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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Vencedo a baixa autoestima

          

  Texto:

Jeremias 20:14-18. Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho! Alegrando-o com isso grandemente. Seja esse homem como as cidades que o SENHOR, sem ter compaixão, destruiu; ouça ele clamor pela manhã e ao meio-dia, alarido. Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? Por que saí do ventre materno tão-somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de vergonha os meus dias?

Introdução:

            Nos últimos tempos temos visto pessoas mergulhadas em baixo-estima. Numa época a onde a auto-estima é extremamente exigida para conseguirmos melhoria de vida, mas a baixa auto-estima tem vencido a muitos que precisam vencer no seu dia-a-dia.
            A baixa auto-estima é um estado a onde o vitimado sofre de uma falta de amor por si mesmo, e com isto alcança a tristeza e a derrota interior, o segredo para vencer é primeiro vencer a si mesmo, inclusive as suas emoções, ou ausência delas.
            No texto escolhido para a nossa reflexão, lemos palavras do profeta anoso testamentário Jeremias. Estas palavras são de alguém que esta num quadro de baixa auto-estima há tempos, devido a grandes percas e a esperança demorada. Leia o texto e observe que a baixa auto-estima é tanta que ele deseja nem ter nascido, e amaldiçoa a todos envolvidos em seu nascimento, inclusive até aquele que levou as novas para o seu pai, mas por que ele chegou a este ponto? O que aconteceu em sua história para declamar tais palavras? Vamos ver de maneira breve que houve Jeremias.
            Profeta nascido em família de sacerdotes, da cidade de Anatote. Foi chamado ao ministério profético através de uma visão (#Jr 1.4-10). Profetizou durante 40 anos, nos reinados dos cinco últimos reis de Judá (627 a 587 a.C.). As autoridades não recebiam bem as suas mensagens. Jeremias foi rejeitado, perseguido e preso. Alguns episódios de sua vida estão narrados no seu livro (Jr 26; 28; 32; 35-43). Nabucodonosor cuidou dele depois da destruição de Jerusalém, tal destruição provocou nele um sentimento de inutilidade (#Jr 39.11-12). Foi forçado a ir para o Egito (#Jr 43.6-7) e lá, em adiantada velhice, morreu, rejeitado pelo seu povo, e mal desejado por profetizar a verdade.
            Através dos sofrimentos da vida de Jeremias pode ver que qualquer pessoa pode chegar a um quadro de baixa auto-estima por vários motivos e razões, na vida deste homem, vimos ele sendo rejeitado, quando também nos sentimos sois, abandonado, nos deixa cabisbaixo sem alegria de viver; um outro fator é ser perseguido, a perseguição pode ser estimulada por diferentes motivos, mas sempre causa no perseguido um sentimento de injustiça, isto também provoca baixo-estima; e vimos ainda na vida do profeta que ele acaba sendo preso sem cometer erro algum, mas existem vário tipos de prisões aonde podem ser piores que presídios construídos de concreto; Jeremias também foi forçado a fazer algo que não queria, a ir para um lugar que não o agradava, quantas vezes acontece isto conosco ficamos em estado de tristeza profunda por estarmos em um lugar que não o que queríamos. Estes fatos contribuíram grandemente com a baixa auto-estima de Jeremias, e alguns destes, poderiam estar também contribuindo com a sua baixa auto-estima também.
            Vimos que todo ser humano é um amante da sua vida, por várias situações ele começa a acreditar que ele perdeu o amor pela sua vida, mas isto é impossível, pois todos nós somos vitoriosos, não podemos esquecer nunca jamais quem somos, e de nossa história de conquistas indubitáveis, conquistas que se apagarão de nossa mente e que iremos trazer átona nesta reflexão.

1)                              A Rejeição:

            A rejeição faz parte da vida, mas é difícil lidar com ela, pessoas morrem por serem rejeitadas em sua trajetória. Quando uma pessoa é rejeitada ela sofre porque não tem com que desabafar, este sentimento é bem expressado em uns dos versos dos Salmos 69:20 O opróbrio partiu-me o coração, e desfaleci; esperei por piedade, mas debalde; por consoladores, e não os achei. É incrível como uma pessoa pode se abater diante da rejeição, o salmista usa a palavra opróbrio, que nos passa a idéia de um estado de profundo rebaixamento, desonra e vergonha, que é o sentimento que teve outro personagem Bíblico de nome Jó (Jó 19:5 Vocês pensam que são melhores do que eu e acham que a minha desgraça prova que sou culpado). O opróbrio vem através do insulto à alma do que recebe, e isto o faz ficar num quadro baixo-estima, e se acha incapaz de ser um vencedor.
            Mas quando nos recordamos de quem somos podemos ver que sempre fomos vencedores é porque em muitas lembranças esquecemos das essenciais, a Santa Escritura nos ensina algo muito importante para nossa vida (Lamentações 3:21 Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.) no livro que relata as diversas tristezas de Jeremias ele expressa um desejo maravilhoso para os que estão numa situação de abatimento, que é o de trazer a memória os que pode trazer esperança, numa situação a onde você está sendo rejeitado, você não pode rejeitar a si mesmo jamais. Você é um ser incrível que venceu para estar vivo.
            Você não se lembra, mas foi participante do concurso, mas concorrido da história a onde teve de correr como milhões de participantes, e sabe qual era o seu prêmio, era a sua vida. Nunca o fracasso bateu tão próximo de você, porque todos os participantes eram extremamente preparados, e você, é você, foi o grande vencedor. Mas que corrida foi esta, foi à corrida dos espermatozóides para chegar até o óvulo para o fecundar, você venceu esta corrida se não, você não estaria aqui hoje.
            Você venceu porque o único que não podia te rejeitar estava ao seu lado te elegendo, te escolhendo (Efésios 1:4 assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor), Ele te amou antes de todos e sempre esteve consigo, mesmo nos momentos de grande angústia quando todos te rejeitaram, Deus ouviu a tua voz e te amparou em colo (Salmos 91:15 Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei.), você nunca esteve só na sua angústia, pode ter faltado na sua vida à lembrança de um pai, a lembrança de uma mãe, mas nunca faltará a lembrança de Deus em seu viver (Isaías 49:15 Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.), a atenção de Deus na sua vida supera toda rejeição sofrida nela inteira. Por este motivo foi que você venceu o maior concurso de sua vida, tu és um escolhido e amado de Deus, não há razão para se sentir rejeitado. Mesmo que pareça que está sendo perseguido pelo inimigo que se apresenta mais poderoso que vós, mas, contudo nunca estarás só, pois o Criador estará sempre consigo.

