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domingo, 3 de julho de 2016

O amor de Deus: compreendendo para não se afastar deste Amor



Texto: Judas 21 Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo os leve para a vida eterna.

Quando é permitido estudar sobre o amor de Deus, poder-se-ia afirmar que tal reflexão é mui prejudicada, pelo que é demonstrado no decorrer da vida cristã. O homem proporciona a si mesmo a visão de um Deus antropomórfico e antropopático, para haver melhor compreensão dEste. Deus o mesmo se expressa assim pelos seus profetas, no decorrer das Santas Escrituras: antropomórfico, forma humana (Exod. 15:3; Num.. 12:8) com os pés (Gen. 3:8; Exod. 24:10); mãos (Exod. 24:11; Josh. 4:24); boca (Num. 12:8; Jer. 7:13); e do coração (Os. 11:8). Antropopático, sentimento humano (Gn 6, 6) ciúmes, vingança, ira (Naum 1:2); amor (João 3:16; 1 João 4:8) etc.. Então para compreender é necessário entender a Deus como Espírito (Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. João 4:24), ou seja, buscar o entendimento pelo que Ele É; sendo assim, Ele é causa sui  podemos dizer que ser causa de si equivale a ser eterno, isso implica em não poder “ser explicada pela duração ou pelo tempo, ainda que se conceba a duração sem começo e sem fim” (Espinosa). Destarte, Deus É (Disse Deus a Moisés: "Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês". Êxodo 3:14) antes do próprio princípio Deus é (Gên 1:1). Sendo assim, Deus é atemporal, “existe” antes do tempo, podendo então compreender que sendo sentimentos temporais, Deus não os possui. Então como ver o amor de Deus?
Primeiramente dever-se-ia ver o amor de Deus da maneira bíblica, contudo a Sagrada Escritura explica o amor de Deus em cinco facetas de expressão.
Prmeiro é o amor peculiar do Pai pelo Filho, e do Filho pelo Pai. Tal amor é expressivo no evangelho escrito pelo apóstolo João, este amor utiliza duas palavras gregas agapaõ e phileõ (João 3:35; 5:20). Este amor intra-Trinitariano é o exemplo de Deus para o Mundo, aponto deste se tornar uma ponte de compreensão de Deus, e de sua vontade (João 14:31).
O segundo Amor expresso nas Escrituras Sacras é o denominado providencial sobre tudo o que Ele fez. Em termos usual a Bíblia não usa a palavra amor para este tipo de amor, mas é muitíssimo fácil de identificá-lo, em Genesis 1 Deus anuncia que tudo que fez foi bom. Este é o produto de um Deus amoroso. O Senhor amoroso cuida de sua criação mesmo que aparentemente não aparenta ter valores (Mateus 6:26; 10:29). Este exemplo é para acalentar aos que padecem, pois o Senhor sempre cuida de sua criação.
O terceiro amor demonstrado nas Escrituras é a postura salvadora em relação ao mundo caído. O texto áureo da Bíblia (João 3:16) demonstra este grade amor. Deus em Cristo revelado a este Mundo caído trazendo o anúncio da Salvação a todos, desvendado o Mistério oculto em Deus na eternidade (Romanos 16:25-27). O que é muitíssimo importante, é que este amor tira os eleitos do Mundo como foi à exemplo com os Apóstolos (João 15:19). É certo que Deus se coloca como Juiz deste Mundo, mas é Ele também que oferece a única e última chance deste Mundo se arrepender (Ezequiel 33:11).
O quarto amor é aos eleitos, que é efetivo e seletivo de Deus. Este amor é balizado pela soberania do Senhor, de eleger em si e não nos méritos de outrem. Exemplo prático é o da eleição de Israel como uma nação que seria representante da glória de Deus neste Mundo (Deut. 7:7-8; 4:37; 10:14-15). Este amor é extremamente diferente dos exemplos supracitados, este é o amor peculiar dirigido unicamente aos eleitos (Mal. 1:1-3). Isto é semelhante ao amor de Cristo a igreja (Efésios 5:25).
O quinto amor é o condicional ou providencial, isto é, condicionado a obediência. Este amor tem haver com o crescimento de nosso conhecimento dEle, tendo em vista,  o alerta de Judas 21, que alerta aos leitores de sua epístola à "conservar neles o amor prático de Deus ", está claro que este não é o amor providencial de Deus. Nem é este amor eterno e eletivo.
Jesus Cristo também fala sobre este assunto de maneira direta e franca em (João 15:9), os orientando a estarem neste amor. "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor" (João 15:10).
Permanecer neste amor é também orientação contida nos dez mandamentos "E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" (Êxodo 20:6), ou seja, Deus deseja expressar seu amor, todavia, não de qualquer forma ou maneira, mas trazendo o direito pela obediência de seus eleitos (Efeitos 1:1-13).
Destarte, há compreensão deste amor fervoroso, convidativo e exigente, que é exibido de forma clara e enfática na Cruz, "Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Cor. 5:14-15). Assim, todos os salvos são devedores deste amor.

