória... por estatuto perpétuo (14). Da mesma maneira que a Ceia do Senhor é um memorial que deve ser observado perpetuamente, "até que Ele venha".

>Êx-12.15

As instruções dos versículos 15-20 se referem não à ocasião imediata, mas às futuras observações dessa festividade. Fermento (15). Usualmente um símbolo de corrupção e pecado, mas nem sempre. Ver #Mt 13.33; também versículo 34 nota. #Lv 2.11 nota. Cortada (15). Não morta, mas banida da congregação de Israel. Ver #Gn 17.14 e nota. Ao primeiro dia... santa convocação (16). Esse primeiro dos sete dias era o dia seguinte ao do abatimento do cordeiro pascal, isto é, o dia 15 de Abibe. O termo "convocação" provavelmente se deriva do fato do povo ser convocado juntamente para reunir-se no tabernáculo, talvez por meio das trombetas de #Nm 10.2. Nenhuma obra se fará (16), isto é, nenhum trabalho servil. Conf. #Lv 23.7. Estrangeiro (19). Em heb. ger. Os estrangeiros que aceitassem o rito da circuncisão e a lei do Senhor eram incluídos na congregação e considerados como israelitas. Ver #Dt 1.16 nota. Natural da terra (19). Israelita por descendência natural.

>Êx-12.21

Tomai (21), isto é, dentre o rebanho. Um molho de hissopo (22). O formato dessa planta tornava-a particularmente apropriada para aspergir o sangue da expiação, e, devido o seu freqüente uso para esse propósito, veio a tornar-se um símbolo de purificação espiritual. Conf. #Sl 51.7. Nenhum de vós saia (22). Somente debaixo da cobertura de sangue é que há proteção. O Senhor passará aquela porta (23). Conf. versículo 13. Destruidor (13). O anjo destruidor (#2Sm 24.16), chamado de "praga" no versículo 13. Isto (24). O sacrifício do cordeiro (17,27), e não a aspersão do sangue nas vergas e ombreiras das portas, que se aplicou somente a esta ocasião. Como tem dito (25). Ver #Gn 12.7, etc. Quando vossos filhos... (26). A educação espiritual no lar é o fundamento do caminho de Deus para a vida do homem. A observância do rito provia oportunidade dos pais recontarem a história dos poderosos atos e promessas de Deus. Semelhantemente, as duas ordenanças cristãs fornecem ocasião para nos lembrarmos, na mente e no coração, da obra e das palavras do Senhor Jesus Cristo.

>Êx-12.29

e) A décima praga e a partida para fora do Egito (Êx 12.29-51)

De noite (31). Tão grande era a aflição dos egípcios que Faraó fez um apelo imediato a Moisés. Provavelmente Moisés em realidade não se apresentou a Faraó. Ver #Êx 10.29. O primogênito de Faraó (29). A praga culminante cumpriu a primeira advertência de Deus a Faraó (#Êx 4.23). Abençoai-me também (32). Para evitar maiores calamidades. Note-se a extrema humilhação de Faraó, ainda que sem contrição de coração. Ver #Êx 14.5. Sua massa, antes que levedasse (34). Naquela ocasião o pão ainda não estava levedado, devido à pressa. Conf. versículos 11,39. O pão asmo, nas celebrações subseqüentes, servia de lembrete sobre isso e também incluía a noção de liberdade da corrupção. Ver versículo 15 nota. Pediram (35). Ver 3.22 nota. Emprestavam-lhes (36). Melhor ainda, "deixavam-nos ter". Ramesses (37). Ver #Êx 1.11 e segs. Cousa de seiscentos mil de pé (37). Uma cifra arredondada, representando os 603.550 de #Nm 1.46. Varões, sem contar os meninos (37). Uma anotação para indicar que apenas os adultos masculinos foram incluídos naquela cifra. Fica subentendido, naturalmente, que as mulheres não foram contadas. Uma mistura de gente (38). Ver #Nm 11.4. Vários estrangeiros, não incluídos na "congregação de Israel", também saíram com os israelitas; contrastar com versículo 19. Grande multidão de gado (38). Nem todos os israelitas tinham sido obrigados a prestar trabalho escravo.