2)                              A Perseguição: (Salmos 56:1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem procura ferir-me; e me oprime pelejando todo o dia.)

            É difícil fazer algo, sonhar e até mesmo viver se estamos sendo perseguidos por alguém, ou por alguma coisa; a perseguição estabelece na vida de quem a recebe um estado de pressão muito forte, a pessoa fica atormentada e em muitas ocasiões o desespero é nítido. A perseguição pode acontecer de várias maneiras e formas, mas o resultado dela é sempre o de provocar a baixo-estima. Nas Escrituras Santas, vêem varias perseguições a várias pessoas e podemos hoje ver como estas pessoas venceram tais perseguições, vamos juntos meditar em alguns exemplos.
            Uma das mais terríveis perseguições da Bíblia é a perseguição sofrida por David pelo rei Saul, estas nas Escrituras com certeza expressa bem o que é uma perseguição, como ela geralmente começa, o que ela faz na vida do perseguido e como geralmente termina uma perseguição quando o perseguido age com sabedoria e prudência.
            Davi era um jovem homem, quando Saul o conheceu, e David demonstrou ser um ser magnífico cheio de graça, e de uma coragem que era movida pela sua fé em Deus magnífica, este encontro ocorreu quando Israel estava sendo ameaçado pelos filisteus, que tinha um guerreiro fortíssimo, grande (1 Samuel 17:4 Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, da altura de seis côvados e um palmo.), que desafiava o exército de Israel para que um soldado fosse a lutar contra ele (1 Samuel 17:10 Disse mais o filisteu: Hoje, afronto as tropas de Israel. Dai-me um homem, para que ambos pelejemos.), mas em Israel não havia homem tão forte quanto ele, parecia ser o fim daquele povo, haja vista que o guerreiro derrotado era representante da derrota de um povo inteiro, o povo e seu rei temeram muito e travaram diante deste grande desafio (1 Samuel 17:11 Ouvindo Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu, espantaram-se e temeram muito.).
            Então vem David levando mantimentos para seus irmãos, ele ficou em casa, pois era o mais jovem de sua casa, e ouviu o gigante gritar e afrontar a todo o exército de Israel (1 Samuel 17:23 Estando Davi ainda a falar com eles, eis que vinha subindo do exército dos filisteus o duelista, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate; e falou as mesmas coisas que antes falara, e Davi o ouviu.), David é tomado por um espírito aguerrido e se oferece a lutar, e o resultado é que ele foi vitorioso (1 Samuel 17:49 Davi meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra.) e gozou da gratidão de Saul (1 Samuel 18: 5 Saía Davi aonde quer que Saul o enviava e se conduzia com prudência; de modo que Saul o pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o povo e até dos próprios servos de Saul.).
            Na nossa vida também temos momentos em que a nossa vitória é mais a vitória de todos do que para nós mesmos, quando David ganhou o Golias, não foi ele apenas que venceu, mas sim todo o povo de Israel, e em especial o seu rei, Saul, mas David continuou a fazer proezas e o seu nome crescia cada vez mais, o reconhecimento do povo era incrível, fora o respeito do exército do reino (1 Samuel 18:5-7 Saía Davi aonde quer que Saul o enviava e se conduzia com prudência; de modo que Saul o pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o povo e até dos próprios servos de Saul. Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e voltando também Davi de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tambores, com júbilo e com instrumentos de música. As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares.), era o motivo pelo qual começou a perseguição.
            Quando vemos pessoas a passarem por perseguições, esta perseguição em suma é despertada pela inveja, a inveja é o sentimento dos incompetentes e daqueles que sentem medo de perder o que eles pensam que tem, isto foi o que ocorreu com o rei Saul, um sentimento voraz de inveja contra David (1 Samuel 18:8-9 Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares as deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino?), é incrível que uma pessoa que só vez coisas boas sofra tamanha raiva, Saul então desse dia em diante perseguiria David (1 Samuel 18:9 Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos.).
            É, ao ser perseguido, David fugiu e sofreu com isto, teve baixa auto-estima e declarou isto em vários poemas seus, expressando a dor de sua alma (Salmos 17:9 dos perversos que me oprimem, inimigos que me assediam de morte; Salmos 17:11 andam agora cercando os nossos passos e fixam em nós os olhos para nos deitar por terra.), toda pessoa que sofre grande perseguição tem em si que a sua situação é de desespero, pois ela está cercada como um peixe; cercado pela rede do pescador. A sensação de uma pessoa que sofre baixa auto-estima por perseguição e de que os seus perseguidores são muitos, mais fortes do ele (Salmos 22:16 Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés.).
            Esta situação é muito difícil, é como estar escravo em si mesmo (Lamentações 3:7 Cercou-me de um muro, e já não posso sair; agravou-me com grilhões de bronze), uma escravidão que é comparada com a que os Africanos sofreram em nosso país na época da escravatura, a onde muitos mergulhava nas praias Brasileiras na esperança de atravessar o Oceano Atlântico e chegar ao continente a aonde eles eram livres, mas nenhum desses conseguiam. A baixa auto-estima provocada pela perseguição é um oceano, que ao contrário dos escravos Africanos que não conseguiam passar para o outro lado, você conseguirá nadar e chegar ao outro lado porque Deus está do seu lado (Isaías 43:2 Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti).
            E você já venceu um grande mar na sua vida, sim, este mar foi o útero de sua mãe você nadou mais de 8 milhões de quilómetro para alcançar o óvulo, sem ajuda de nada, apenas você, um vencedor, uma pessoa que sem dúvida estava ali para vencer, e que não deixou se cansar, este é você. Hoje você se encontra cansado de baixa auto-estima devido a perseguições e com muito medo de ir até ao fim nesta caminhada, siga enfrente não desiste de você devido aos que te perseguem, você vai conseguir, mesmo que pareça que muitas águas te cercam (Salmos 124:4-5 as águas nos teriam submergido, e sobre a nossa alma teria passado a torrente; águas impetuosas teriam passado sobre a nossa alma.), mas Deus estendera as suas mãos sobre a tua vida (Salmos 18:16 Do alto me estendeu ele a mão e me tomou; tirou-me das muitas águas.). Na história Bíblica que meditamos David conseguiu, Saul desistiu de perseguí-lo e se matou mais à frente. Mais uma vez te digo não desista, deixe que os que te perseguem se cansem e desistam de você.