sábado, 2 de julho de 2016

Adoção



Gálatas 4:5: “Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.

O dom da justificação, isto é, a presente aceitação por Deus, o Juiz do mundo, é acompanhada pelo dom da adoção, isto é, o dom de a pessoa poder tornar-se filho do Pai Celestial (Gl 3.26; 4,4-7). No mundo de Paulo, a adoção se fazia comumente de jovens adultos, homens, de bom caráter, que se tornavam herdeiros e mantinham o nome da família de pessoas ricas que, de outro modo, não teriam filhos. Paulo, contundo, proclama a adoção graciosa de Deus, que adota indivíduos de mau caráter, para se tornarem “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Rm 8.17).

A justificação é a benção básica sobre a qual se fundamenta a adoção; a adoção é a bênção culminante para a qual a justificação abre caminho. O status de adotado pertence a todos os que recebem Cristo (Jo 1.12). Em Cristo e através de Cristo, Deus ama seus filhos adotivos, como ama a seu Filho unigênito, e partilhará com eles a glória que Cristo usufrui agora (Rm 8.17, 38-39). Os crentes estão sob o cuidado e disciplina paternais de Deus (Mt 6.26; Hb 12.5-11). Eles devem orar a Deus que é seu próprio Pai do céu (Mt 6.5-34), expressando desse modo o instinto filial que o Espírito Santo implantou neles (Rm 8.15-17; Gl 4.6).

Adoção e regeneração constituem duas realidades que permanecem juntas, como dois aspectos da salvação assegurada por Cristo (Jo 1.12-13), porém são realidades que devem ser distinguidas entre si. A adoção resulta num novo relacionamento, enquanto que a regeneração é uma mudança de nossa natureza moral. Contudo, a conexão entre elas é clara. Deus quer que seus filhos, a quem ele ama, tenham o seu caráter e, para isso, ele toma providências.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Justiça Social na Bíblia



O conceito da justiça aparece cedo na vida da criança e na história da humanidade. Crianças novas questionam a parcialidade que um pai ou mãe pratica. João Carlos Ortiz usou a ilustração dos seus filhos, num encontro de pastores em Recife. Quando os pais convidaram hóspedes para um jantar, eles serviram Coca Cola. Antes de sentar a mesa um dos filhos menores começou a se queixar amargamente que ele foi injustiçado, porque o copo dele tinha menos refrigerante do que os irmãos.

Justiça é um tema frequente na Bíblia e infinitamente mais importante do que ter mais ou menos Coca Cola num copo. A palavra diakaiosune é formada do conceito de dikaioo (justificar) e dikaios (justo) e palavras correlatas, dike (penalidade em 2 Ts 1.9) e diakaiosis (em Rm 4.25 e 5.18 “justificação ou absolvição). Esta família de palavras nos ajuda entender que “justiça social” significa agir de modo justo ou reto.  No hebraico a palavra tsadhak (justificar), tseddik (justo) e tsedek ou tsedhakah (retidão ou justificação) é a principal fonte deste conceito no Novo Testamento (cf. D.E.H. Whiteley,The Theology of St. Paul, Philadelphia, 1964, p. 157).  Praticar justiça seria praticar boas obras do modo que Jesus ordenou: “Assim brilhe a luz de você diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.16). Paulo faz eco deste conceito de Jesus dizendo: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nos praticarmos” (Ef 2.10).

Neste mundo caído, a necessidade da prática de justiça se tornou prioritária.