>Êx-12.40

Quatrocentos e trinta anos (40). Isso corresponde à cifra arredondada de 400 anos, em #Gn 15.13-14. É natural ler as palavras, aqui e no livro de Gênesis, como a referir-se à duração do tempo de permanência no Egito; porém, a Septuaginta, Paulo (#Gl 3.17), e a tradição rabínica contam os 430 anos a partir do tempo da promessa feita a Abraão, e, nesse caso, devemos entender a palavra "habitaram" (peregrinaram) como incluindo também o período anterior de peregrinação na terra de Canaã. Nenhum filho do estrangeiro (43). Não o ger do versículo 19, mas o estrangeiro não circuncidado, tais como o da "mistura de gente" (38,45). Conf. #Cl 2.11. Mas todos, quer servos ou vizinhos, que estivessem dispostos a aceitar o Deus de Israel como seu próprio Deus, seriam bem recebidos e convidados para a festa da páscoa (44,48-49). Nem dela quebrareis osso (46). Ver #Jo 19.33-36. Nada pode destruir o caráter completo de Cristo e daqueles que, n’Ele, são um com o Pai. Uma mesma lei... (49). O povo de Israel era o povo escolhido de Deus e também os mediadores de Sua salvação para com o mundo, mas Ele nunca tencionou que fossem uma raça exclusiva. #Is 56.3-8 mostra quão aberta estava a porta para os outros, mesmo sob a antiga aliança.

Êx-13.1

f) Santificação e redenção dos primogênitos (Êx 13.1-16)

Santifica-me todo o primogênito (2). "Separa como sagrados". É razoável que a vida que Deus tinha poupado fosse devotada a Ele (#Rm 12.1). Assim como a celebração anual da Páscoa relembrava a nação a respeito de sua grande redenção, igualmente a dedicação dos primogênitos conservava fresca a memória disso em cada lar. Lembrai-vos deste mesmo dia (3). A santificação dos primogênitos foi associada ao dia do livramento; por conseguinte, Moisés prefaciou suas instruções referentes aos primogênitos com uma renovada exortação concernente a observância da Páscoa, o memorial daquele dia. Ver #Dt 5.15 nota. Quando o Senhor te houver metido na terra (5). Conf. #Dt 6.3-15. A prosperidade tende a fazer com que o homem se esqueça das misericórdias passadas; daí a necessidade desses vívidos memoriais.

>Êx-13.9

Sinal sobre tua mão (9). "Tephillin" ou "filactérias" eram usados pelos homens judeus, quando empenhados em oração. Pergaminhos, sobre os quais eram escritas três passagens da lei (#Êx 13.1-10; #Dt 6.4-9; #Dt 11.13-21) eram dobrados metidos em caixinhas que eram seguras ao pulso esquerdo e à testa por meio de fitas. Conf. #Mt 23.5. Dessa maneira contavam com um perpétuo lembrete sobre as lições do êxodo. Este estatuto (10), isto é, a páscoa. Jumenta (13). Sendo um animal impuro, não podia ser sacrificada, e, portanto, tinha de ser redimido, isto é, seu lugar era ocupado por um substituto. Cortar-lhe-ás a cabeça (13). Ninguém podia escapar da lei. Se o dono do animal não estivesse disposto a sacrificar um cordeiro, o jumento estava condenado; se não fosse devotado a Deus, então era destruí-lo. Na prática essa era uma salvaguarda eficaz da lei, visto que um jumento era muito mais valioso, comercialmente falando, que um cordeiro. Teus filhos resgatarás (13). Não com um cordeiro, mas mediante dinheiro (#Nm 3.46-47). Nenhuma sugestão de sacrifício infantil jamais mancha as páginas da lei. Será por sinal (16). Ver versículo 9 nota.

>Êx-13.17

g) A travessia do mar Vermelho (Êx 13.17-14.31)

Pelo caminho... dos filisteus (17). A rota direta, ao longo da costa, que teria demorado uma quinzena. Armados (18), isto é, provavelmente não, equipados com armaduras ou armas de guerra, mas sim, "organizados". Numa coluna de nuvem (21). Como sinal e orientação para a marcha do povo, mas também como sinal visível da presença de Deus. Eles marchariam parte da noite e também parte do dia, descansando nas horas mais quentes.