3)      Situações contrárias:

            Todos nós já passamos por situações contrárias a que não queríamos, e isto é triste e delicado para a nossa alma. Às vezes não nos damos conta que estamos numa destas situações, é só quando vem a baixa auto-estima é que despertamos para isto, e nos deparamos com uma montanha a transpor. Jeremias, o profeta que citamos a início, também vivia em uma situação contrária, ele sofria pela situação de seu povo (Jeremias 4:19 Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra.), talvez viver uma situação contrária seja realmente muito difícil, e seus resultados podem ver na vida de Jeremias.
            Jeremias sofreu por de mais, ele profetizava, ou seja, falava para que o povo não alcançasse o sofrer devido ao seu erro, mas o povo não lhe deu ouvido e aconteceu o que Jeremias predizia, e todos sofrerão. Nesta triste história podemos ver o efeito devastador que a baixa auto-estima provocada nestes casos pode resultar.
            O primeiro instante da baixa auto-estima é a tristeza incontrolável, a pessoa além de estar sem estima, não tem prazer na vida que esta vivendo, Jeremias declara (Jeremias 9:1 Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.), um choro constante é um sintoma muito comum nas pessoas que estão passando por momentos de baixo-estima, Jeremias triste pela situação de seu povo chorava de maneira incontrolável e de forma inconsolável. Uma outra característica é a perca de vontade de viver, a pessoa que deseja a morte ela não é covarde, ou odeia a vida, ela apenas cansou de viver a vida que está vivendo, e quer dar um fim em seu problema (Jeremias 20:14 Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe!), a dor da baixa auto-estima é uma doença da alma (Lamentações 2:11 Com lágrimas se consumiram os meus olhos, turbada está a minha alma, e o meu coração se derramou de angústia por causa da calamidade da filha do meu povo; pois desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade.), é alma que grita, é alma que chora o sentimento de dor é interno.
            Numa situação adversa é natural que o ser humano fale de seus problemas, e tente até mesmo convencer as pessoas que estão o colocando naquela situação incomoda, mas em várias ocasiões as pessoas não dão atenção, o que está sofrendo devido a baixa auto-estima desiste de falar e apenas chora escondido (Jeremias 13:17 Mas, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em segredo por causa da vossa soberba; chorarão os meus olhos amargamente e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do SENHOR foi levado cativo.), se esconder é o outro problema da pessoa que sofre a baixo-estima, é difícil acreditar que algo vai mudar quando não se tem mais força para sonhar, a montanha se torna maior a cada dia e a cada momento as forças são menores.
            Mas, contudo Deus esta contigo a cada momento, a cada instante e você sem sombra nenhuma de dúvida é o maior alpinista da história, e conseguirá transpor este monte da baixo-estima, você já transpôs um monte na sua vida, melhor dizer, a maior montanha que existe, nesta época você era mui pequeno, e frágil, mas você não desistiu e escalou todas as montanhas para chegar no útero de sua mãe, não havia Everest que podia deter-te, hoje és grande, mas se sente pequeno devido a vários problemas, decepções, tragédias, mas eu sei que você ainda é o mesmo, levante a tua estima e seja você mesmo, um vencedor, transponha este monte, e seja um ser feliz.

Conclusão:

            É certo que passamos por vários problemas na nossa vida, mas, contudo não devemos perde a auto-estima, temos que saber que na vida existe vários momentos e que devemos passar por todos eles (Eclesiastes 3:1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu), ninguém foi criado apenas para sofrer ou para ser feliz, fomos criados para passar em toda e em qualquer situação, pois Deus nos fortalece (Filipenses 4:13 tudo posso naquele que me fortalece.), tanto na alegria como na tristeza ele é Deus. Você é capaz! Porque Deus te capacitou. Então vença a baixo-estima, e seja um vitorioso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Os seis componentes do arrependimento



O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais… Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder.

Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos… Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.

Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram… e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento… Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) – todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza.
Essa tristeza implica (1) tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas! (2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado… A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência. (3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila… O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4)

Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento… o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:

1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. É interior em duas maneiras: (1) é uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado – “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.

2. A tristeza espiritual é sincera. É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena… A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, uma diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus… Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!…

3. A tristeza espiritual Deus é repleta de confiança. É mesclada com fé… A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós…

4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. “Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.
5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).

6. A tristeza espiritual é permanente. Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril – logo acaba – ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.

Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel… puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.
A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)… E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde…” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).
Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas… qualificações precisam estar presentes:

1. A confissão tem de ser espontânea. Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão… Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente…

2. A confissão tem ocorrer com contrição. O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada: “Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4). Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.

3. A confissão tem de ser sincera. Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente… Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.

4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado. O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral… Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma… Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.

5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal… Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!…
Componente 4: Vergonha pelo pecado. O quarto componente no arrependimento é a vergonha. “Para que… se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10). O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor – “Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6). O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há… algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:

1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.
2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!… Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).
3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha…
4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?
5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.
6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles… Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.

Componente 5: Ódio pelo pecado. O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniquidades e o ódio da inimizade.
Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniquidades  “Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31). Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo… Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelamos o céu enquanto não detestamos o pecado.

Em segundo, há um ódio da inimizade. Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado… O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.

Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?
1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável… O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.
2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente. Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto. (a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade. “Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15). Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado. (b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos… Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).
3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.
4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la…
5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família – “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7). Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.

Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça – “Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15). Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26). Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão… Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado…
Componente 6: Converter-se do pecado. O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado… Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.
Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu… Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.

Para identifica corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:
1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente… No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira… Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.
2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado… Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.
3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus… Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”

Extraído de The Doctrine of Repentance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.
Fonte: Sítio da Editora Fiel

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Salvação do prazer do pecado


Introdução:
É aqui que Deus começa Sua aplicação real de salvação para seus eleitos. Deus nos salva do prazer, ou do amor do pecado, antes que Ele nos livre da pena, ou da punição do pecado. Necessariamente, por isso não seria nem um ato de santidade nem de justiça se Ele conceder o perdão completo para um que ainda era contra Deus, amando o que Ele odeia. Deus é um Deus de ordem ao longo; e não há mais evidências as perfeições de suas obras do que a ordem delas. E como é que Deus salvará o seu povo do prazer do pecado? A resposta é, dando-lhes uma natureza que odeia o mal, e ama a santidade. Isso ocorre quando eles são nascidos de novo, de modo que a salvação atual começa com a regeneração (João 3:5-8. Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.). É claro o que ele faz: onde mais poderia começar? O homem caído não pode nunca perceber a sua necessidade desesperada de salvação, nem vir a Cristo para ele, até que este seja renovado pelo Espírito Santo (Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Romanos 5:8).
"Ele fez tudo formoso em seu tempo" (Eclesiastes 3:11), e grande parte da beleza da obra espiritual de Deus se perde em cima de nós, a menos que devidamente observar o seu "tempo". Não tem o mesmo Espírito enfatizou esta na indicação expressa que Ele nos deu "Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. "(Rm 8:29-30). O verso 29 anuncia a pré-ordenação divina, versículo 30, afirma a maneira de sua realização. Parece extremamente estranho é que com este método divinamente definido antes deles, tantos pregadores começar com a nossa justificação, em vez de com o chamado eficaz (da morte para a vida, a nossa regeneração) que a precede. Certamente é mais óbvio que a regeneração deve em primeiro lugar, a fim de estabelecer uma base para nossa justificação. A justificação é pela fé (Atos 13:39; Rom 5:01; Gal. 03:08.), o pecador deve ser divinamente conduzido a se arrepender, para depois ser conduzido divinamente a Fé evangélica.
Os pregadores de hoje são tão completamente imbuídos de livre-arbitrismo, que já se separaram inteiramente da pregação reformada. A diferença radical entre o Arminianismo e o Calvinismo é que o sistema da primeira teoria gira em torno da criatura, e o sistema desta última, tem o Criador para o seu centro de órbita. Os arminianos atribuem ao homem o primeiro lugar, os calvinistas dão a Deus a posição de honra. Assim, o arminianismo começa sua discussão sobre a salvação, com justificativa; para o pecador ter de acreditar antes que ele possa ser perdoado, ainda mais para trás, ele não vai, porque ele não quer que o homem deva ser nada. Mas o calvinista instruído começa com eleição, desce para regeneração, e em seguida, mostra que ao nascer de novo (pelo ato soberano de Deus, em que a criatura não tem parte) o pecador é feito capaz de acreditar na ação salvadora do Evangelho. (2 Cor. 5:16-19)
I) Salvo do prazer e do amor do pecado.
Que multidões de pessoas se ressentem fortemente quando é dito que se deleitavam no mal que praticava! Eles indignados perguntam que são pervertidos morais. Não, de fato: uma pessoa pode ser completamente boa, e ainda assim sentir prazer com o mal. Pode ser que alguns de nossos próprios membros repudiem a acusação de que eles já tomaram prazer em pecar, e que afirmem, que isto nunca ocorreu, e de que sempre detestavam a maldade em todas as suas formas. Nem nos atrevemos a pôr em causa a sua sinceridade, em vez disso, destacamos que só dá outra exemplificação do fato solene de que "o coração é enganoso acima de todas as coisas" (Jeremias 17:9). Mas este é um assunto que não está aberto ao argumento: o claro ensino da Palavra de Deus decide o ponto de uma vez por todas, e para além de seu veredicto, não há recurso. O que, então, dizem as Escrituras?
Assim, longe da Palavra, negando que haja qualquer prazer a ser encontrado em Deus; o ser humano continua a pecar. Deus, expressamente fala dos "prazeres do pecado", que avisa imediatamente que esses prazeres são, "por uma temporada" (Hebreus 11:25), para o rescaldo é doloroso e não agradável, sim, a menos que Deus intervenha com a Sua graça soberana, que implicam o tormento eterno. Assim também a Palavra se refere àqueles que são "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus" (2 Tm. 3:4). É realmente impressionante observar como muitas vezes isso aponta incoerentemente na Escritura: Ela menciona aqueles que "Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras" (Sl 04:02), "o que ama a injustiça" (Sl 11:5), “Você prefere o mal ao bem, a falsidade, em lugar da verdade” Salmos 52:3 "ele amava mentiras "(Pv 1:22)," eles que sentem prazer nas suas abominações "(Is 66:3)," de acordo com as suas abominações foram como eles adoraram "(Oséias 9:10), que odiava o bem e o mal amando "(Miquéias 3:2)," se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele "(1 João 2:15). Para amar o pecado é muito pior do que cometê-lo, para que um homem pode ser, de repente tropeçou para cima ou para cometê-lo através de fragilidade.
O fato é, que não só nascemos neste mundo com uma natureza má, mas que adquirimos um coração que ama o pecado. O pecado é o nosso elemento nativo. Estamos cansados ​​com nossos desejos, e de nós mesmos não sermos mais capazes de alterar a tendência de nossa natureza corrupta. Mas o que é impossível ao homem; é possível para Deus, e quando Ele nos leva a seu lado este é o lugar onde Ele começa por nos salvar do prazer ou do amor ao pecado. Este é o grande milagre da graça, quando o Todo-Poderoso se abaixa e pega um leproso repugnante do monturo e faz dele uma nova criatura em Cristo, para que as coisas que ele odiava uma vez que ele agora ama. Deus começa por nos salvar de nós mesmos. Ele não nos salva da pena até que Ele nos liberte do amor de pecar.
II) E como é esse milagre da graça cumprida, ou seja, exatamente o que ele consiste?