Disse um judeu, Chaim Perelman o seguinte: “Justiça é... uma das noções mais altamente respeitadas em nosso universo espiritual. Todos os homens – cristãos, religiosos e incrédulos, tradicionalistas e revolucionários – invocam a justiça e nenhum deles ousa contradizê-la. A busca da justiça inspira as admoestações dos profetas hebreus e as reflexões dos filósofos gregos. Ela é invocada para proteger a ordem estabelecida, assim como para justificar a sua derrubada..., um valor universal” (cit. R. Shedd, Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, S. Paulo, ed. Revisada, 2013, p.10). Se, então, justiça é um valor universal, como devemos explicar a injustiça nas indescritíveis e horríveis atrocidades praticadas pelos alemães sob o comando da Adolf Hitler e as chacinas promovidas pelos socialistas na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas? 

Acredito que pelo fato de que Deus foi misericordioso conosco, e nós fomos recriados na imagem de seu Filho, cai sobre nós a responsabilidade de mostrar misericórdia para com os necessitados. Esta conclusão é reforçada pela parábola que o Senhor contou dos dois servos endividados. O primeiro devia uma quantia de dez mil talentos, uma dívida do tamanho do Oceano Pacífico. O servo não tinha com que pagar, o mestre credor o perdoou. Outro servo dele tinha uma dívida de um valor em torno de R$ 500,00. Este pediu que o seu credor o tratasse com paciência, dando-lhe tempo para pagar, mas recusou. O resultado foi que o servo com a dívida de tamanho astronômico foi cobrado por seu credor, e forçado pelos torturadores a pagar tudo que devia (Mt 18.23-35). Ainda que esta parábola fosse contada por Jesus no contexto da pergunta de Pedro sobre a obrigação de perdoar as ofensas, sua aplicação bem pode tratar da área de justiça social. Na essência, justiça social trata de misericórdia e não da penalidade de nosso merecimento.

Qualquer aplicação de um texto que seja legítimo faz parte da responsabilidade de interpretar o texto coerentemente, de maneira que não ofereçamos algum significado que o próprio texto não admite. A parábola do servo impiedoso trata de dívidas e não especificamente de “justiça social”. Portanto a pergunta que devemos levantar seria questionar se cristãos têm alguma dívida para com a sociedade em geral, além de suas obrigações relativas à família de Deus. Se a resposta for “sim”, então logo surge a pergunta: “Quais são os limites dessa dívida”? Paulo não menciona a dívida que ele tem com os coríntios, de onde escrevia sua famosa carta aos romanos. Certamente houve muita gente vivendo na miséria em Corinto. Mas, ele reconhece sua dívida. A dívida dele era tanto “a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma” (Rm 1.14,15). 

Acredito que Paulo teria dito em resposta a esta pergunta que a pregação do evangelho é a melhor obra, o mais alto nível de amor que podemos mostrar para os perdidos. A pregação da informação que daria aos condenados à miséria eterna teria prioridade sobre qualquer responsabilidade social. Com uma facilidade incrível as igrejas do primeiro mundo do século 19 se dividiram sobre esta questão. Os de inclinação mais liberal decidiram que o mundo precisava ser melhorado. Precisava de justiça social. O movimento marxista ofereceu a solução materialista. Seria apenas necessário instalar o sistema em que os trabalhadores ganhem todo o benefício do seu trabalho e não dar aos donos das indústrias e terras o direito de tirar seu lucro injusto. 

Os evangélicos discordaram, concluindo que nenhum sistema de redistribuição da renda da produção poderia compensar a vida eterna. O resultado foi, então, que o movimento missionário enviou milhares de missionários do primeiro mundo para o terceiro. Em grande parte a preocupação com os condenados perante Deus (Jo 3.36) estavam no terceiro mundo. As igrejas se dedicaram à tarefa inacabada no mundo da América Latina, da Ásia e da África. A decisão de dar atenção à Bíblia em detrimento da ação social surgiu da maneira que interpretaram a Bíblia. Os evangélicos entenderam que o problema maior era a distância de Deus em que o homem perdido vivia que, consequentemente, o condenaria ao inferno. Isto seria muito mais sério do que os problemas sociais, tais como a fome, a opressão de governos totalitários ou a falta de emprego. Os evangélicos entenderam que a transformação de vidas submetidas a Deus pela fé mudaria as condições de injustiça que dominava os países incrédulos. Baseados nas mudanças profundas que a Reforma trouxe para Europa Ocidental e a América do Norte, concluíram que os melhoramentos que o mundo precisava estavam embutidos no próprio evangelho. Se a maioria dos homens se convertesse, e obedecessem à Bíblia, o resultado seria a diminuição dos males do mundo.