Êx-15.1

h) O Cântico de Moisés (Êx 15.1-21)

As palavras, ao Senhor (1), ferem a nota chave desse cântico. Nos versículos 1-12 Moisés atribui ao Senhor a glória exibida na vitória acabada de conquistar; nos versículos 13-18 ele profetiza a vindicação da soberania do Senhor, introduzindo Seu povo na herança que Ele lhes prepara. O Senhor (2) é a fonte de seu poder, o tema de seu cântico, o autor de sua libertação e preservação; consequentemente, Ele é o objeto de sua adoração e de seu louvor; o mesmo Deus, tanto para ele como para seus antepassados.

>Êx-15.2

Portanto lhe farei uma habitação (2). Melhor ainda: "Portanto, louvá-lo-ei". O Senhor é varão de guerra (3). A vivacidade poética dessa descrição não nos deveria deixar cautelosos quanto à verdade desse fato, tão evidentemente provado pelos acontecimentos do capítulo anterior, e pelas visões do último livro da Bíblia (#Ap 19.11). Tua destra (6). Nesta altura o cantor se volta e dirige o cântico diretamente para Deus. Nenhuma expressão abstrata seria mais apta que esta frase antropomórfica para descrever o poder ativo de Deus. Ela é freqüentemente usada nas Escrituras, tanto neste sentido como também como a sede da autoridade divina.

>Êx-15.8

Os abismos coalharam-se (8). Não sólidos como gelo, mas em formação vertical contrária à natureza. Entre os deuses (11). A superioridade de Deus sobre aqueles que não são deuses, e que Ele acabara de derrotar, é declarada de três maneiras: o imaculado brilho de Sua santidade, a reverência que Ele inspira naqueles que O adoram e louvam, e a maravilha de Seus atos miraculosos. Ver #Dt 6.14 nota; 32.21 nota.

>Êx-15.13

O versículo 13 marca a transição para a passagem profética. A força do tempo verbal, no hebraico, neste versículo, é presente, e os verbos seriam melhor traduzidos como: "guias" e "levas". À habitação de tua santidade (13) pode referir-se ao monte Sinai, a Canaã ou ao monte Sião. Os povos (14), ao redor, conforme exemplificados no versículo 15. Ouvindo falar na miraculosa derrota dos egípcios, temeriam a vinda dos israelitas. Exemplo disso #Js 2.9-11.

>Êx-15.16

Adquiriste (16). O heb. tem a idéia de tempo presente neste verbo. O sacrifício da páscoa é um sinal que o livramento de Seu povo não foi feito sem custo para Deus. O êxodo foi um ato de redenção, e prefigurou o custo, para o Pai de redimir a humanidade por intermédio do Seu Filho. No monte da tua herança (17). Provavelmente se refere à terra prometida de Canaã, em sua totalidade, pois, na intenção de Deus, já se tratava de um país montanhoso na posse de Israel, tal como, em Seu irresistível propósito, o Seu santuário foi com efeito estabelecido no monte Moriá. O Senhor reinará (18). A vitória sobre o Egito, que forma o tema do cântico, servia apenas de exemplo quanto ao reino eterno de Deus.

O cântico termina no versículo 18. O versículo 19 é um sumário dos acontecimentos que ocasionaram o cântico. Miriã, a profetisa (20). Miriã foi a primeira das mulheres, referidas nas Escrituras, a exercer um ministério especial. Conf. #Jz 4.4; #Lc 2.36, etc. Danças (20). Danças solenes como expressão de adoração, embora apropriadas para os tempos de Moisés e dos salmistas, são capazes de abusos, e nunca encontraram um lugar geralmente aceito na adoração da Igreja Cristã. Miriã lhes respondia (21). O coro, usando um estribilho, empregava as palavras iniciais do cântico de Moisés (1).


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Chamados para gerar



Chamados para gerar

João 4:14 ...aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.