Negativamente, não erradicando a natureza do mal, nem mesmo por refiná-lo. Positivamente, comunicando uma nova natureza, uma natureza santa, que abomina o que é mau, e se deleita em tudo o que é verdadeiramente bom. Para ser mais específico. Primeiro Deus salvará o seu povo do prazer, ou, do amor do pecado por soprar Seu santo temor em seus corações, pois “Temer ao Senhor é odiar o mal; odeio o orgulho e a arrogância, o mau comportamento e o falar perverso”
(Provérbios 8:13) e, novamente, “Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta:
olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente,
coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal,
a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos”
(Provérbios 6:16-19). Segundo Deus salva o seu povo do prazer do pecado, comunicando-lhes um novo princípio e vital: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” 
(Romanos 5:5) e no coração que o amor de Deus governa, o amor do pecado é destronado. Terceiro Deus salva o seu povo do amor ao pecado pelo Espírito Santo, que está desenhando seus afetos até coisas de cima, assim, tirá-los das coisas que antigamente encantava a eles.
Se por um lado o incrédulo nega ardentemente que está no amor ao pecado; muitos crentes muitas vezes são difíceis iluminar seus entendimentos para que compreendam que sentiam amor ao pecado. Com o entendimento iluminado só pelo Espírito Santo poderá ter esta compreensão. Com um coração que foi feito justificado pela graça, ele se recusa em se deleitar no amor do pecado. Com a consciência de que tem sido sensibilizado pelo novo nascimento, ele se coloca mais rápido contra o funcionamento do pecado, e da ânsia de suas afeições para o que é proibido. Apesar da carne ainda está residente nele, e esta carne faz com que os desejos ainda permaneçam nele. São essas coisas, mais as ocasiões, que dão origem às questões perturbadoras que clamam por resposta dentro do crente genuíno. (Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. (Gálatas 5:17)).
O cristão sincero em muitas vezes tem duvida, que ele tenha sido entregue a partir do amor ao pecado. Perguntas como estas claramente agitam sua mente: Por que eu tão facilmente cedo à tentação? Por que algumas das vaidades, e prazeres do mundo ainda possuem atração tanto em mim? Por que eu irrito-me tanto contra quaisquer restrições que estão sendo colocadas sobre os meus desejos? Por que eu acho o trabalho de mortificação tão difícil e desagradável? Poderiam tais coisas como essas acontecer, se eu fosse uma nova criatura em Cristo realmente? Poderiam tais experiências terríveis como estas acontecer se Deus tivesse me salvado de ter prazer no pecado? Bem sabemos que estamos aqui dando expressão às dúvidas muito que exercem as mentes de muitos dos nossos irmãos... Mas o que dizer em resposta? Como é que este problema angustiante em ser resolvido?
III) Como alguém pode estar certo de que ele tenha sido salvo do amor de pecar?
Vamos observar, antes que a presença de que dentro de nós que ainda anseia e se deleita em algumas coisas más, não é incompatível com a nossa de ter sido salvo do amor de pecado, por mais paradoxal que possa parecer. É parte do mistério do Evangelho que aqueles que são salvos, ainda permaneçam pecadores em si mesmos. O ponto que estamos aqui a tratar é semelhante e paralelo com a fé. O princípio divino da fé no coração não expulsa os da incredulidade. Fé e dúvidas existem lado a lado dentro de uma alma, o que é evidente a partir dessas palavras, "Senhor, eu creio, ajuda minha incredulidade tu" (Marcos 9:24). Da mesma forma, o cristão pode exclamar e orar, "Senhor, ajuda-me na minha luta contra o pecado". E por que isso? Devido à existência de duas naturezas separadas, a uma variância em completo com o outro dentro do cristão.
a)      Como, então, é a presença de fé a ser apurado?
Não pela cessação de incredulidade, mas por descobrir a seu próprio fruto e obras. O fruto pode crescer em meio a espinhos como flores entre ervas daninhas, e ainda é fruto, no entanto. A fé existe em meio a muitas dúvidas e medos. Não obstante forças opostas dentro e de fora de nós, a fé ainda alcança a Deus. Não obstante inúmeros desânimos e derrotas, a fé continua a lutar (Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?
(Romanos 7:24)). Não obstante muitas recusas de Deus, ainda se apega a Ele e diz: se não me abençoares eu não te deixarei ir. A fé pode ser terrivelmente fraca e irregular, muitas vezes eclipsada pelas nuvens da incredulidade, no entanto o próprio Diabo não consegue convencer o seu possuidor a repudiar a Palavra de Deus, ou abandonar toda a esperança. A presença da fé, então, pode ser verificada na medida em que faz com que seu possuidor a chegar diante de Deus como um mendigo de mãos vazias suplicando a Ele por misericórdia e bênção.
b)      Como pode um cristão comunicar que a natureza nova e santa foram comunicadas a ele?
Agora, assim como a presença da fé pode ser conhecida no meio de todas as obras de incredulidade, para nossa salvação do amor de pecado pode ser verificado apesar de todas as concupiscências da carne após o que é mau. Mas de que maneira? Como é que este aspecto inicial da salvação a serem identificados? Esta pergunta já foi antecipada em um parágrafo anterior, no qual afirmamos que Deus nos salvou de deleitar-se no pecado, por transmitir uma natureza que odeia o mal e ama a santidade, que acontece no novo nascimento. Consequentemente, a verdadeira questão a ser resolvida é: Como pode o cristão positivamente determinar se a natureza nova e santa foram comunicadas a ele? A resposta é, observando suas atividades, especialmente a oposição que faz até contra o pecado que ainda habita em seu ser. Não só a carne (que é o princípio do pecado) que cobiça contra o espírito, mas o espírito (que é o princípio da santidade) que habita as paixões e guerras contra a carne. (Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? (Romanos 7:24)).