O teólogo C. F. H. Henry chamou a atenção para o “estreitamento da mensagem evangélica, limitando-a a transformação do indivíduo, e o consequente fracasso em opor-se aos males sociais” (The uneasy Conscience of Modern Fundamentalism, Grand Rapids, 1947, pp.23-26). Os teólogos latinos, tais como René Padilla, Samuel Escobar, Orlando Costas e muitos outros, também aceitaram a posição de críticos. Perceberam que o evangelho proclamado pelos missionários anglo-saxões no Terceiro Mundo era incompleto, omitindo o ensino sobre a fundamental preocupação do Reino de Deus com a justiça.

Os liberais pensaram diferentemente. Baseado na crença que todos os homens já são “filhos de Deus”, a evangelização era desnecessária. 

O evangelho social com as boas obras praticadas alcançaria um mundo mais justo, mas pacífico e mais próximo daquilo que a Bíblia chama de Reino de Deus. O evangelho social promoveu esta interpretação da Bíblia, de que o Reino seria uma sociedade pacífica, integrada racialmente, e abundante em termos de suprimento de alimentos, roupas e educação.

Paul Tillich foi a Edinburgh, quando eu estudava lá, para proferir uma palestra em que ele mostrou as implicações duma revelação, não de Deus, criador dos céus e da terra, mas de um Deus que se identificou com “o fundamento do ser”, o que mais lhe preocupa, um sentimento de dependência. As boas novas consistem em que você é aceito, por quem ou por que permanecendo um mistério. Se os milagres são uma invenção dos autores da Bíblia, como ensinava o famoso professor de Novo Testamento de Marburg, R. Bultmann, a autoridade da Bíblia evapora-se. Um incentivo para as boas obras teria que emanar de um espírito humanista.

O liberalismo também penetrou a Igreja Católica como podemos perceber no comentário de Walter Bulhmann, secretário de Missões Católicas em Roma, e da Freira Emanuelle do Cairo no Egito. 

Bulhmann disse: “No passado, o incentivo em ganhar almas dominava a missão da Igreja. Estávamos convencidos de que os não batizados iriam em massa para o inferno. Agora, graças a Deus, cremos que todos e todas as religiões, já estão vivendo na graça e amor de Deus e serão salvos pela misericórdia de Deus”.

Freira Emanuelle do Cairo, Egito: “Hoje não falamos mais de conversão. Falamos de amizade, fazer amigos. Minha tarefa é provar que Deus é amor e trazer coragem a esta gente”.

Uma vez adotada uma posição como esta, o incentivo para enviar missionários para converter os incrédulos desaparece, enquanto se mantém um renovado interesse em ação social. Que outra justificativa existe para manter a entrada de recursos e um compromisso dos jovens que não têm interesses puramente materialistas no centro de suas ambições.

J.C. Ryle expõe o pensamento geral evangélico: “Enquanto o Diabo for o príncipe do mundo e muitos corações não se converterem, haverá conflitos e luta... Não devemos esperar que os missionários e ministros venham a converter o mundo e ensinar toda a humanidade a amar uns aos outros. Eles absolutamente não farão isso. Não é essa incumbência deles. Eles conclamarão as pessoas a testemunharem de Cristo e a servi-lo em toda a Terra; não farão nada além disso” (cit. Justiça Social e a Interpretação..., p. 16 n.15). Seria difícil chegar a outra posição se de fato acreditamos que o perdido não crente de fato sofrerá a eterna desgraça, sem Deus e sem esperança na vida vindoura. 

Por isso, os evangélicos, com razão entendem que Deus em sua Palavra os convoca para ir e fazer discípulos de todas as nações, ensinando-as a obedecer tudo que Jesus ensinou. O cerne do que Jesus ensinou foi que a vida vale infinitamente mais do que o mundo que a riqueza desfruta: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” (Mc 8.36). 