                Quem é Jesus Cristo? Em João 1:1-2 (1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. 2 Ele, a Palavra, estava no princípio com Deus) mostra quem é Jesus Cristo e, quem foi Jesus Cristo. O Logos de Deus, a própria palavra de Deus e isto crer que Ele é quem criou a própria criação (Gênesis 1:1 No princípio, Deus criou os céus e a terra), Deus cria tudo que existe pela sua Palavra (João 1:14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade. A proclamação de João Batista), esta Palavra é a Graça, a Verdade e Águas de vida eterna.
                Em (João 15: 3 Vós já estais limpos, pela Palavra que Eu vos tenho transmitido.) a palavra é que vos limpa para o Seu Designo que é de mudar o Mundo em sua plenitude (João 17:17 Santifica-os pela tua verdade; a tua Palavra é a verdade. Efésios 5:26 a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água por meio da Palavra...). Mudar o Mundo é transformar do seu estado de pecado para um estado de santidade pela Palavra dEle, assim despertar o verdadeiro amor que fará demostrar a graça de Deus a outros (1 Pedro 1:22 Considerando, pois, que tendes a vossa vida purificada pela obediência à Verdade que leva ao amor fraternal não fingido, amai uns aos outros de todo o coração).
                A lição em missões é poder ter um coração desprendido do ódio e, sim apegando ao amor para com todos, tanto, aos amigos como inimigos (Lucas 6:35 Concluindo, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem se desesperar por receber de volta. Então, sendo assim, grande será o vosso prêmio, e sereis filhos do Altíssimo. Porquanto Ele é bondoso até mesmo para com os ingratos e ímpios). Desta forma missões é viver o amor de Cristo a todas as nações da Terra 1 João 3:16, viver como o Senhor viveu neste Mundo se despindo de se mesmo (Filipenses 2 …6 o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, 7 mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos. 8 Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz.) Para demonstrar o amor de Cristo, tem de se esvaziar, se despir (Mateus 20:28 Assim como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como único resgate por muitos”. Os cegos recuperam a visão) e, aprender a servir, ou seja, seguir o ministério de Jesus Cristo (João 20:21).
                Para isto a necessidade de um verdadeiro arrependimento (Mateus 3:2 “Arrependei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”)., arrepender é voltar a Deus, e voltar a Deus é buscar fazer as obras dignas de arrependimentos, que são as obras de Jesus Cristo (Lucas 3 …7João repreendia as multidões que vinham para ser batizadas por ele: “Raça de víboras! Quem lhes persuadiu a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, então, frutos que demonstrem arrependimento. E não comeceis a cogitar em vossos corações: ‘Abraão é nosso pai! ’. Pois eu vos asseguro que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. 9 O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo”…). Estas obras envolvem os desígnios de Deus, e seus decretos e propósitos concernente a humanidade.
                Deus declara através de Ezequiel (Ezequiel 18…31 Livrai-vos de todos os erros e maldades que praticastes contra a minha pessoa; criai em vós um coração renovado, e um espírito novo; por que havereis de escolher a morte, ó Casa de Israel? 32 Porquanto não tenho nenhum prazer na morte de quem quer que seja, afirma Yahweh, o SENHOR Deus. Convertei-vos, pois, e vivei!), por este motivo, Deus separou um povo a pregar o evangelho (Mateus 28 …18 Então, Jesus aproximando-se deles lhes assegurou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos”). Neste anuncio do evangelho amplia os seus feitos, pois é dado a um crescimento da obra de Cristo, pela sua longevidade até a sua vinda, podendo então declarar o evangelho a todos que necessitam clamar para serem salvos (Romanos 10…8 Mas o que ela diz? “A palavra está bem próxima de ti, na tua boca e no teu coração”, ou seja, a palavra da fé que estamos pregando: 9 Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo! 10 Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.).   A Palavra traz libertação, cura, vida arrependimento e salvação, então, gerai frutos em grande quantidade.

                Assim, a igreja é ordenada a cumprir a ordenança de Jesus Cristo vos deu que é a de fazer discípulos por toda a terra (Mateus 28 …18 Então, Jesus aproximando-se deles lhes assegurou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos”.). O “fazei” discípulos está no imperativo, gerar um discípulo faze parte do ide, mas, demanda mais tempo. Os discípulos deverão saber que Jesus é a porta do Reino, que deve se arrepender e buscar o batismo no em Jesus Cristo, o dom do Espirito Santo e guardar todas as coisas que Jesus ordenou (Atos 2: 38 Orientou-lhes Pedro: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em o nome de Jesus Cristo para o perdão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo). Então, considera a ação do que devemos fazer discípulos, sua resume em falar da obra de Cristo e do Espirito Santo.