Primeiro, a nossa salvação do prazer ou amor do pecado pode ser reconhecido pelo pecado se tornar um fardo para nós. Esta é verdadeiramente uma experiência espiritual. Muitas almas estão carregadas de ansiedades mundanas, que não sabem nada do que significa serem abatidas com um sentimento de culpa. Mas quando Deus nos leva a lado, as iniquidades e transgressões da nossa vida passada são feitas a medir como uma carga insuportável sobre a consciência. Quando nos é dada uma visão de nós mesmos como aparecem diante dos olhos de Deus, três vezes santo, vamos exclamar com o salmista: (Pois incontáveis problemas me cercam e as minhas culpas me alcançaram, e já não consigo ver. Mais numerosos são que os cabelos da minha cabeça; e o meu coração perdeu o ânimo. (Salmos 40:12)) Assim, longe de ser agradável o pecado, agora é sentido como um pesadelo cruel, um peso esmagador, e carga insuportável. A alma é "oprimida"(Mateus 11:28 ) e curvou-se a um sentimento de culpa e oprime a consciência não podendo suportar o peso dela, nem é essa experiência restrita a nossa primeira convicção: continua com agudeza mais ou menos por toda a vida do cristão.
Em segundo lugar, a nossa salvação do prazer de pecado pode ser reconhecida pelo pecado de se tornar amargo para nós. É verdade, existem milhões de pessoas não-regeneradas que está cheio de remorso em relação à safra colhida a partir de sua semeadura de aveia selvagem. Mas isso não é o ódio do pecado; mas não gostam das conseqüências de sua saúde arruinada, as oportunidades desperdiçadas, aperto financeiro, ou desgraça social. Não, o que nós temos é que referência à angústia de coração, que sempre é a marca de um espírito que se entrega nas mãos de Deus. Quando o véu da ilusão é removido e vemos o pecado à luz da face de Deus, quando nos é dada uma descoberta da depravação de nossa natureza, então nós percebemos que estamos afundados em carnalidade e em morte. Quando o pecado é aberto para nós em todas as suas obras secretas, somos feitos para sentir a vileza de nossa hipocrisia, farisaísmo incredulidade, impaciência, e da imundícia total de nossos corações. E quando a alma penitente vê os sofrimentos de Cristo, ele pode dizer com Jó: Deus fez desmaiar o meu coração; o Todo-poderoso causou-me pavor. (Jó 23:16)
Ah, meu irmão, é esta experiência que prepara o coração para sair depois de Cristo: aqueles que estão sãos não precisam de médico, mas os que são vivificados e condenados pelo espírito estão ansiosos para ser aliviada com o grande Médico. “O Senhor mata e preserva a vida; ele faz descer à sepultura e dela resgata. O Senhor é quem dá pobreza e riqueza; ele humilha e exalta”.(I Samuel 2:6-7). É desta maneira que Deus tira da vida a nossa própria justiça, fazendo o pecado ser um fardo intolerável e tão amargo conto o absinto para nós. Não pode haver fé salvadora até a alma está cheia de arrependimento evangélico, e arrependimento é uma tristeza segundo Deus pelo pecado, um ódio santo do pecado, um propósito sincero de abandoná-lo. O Evangelho chama os homens a se arrepender de seus pecados, abandonar seus ídolos, e humilhar os seus desejos e, portanto, é absolutamente impossível para que o Evangelho seja uma mensagem de boas notícias para aqueles que estão no amor com o pecado e loucamente determinado a morrer em vez que parte com os seus ídolos.
Nem é essa experiência de pecado tornar-se amargo para nós limitando a nosso primeiro despertar, continua em graus variados, até o fim da nossa peregrinação terrena. O cristão sofre com as tentações, é ferido por ataques de fogo de Satanás, e sangra das feridas causadas pelo mal que comete. Entristece-o profundamente que ele faz um retorno tão miserável a Deus por Sua bondade, que ele responde tão irregularmente para os sussurros do Espírito. As andanças de sua mente quando ele deseja meditar sobre a Palavra, a estagnação de seu coração quando ele procura a orar, os pensamentos mundanos que invadem sua mente, a frieza de seus afetos para com o Redentor, causar-lhe a gemer diariamente, todos os quais vai para evidências de que o pecado foi feito amargo para ele. Ele já não recebe os pensamentos intrusos que têm sua mente fora de Deus: sim ele faz pesar sobre eles. Mas, "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados (Mateus 5:4).
Em terceiro lugar, a nossa salvação do prazer de pecado pode ser reconhecida pela escravidão sentida que o pecado produz. Como não é até uma fé Divina está plantada no coração que nos tornamos conscientes de nossa incredulidade nativa e inveterado, por isso não é até que Deus nos salva do amor de pecar que temos consciência dos grilhões que colocou em torno de nós. Então descobrimos que estamos "sem força", incapaz de fazer qualquer coisa agradável a Deus, incapaz de correr a corrida diante de nós. Uma imagem divinamente desenhada de escravidão que senti a alma salva, é ser encontrada em Rom. 7: "Porque eu sei que em mim (isto é, na minha carne) não habita bem algum:. Para o querer está em mim, mas como executar o que é bom eu não encontrar o bem que eu quero, não, mas o mal que não quero, esse faço ..., tenho prazer na lei de Deus segundo o homem interior, mas vejo outra lei nos meus membros, diminuindo contra a lei da minha mente, me cativo à lei do pecado "(v. 18, 19, 22, 23). E o que é a sequela? Este é o grito agonizante "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Se esse é o lamento sincero de seu coração, então Deus salvou-o do prazer do pecado.
Considerações finais:
Deixe-se salientar, porém, que a salvação do amor ao pecado é sentida e evidenciada em vários graus diferentes por cristãos, e em diferentes períodos da vida, de acordo com a medida da graça que Deus dá, e de acordo como que a graça que está ativa e operante (Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.  Romanos 12:3). Alguns parecem ter um ódio mais intenso do pecado em todas as suas formas do que de outros, mas o princípio de odiar o pecado é encontrado em todos os verdadeiros cristãos. Alguns cristãos, raramente ou nunca, cometem qualquer ato deliberado e premeditado de pecados: mais frequentemente são de rasteira, subitamente tentado (de estar com raiva ou contar uma mentira) e são ultrapassadas (Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia! 1 Coríntios 10:12). Mas com os outros o caso é bem diferente há deliberadamente o planejamento para pecar. Se qualquer um indignado nega que tal coisa é possível em um santo, e insiste em que um personagem é um estranho para a graça salvadora, poderá ser lembrado de David: não foi o assassinato de Urias definitivamente planejado? Esta segunda classe de cristãos encontram-se duplamente difícil de acreditar que eles foram salvos do amor de pecado.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Cruz e o Ego