Há duas razões principais para se envolver em boas ações em favor de mundanos: 

1) Nós sabemos na Bíblia que Deus é amor, que ele mandou seu Filho para salvar o mundo por causa do amor que ele tem pela humanidade (Jo 3.16; 1Jo 4.8). Sentir-se indiferente diante da miséria, da depravação, da opressão que os não cristãos sofrem deve ser um crime, tal como o bombeiro que olhasse o Edifício Andraus, próximo ao centro de São Paulo, enquanto estava em chamas, e dissesse para si mesmo: “Não há nada que posso fazer. Os jatos de água são fracos demais para atingir as chamas!” Timothy Keller, em seu livro Justiça generosa (Vida Nova, 2013) argumenta fortemente contra esta desculpa e toda tentativa de não se envolver com as múltiplas necessidades do mundo.

2) Boas obras são ordenadas por Deus (veja a parábola do Bom Samaritano). Boas obras são usadas por Deus para persuadir pecadores a se arrependerem e glorificar a Deus (Mt 5.16). Como os milagres de Jesus durante sua vida terrestre, ainda que não fossem capazes de salvar os espectadores, levaram alguns dos beneficiados a buscar mais do que a cura do corpo (veja os casos em João do homem paralítico esperando 38 anos o mover das águas para ser curado (Jo 5.14,15) e o cego desde nascença em João 9. Os dois beneficiados foram persuadidos que Jesus era o salvador.

Dr. Polley, cirurgião renomado do estado de Nova Iorque, se deslocava para lugares remotos na África para realizar cirurgias, mas principalmente para divulgar o evangelho.

3) Se todos os homens foram criados à imagem de Deus, e ele manda que amemos uns aos outros como se amamos a nós mesmos (Lv 19.18; Mt 22.39; Lc 10.27, etc.). Embutido no conceito do amor está a obrigação de procurar aliviar o sofrimento dos que vivem oprimidos pelas incontáveis injustiças que assolam a humanidade. O pecado universal dos homens não mudou esta obrigação. Este mandamento se encontra repetidas vezes na Palavra, no Antigo e no Novo Testamento.

Alexander Solzenitsyn mostrou no seu livro sobre o Gulag que um sistema idealista não é incentivo suficiente para garantir justiça na sociedade. Isso foi demonstrado amplamente em sociedades comunistas, mais recentemente na Coréia do Norte, onde milhares de presos sofrem as mais horríveis indignidades em campos de concentração pelo simples crime de serem cristãos.

A Lei dos israelitas no período pós-mosaico visava uma sociedade justa. Pode-se ver a discussão no capítulo 2 de meu livro, Justiça Social e a interpretação da Bíblia. Moisés falou em Deuteronômio 4: “Eu lhes ensinei decretos e leis, como me ordenou o Senhor, o meu Deus, para que sejam cumpridas na terra na qual vocês estão entrando para dela tomar posse. Vocês devem obedecer-lhes e cumpri-los, pois assim os outros povos verão a sabedoria e o discernimento de vocês. Quando eles ouvisse todos estes decretos dirão ‘ De fato esta grande nação é um povo sábio e inteligente’. Pois, que grande nação tem decretos e preceitos tão justos como esta lei que estou apresentando a vocês hoje?” (4.5-8). O propósito de Deus na entrega das leis e decretos relacionados com a justiça social para seu povo foi para que as nações tomassem nota da importância de buscar ao Deus de Israel e se comprometer com suas leis. Estava diretamente ligada a missão de Israel.

No Novo Testamento também, a prática das boas obras seria uma porta para levar as nações incrédulas a se interessar em observar os benefícios evidentes de reconhecer o senhorio de Cristo e de viver debaixo do seu reinado.
  