sábado, 2 de setembro de 2017

A Verdadeira Religião




Texto: I Cor. 16:14

                Não há dúvida quando se fala de vida cristã, se falará de uma vida de amor. Este pensamento é válido, porque no Calvário é demonstrado o verdadeiro amor para uma humanidade sem amor. E quando somos cristãos; somos membros da Igreja de Cristo, uma comunidade mui amada. Por ser parte do corpo de Cristo, estes são chamados a viverem em amor para com Deus, e uns pelos outros. A vida em amor é cumprimento mais perfeito da Lei de Deus (Rom. 13:8-10; Gla. 5:14; I Tim. 1:5).

                Deus não só tem amor por nós, mas, também gera este amor por nós. Nenhum crente gera amor por si mesmo, todavia este amor é gerado por Deus na vida destes, tal amor vem quando o cristão encontra o caminho dEle. Não é que uma pessoa se tornou muito boa quando aceitou a Cristo, foi o amor de Deus que foi derramado em sua vida (Rom. 5:5); Deus nos dá um Espírito de amor (II Tim. 1:7), é o primeiro fruto apontado por São Paulo (Gal. 5:22).

                O amor comunitário só poderá ser ensinado e doado pelo próprio Deus (I Tes. 4:9). É o Senhor que faz os cristãos transbordarem de amor uns pelos outros (I Tes. 3:12). Só existirá amor verdadeiro quando este amor estiver em Cristo (I Tim. 1:14) e "no Espírito Santo" (Col. 1:8); bem da verdade é o amor produzido pelo Espírito. Não há dúvida que o amor é resultado da atuação do Espírito Santo.

                Quando analisamos a igreja, notamos que a Igreja deve viver em amor (Ef. 5:2), quando isto não acontece devemos sofrer as mais duras críticas (Rom. 14:15). O amor por natureza é algo habitual, devemos praticar todos os atos de amor (I Cor. 16:14). Não existe nada dentro da Igreja invisível mais notório que o Amor (I Cor. 13: 1-3). Quem imbui a si características do Amor, se aproxima da vida que Deus idealiza para os seus filhos: estes são perseverantes e gentis, e não orgulhosos (I Cor. 13:4). Quem ama não é egoísta, não é irascível e também não guarda rancor (I Cor. 13:5). Fica feliz quando a verdade prevalece, não quando a maldade se fortalece (I Cor. 13:6). O amor dura para sempre (I Cor. 13: 7,13).
                O amor deve ser a busca obsessiva do cristão, este deve perseguir tal objetivo com avidez (I Cor. 14:1; II Tim. 2:22); não deveremos achar que o Amor surgirá sem nos esmerarmos a procurá-lo. O baldrame da vida cristã é o amor (Ef. 3:17); é algo maravilhoso "poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3:18-19). Em mundo a onde os seres humanos são estigmatizados pelo egoísmo, pelas guerras, pelos ódios, pelos preconceitos, Deus projeta para a igreja uma identificação diferente; uma identificação dada pelo o Amor e o amar. O vínculo da Igreja de Cristo é do amor (Col. 2:2), que é o vínculo da perfeição (Col.3:14). Pois, a edificação do Corpo de Cristo, é feito em Amor  (Ef. 4:16) e pelo Amor (I Cor. 8:1). São Paulo tinha uma esperança, de que a Igreja de Cristo demonstrassem este amor (II Cor. 2:8; 8:8; Gal. 5:13), e o mesmo ora a Deus para que seja super abundante (Filp. 1:9).

                Muitos hoje vivem uma vida de fé mistica, sobrenatural, buscando mover montes, e abrir mares, ressuscitar mortos e curar enfermos pelo poder desta fé, entretanto se esquecem de que a verdadeira Fé é vivenciada pelo o AMOR verdadeiro (Gal. 5:6). Não há rituais, mandingas que te levará a cumprir a vontade de Deus, somente o cuidado com o próximo é o que Deus quer de nós (Is 58:1-12), e não uma religião de aparência. Neste tempo temos de viver uma vida direcionada no verdadeiro AMOR para que possamos vivenciar uma verdadeira religião (A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. Tiago 1:27).