 

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” — (Mateus 16:24).

Introdução:

Antes de desenvolver o tema deste verso, comentemos os seus termos. “Se alguém”: o dever imposto é para todos os que desejam se unir aos seguidores de Cristo e alistar sob a Sua bandeira. “Se alguém quer”: o grego é muito enfático, significando não somente o consentimento da vontade, mas o pleno propósito de coração, uma resolução determinada. “Vir após mim”: como um servo sujeito ao seu Mestre, um estudante ao seu Professor, um soldado ao seu Capitão. “Negue”: o grego significa “negar totalmente”. Negar a si mesmo: sua natureza pecaminosa e corrompida. “E tome”: não passivamente sofra ou suporte, mas assuma voluntariamente, adote ativamente. “Sua cruz”: que é desprezada pelo mundo, odiada pela carne, mas que é a marca distintiva de um cristão verdadeiro. “E siga-me”: viva como Cristo viveu — para a glória de Deus.

O contexto imediato é mais solene e impressionante. O Senhor Jesus tinha acabado de anunciar aos Seus apóstolos, pela primeira vez, a aproximação de Sua morte de humilhação (v. 21). Pedro se assustou, e disse, “Tem compaixão de Ti, Senhor” (v. 22). Isto expressou a política da mente carnal. O caminho do mundo é a procura para si mesmo e a defesa de si mesmo. “Tenha compaixão de ti” é a soma de sua filosofia. Mas a doutrina de Cristo não é “salva a ti mesmo”, mas sacrifica a ti mesmo. Cristo discerniu no conselho de Pedro uma tentação de Satanás (v. 23), e imediatamente a rejeitou. Então, voltando-se para Pedro, disse: Não somente “deve” o Cristo subir à Jerusalém e morrer, mas todo aquele que desejar ser um seguidor dEle, deve tomar sua cruz (v. 24). O “deve” é tão imperativo num caso como no outro. Mediatoriamente, a cruz de Cristo permanece sozinha; mas experiencialmente, ela é compartilhada por todos que entram na vida.

I) O que é um cristão?