CONCLUSÕES:
1)   A Palavra condena o amor ao dinheiro. A idolatria que serve o deus Mamom é incompatível com o senhorio de Cristo. 
2)   A justiça social não implica a necessidade de se ficar pobre para ser abençoado e ser salvo, mas implica que temos a oportunidade de suprir as necessidades dos irmãos que nada têm ou passam fome e frio (cf. Atos 2.42-47).
3)   As boas obras do cristão têm o propósito de chamar a atenção dos perdidos para eles também se tornarem felizes na segurança que o Pai celeste dá para seus filhos.
4)   Os cristãos são cidadãos do céu, portanto sua peregrinação na terra é temporária, um vestibular para se prepararem para viver eternamente na presença de Deus, e menosprezar os valores principais deste mundo secularizado.
5)    A prioridade máxima do cristão é semear o evangelho, não melhorar a vida dos que não têm interesse algum no Deus único e no caminho da salvação.
6)    Mostrar a realidade do amor de Deus por ações de generosidade deve caracterizar a vida do cristão. Compare o que aconteceu em Jerusalém: “Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (At 2.45-47).
7)   A justiça social foca principalmente os filhos de Deus. Primeiramente, suprir as necessidades da família nuclear, depois da família de Deus e, finalmente, os de fora. “Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Regeneração e Vocação Eficaz



a)      Regeneração
A palavra regenerar está empregado em dois pontos nas Santas Escrituras (Mateus 19:28; Tito 3:5 παλιγγενεσία); é um conceito de renascimento ou recriação, usado em vários contextos em: filosofia , teologia , política e biologia . Seu significado deriva do grego “palin”, ou seja, mais uma vez, e “génese”, significando o nascimento. Juntas o sentindo é reflexivo de um novo nascimento; mundo vindouro; mundo novo; vida nova; e regeneração. Destarte, quando há este pensamento é de que em Cristo tudo se fez novo (II Coríntios 5:17).
                Todavia, a doutrina de Regeneração é retirada em maior peso da palavra γεννάω (gennao) de João 3:3, ou seja, nascimento do qual verossimilmente da derivação direta do alto; “ἄνωθεν”, fazendo parte do discurso da definição sucinta: a partir de cima, desde o início, novamente e uma definição: (a) a partir de cima, do céu, (b) a partir do começando, desde a sua origem (fonte), desde os tempos antigos, (c) de novo, novo. Sendo assim, quando regenerado este indivíduo retorna a pureza da criação original (1 Pedro 1: 15-17; Mateus 5:48); isto é unicamente possível em Cristo (1 Coríntios 15:45-50).
                 De tal modo, nascer de novo é uma obra unicamente de Deus, a onde, o homem não tem participação nisto (João 3:8); Deus então recria o homem, não do pó, mas do Espírito. “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2:10). Por esta razão o regenerado irá produzir o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-25), que é a vocação eficaz.
b)      Vocação Eficaz
“Vocação eficaz é a obra do Espírito de Deus ( II Tm 1. 8-9; Ef 1.18- 20), pela qual, convencendo-nos de nosso pecado e de nossa miséria ( At 2. 37), iluminando nossos entendimentos no conhecimento de Cristo (At 26. 18), e renovando nossa vontade (Ez 11. 19; 36. 26, 27), nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho” ( Jo 6. 44, 45; Fp 2. 13; Dt 30. 6; Ef 2. 5).
A Vocação Eficaz é ter vivido no pecado, e pela graça de Deus passar a ter uma vida santa e justificada (Rom. 5. 19-21). Quando alguém que não acreditava em Deus; ou não compreendia a morte de Cristo; e até mesmo na salvação não a entendia. Passa então a crer é pela iluminação de sua mente (πεφωτισμενους τους οφθαλμους “pefotismenous tous ofthalmous” Efésios 1:18),  ora isto é o Illuminati, ser iluminado para o que está oculto, revelação (Efésios 3:9-12). Este “Chamado” apresenta-se tanto exteriormente, na oferta do Evangelho a todos os Pecadores, quanto interiormente, na operação do Espírito Santo na vida do Eleito (M 20.16; 22.14). Esta operação é eficaz porque é o Espírito Santo que convence o pecador de suas misérias (Efésios 3:9-12).. A Bíblia é clara em demonstrar (1Ts 2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.) que a Vocação Eficaz é realizada primeiramente no “entendimento”, visto que, antes do Espírito Santo iluminá-lo, estavam entenebrecidos (Ef 4.17 - 19), era cego pelo “deus deste século” (2 Co 4. 4). Este é o ponto: para atingir o entendimento é preciso pregar a Palavra do Evangelho. A pregação da Palavra é a “trombeta de prata de Deus nos ouvidos dos homens” (WATSON). A Vocação Eficaz é ensinamento bíblico e sólido; anda de mãos dadas com a Verdadeira Pregação do Evangelho. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Reino Escatológico



Na mensagem de Jesus Cristo é encontrado um dualismo entre esta era e a por vir. A vinda do Reino de Deus (Mat. 6:10) ou o seu aparecimento (Luc. 19:11) que será o fim desta era para a era futura. Este Reino de Deus é mencionado em (Dan. 12.2), como sendo um governo teocrático. Mas, quando Jesus Cristo diz respeito ao Reino de Deus a seus discípulos, este refere ao século futuro (Mat. 10:17-31).
          
      A vinda do Reino de Deus é o fim de toda a obra do diabo e de seus anjos (Mat. 25:41), será uma sociedade sem pecado, sem mal (Mat. 13:36-43), e a comunhão perfeita com Cristo demonstrada pelo banquete messiânico (Luc. 13:28-29). Nesse sentido, o Reino de Deus é um sinônimo para o século futuro.
               
   A grande diferença do Reino de Deus pregado por Cristo para o pregado pelos profetas anoso testamentário é a universalidade. No Antigo Testamento o Reino de Deus é singularmente destinado a Israel (Amos 9:12; Miq. 5:9; Isa. 45:14-16; Isa. 60:12, 14), outras vezes porém são vistos como convertidos (Sof. 3:9, 20; 2:2-4; Zac. 8:20-23), mas sempre sendo Israel como nação soberana.

               
  Quando inicia a pregação de João Batista a ideia do particularismo judaico é rejeitada, o Reino de Deus é para aqueles que se arrependeram de seus pecados. Jesus Cristo por ser conhecedor dos corações destes; ele ensina que outros tomaram o lugar destes no Reino Vindouro (Mat. 8:12). Haja vista, que os filhos de Deus para Jesus Cristo são aqueles que nasceram de novo, ou seja, ouviram e entenderam a Palavra de Cristo (Mat. 13:38). Para ser inserido neste Reino de Deus o individuo precisa receber a proclamação deste Reino de Deus, com atitude de completa obediência e dependência, ser literalmente como uma criança (Marc. 10:15).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Reino de Deus e O Reino dos Céus


As duas termologias têm ocupado lugar primaz no entendimento do evangelho pregado por Jesus Cristo. Os termos “Reino de Deus” que no grego é basileia tou theou, é o mais utilizado pelos estudantes de escatologia (escathon). Todavia, basileia que substitui a palavra hebraica malkût, não há um consenso termológico. Muitos defendem que basileia seja o escathon. Destarte, é impossível o entendimento de escathon referir tanto ao presente como o futuro, haja vista, que o termo escathon na sua etimologia é referido sempre no futuro. Mas, contudo, o termo malkût é abstrato, significa domínio, ou governo (Salmos 145:11, 13; Salmos 103: 19). Hoje o judaísmo entende basileia como domínio e soberania de Deus. E, desta maneira é a melhor forma de entender os Evangelhos. Analisando diversos textos dos Evangelhos é claro o entendimento de basileia como “reino” ou “governo”, ou seja, estado absoluto da Soberania de Deus (Lucas 19:12; 23:42; João 18:36; Apoc. 17:12). Um dos grandes exemplos disso é a oração do Pai Nosso (Mateus 6:10), que pede para que o Seu domínio seja efetuado neste Mundo. O “Reino” designado por Jesus aos seus discípulos (Lucas 22:29) é o governo real.
                No evangelho de Jesus Cristo escrito por Mateus é utilizado à palavra “Reino dos Céus”. Muitos pregadores da atualidade tentam encontrar um significado diferente de “Reino de Deus”, contudo, a expressão “céus” é semítica usada comumente para substituir a palavra “Deus” (ver Lucas 15:18).

                Jesus Cristo não evitou utilizar a palavra “Deus”, então quando é utilizada a palavra “Céus” em vez de “Deus”, não se refere a uma nova ideologia. O significado é o mesmo, o estabelecimento da soberania de Deus na Terra.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Mundo e a Humanidade


O pensamento sobre o Mundo e a humanidade é progressivo em todas as culturas. O Mundo discutido pelo pensamento filosófico que é dividido em duas visões: noumena, o Mundo criado pela alma humana, e a outra divisão é phenomena, o Mundo que inclui o corpo do homem. Todavia, o pensamento hebraico é que o Mundo foi criado por Deus, e isto, remete então o aforisma que tudo converge nEle e para Ele (Romanos 11:36).
A)     O Mundo
O Mundo para Jesus Cristo também era criado pelo Pai, e toda a sua habitação (Marc. 13:19; Mat. 19:4). Deus não é apenas o Arquiteto e Edificador (Hebreus 11:10), mas também aquele que sustenta todas as coisas (Luc. 12:22ss). As dádivas do cuidado de Deus são tanto para os bons como para os maus (Mat 5:45), haja vista, que tudo está em suas mãos (Ecl. 9:1), isto é, Ele é o Senhor dos céus e da Terra (Luc. 10:21).
                Contudo, o bem supremo de Deus não pode ser encontrado na criação. E seria inútil o homem “ganhar o Mundo inteiro e perder a sua alma” (Marc. 8:36). Neste contexto “o Mundo” (cosmos) não é o mundo físico ou da humanidade, mas, sim, o conjunto complexo de toda criação de Deus; destarte, a convergência alcançada a toda criação em Jesus Cristo (Efésios 1:10). Sendo assim, o homem poderia conquistar o que ele desejasse neste mundo (Mat. 4:8-9) e, mesmo assim não chegaria ao conhecimento de Deus. Igualmente, o homem então passa a buscar a grandeza de onde ele é inserido, a saber, a importância de seu meio. Tornando então o amor às riquezas instrumento de princípio de todo o mal (1 Timóteo 6:10). É somente por obra do Espírito Santo, que o homem colocará Deus em primeiro lugar; pois é, que o seu amor natural pelo Mundo poderá ser sobrepujado (Marc. 10:27).
 b) A Humanidade
A humanidade é a coroa da criação de Deus, e o fruto das mais augustas especulações da mente finita da própria humanidade. Assim, para entender o que não é entendível ao seu próprio questionar (Jer. 17:9-10), deves então entender os quatro ensinos básicos bíblicos sobre o homem: 1) O ser humano tem um valor supremo como filhos de Deus; 2) O ser humano deve uma relação de confiança e obediência filial; 3) A existência de uma irmandade universal; 4) O pecado quebrou a relação paternal com Deus.
                Os seres humanos, apesar de irem contra Deus, não se tornaram por completos rejeitados por Deus (Gên. 3:9). Deus demonstra no curso da história um cuidado especial com o homem, e o Senhor Jesus Cristo mostra isto por intermédio de uma estória em Mateus 6:26-30. O cuidado de Deus chega ao ponto de saber a quantidade dos cabelos dos homens (Mat. 10:30).
                O homem tem a obrigação de servir a Deus, e não tem o direito de exigir nada dEle. Quando fizeram tudo quanto tiveram a possibilidade de fazer, não fizeram mais do que esperado (Luc. 17:7-10). O ser humano é completamente dependente de Deus, e incapaz de outorgar algo em sua vida (Mat.5:36; 6:27). O homem pode procurar segurança em suas conquistas, mas Deus pode tirá-lo de perto delas antes que este possa desfrutá-las (Luc. 12: 16-21). Deus pode condenar o homem ao inferno (Mat. 10:28). E Deus é juiz sobre todo o seu pensamento e ações (Mat. 25:41 ss).
                Todos os homens são pecadores, por isto, todas as tragédias humanas não são imputadas sobre as pessoas na proporção de sua pecaminosidade; mas todas elas precisam arrepender-se, ou perecerão (Luc. 13:1-5).

                As pessoas encontram seu valor último para Deus quando aprendem a serem ricas não apenas para o Mundo e sim para Deus (Luc. 12:15-21). É loucura ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida verdadeira, que é a presença de Deus (Mat. 16:26), que só pode ser encontrada com a comunhão com Deus. O Senhor não quer homens ricos; poderosos; igrejas grandes ou ricas; o Senhor quer festa nos céus, e isto somente ocorrerá quando o pecador se arrepende (Luc. 15:7).