O que é um “cristão”? Alguém que sustenta membresia em alguma igreja terrena? Não. Alguém que crê num credo ortodoxo? Não. Alguém que adota um certo modo de conduta? Não. O que, então, é um cristão? Ele é alguém que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Colossenses 2:6). Ele é alguém que toma o jugo de Cristo sobre si e aprende dEle que é “manso e humilde de coração” (Mat. 11:29-30). Ele é alguém que foi “chamado à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:9): comunhão em Sua obediência e sofrimento agora, em Sua recompensa e glória no futuro sem fim. Não há tal coisa como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo. Não cometa engano neste ponto, “E qualquer que não tomar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27), disse Cristo. E novamente Ele declarou, “Mas aquele (ao invés de negar a si mesmo) que me negar diante dos homens (não “para” os homens: é conduta, o caminhar, que está aqui em vista), também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).

II) Senhor, que queres que eu faça?

A vida cristã começa com um ato de auto-renúncia, e é continuada pela auto mortificação (Romanos 8:13). A primeira pergunta de Saulo de Tarso, quando Cristo o apreendeu, foi, “Senhor, que queres que eu faça?”. A vida cristã é comparada com uma “corrida”, e o corredor é chamado para “deixar todo embaraço e o pecado que tão de perto nos assedia” (Hebreus 12:1), cujo “pecado” é o amor por si mesmo, o desejo e a determinação de ter o nosso “próprio caminho” (Isaías 53:6). O grande alvo, fim e tarefa posta diante do Cristão é seguir a Cristo — seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21), e Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3). E há dificuldades no caminho, obstáculos na estrada, dos quais o principal é o ego. Portanto, este deve ser “negado”. Este é o primeiro passo para se “seguir” a Cristo.

O que significa para um homem “negar a si mesmo” totalmente? Primeiro, isto significa a completa repudiação de sua própria bondade. Significa cessar de descansar sobre quaisquer obras nossas, para nos recomendar a Deus. Significa uma aceitação sem reservas do veredicto de Deus que “todas as nossas justiças [nossas melhores performances], são como trapo da imundícia” (Isaías 64:6). Foi neste ponto que Israel falhou: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). Agora, contraste com a declaração de Paulo: “E seja achado nEle, não tendo justiça própria” (Filipenses 3:9).

III) Como negar a si mesmo totalmente?

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino dos céus, a menos que tenha se tornado “como criança” (Mateus 18:3). “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:21). “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22). Quando o Espírito Santo aplica o Evangelho em poder numa alma, é para “destruir os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Um lema sábio para o todo cristão adotar é “não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria força. É “não confiar na carne” (Filipenses 3:3). É o coração se curvando à declaração positiva de Cristo: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5). Este é o ponto no qual Pedro falhou: (Mateus 26:33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18). Quão necessário é, então, que prestemos atenção à (1 Coríntios 10:12): “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”! O segredo da força espiritual reside em reconhecer nossa fraqueza pessoal: (veja Isaías 40:29; 2 Crônicas 12:9). Então, “fortifiquemo-nos na graça que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1).

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria vontade. A linguagem do não-salvo é, “Não queremos que este Homem reine sobre nós” (Lucas 19:14). A atitude do cristão é, “Para mim, o viver é Cristo” (Filipenses 1:21) — honrá-Lo, agradá-Lo, servi-Lo. Renunciar sua própria vontade significa atender à exortação de Filipenses 2:5, “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, o qual é definido nos versos que imediatamente seguem como de abnegação. É o reconhecimento prático de que “não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por bom preço” (1 Coríntios 6:19,20). É dizer com Cristo, “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente suas luxúrias ou desejos carnais. “O ego do homem é um feixe de ídolos” (Thomas Manton, Puritano), e estes ídolos devem ser repudiados. Os não-cristãos são “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3:1); mas aquele que foi regenerado pelo Espírito diz com Jó, “Eis que sou vil” (40:4), “Eu me abomino” (42:6). Dos não-cristãos está escrito, “todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Filipenses 2:21); mas dos santos de Deus está registrado,“eles não amaram a sua vida até à morte” (Apocalipse 12:11). A graça de Deus está “ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tito 2:12).

Esta negação do ego que Cristo requer de todos os Seus seguidores deve ser universal. Não há nenhuma reserva, nenhuma exceção feita: “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Romanos 13:14). Deve ser constante, não ocasional: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). Deve ser espontânea, não forçada, realizada com satisfação, não relutantemente: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23). Ó, quão impiamente o padrão que Deus colocou diante de nós tem sido rebaixado! Como isso condena a vida acomodada, agradável à carne e mundana de tantos que professam (mas, de maneira vã) que eles são “cristãos”!

IV) Tome a sua cruz:

“E tome a sua cruz”. Isto se refere não à cruz como um objeto de fé, mas como uma experiência na alma. Os benefícios legais do Calvário são recebidos através do crer, quando a culpa do pecado é cancelada, mas as virtudes experimentais da Cruz de Cristo são somente desfrutadas à medida que somos, de um modo prático, “conformados com a Sua morte” (Filipeneses 3:10). É somente à medida que realmente aplicamos a cruz às nossas vidas diárias, regulamos nossa conduta pelos seus princípios, que ela se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós. Não pode haver ressurreição onde não há morte, e não pode haver andar prático “em novidade de vida” até que “carreguemos no corpo o morrer do Senhor Jesus” (2 Coríntios 4:10). A “cruz” é o sinal, a evidência, do discipulado cristão. É sua “cruz”, e não o seu credo, que distingue um verdadeiro seguidor de Cristo do mundano religioso.

Agora, no Novo Testamento a “cruz” tem o significado de realidades definidas. Primeiro, ela expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus veio aqui não para julgar, mas par salvar; não para punir, mas para redimir. Ele veio aqui “cheio de graça e verdade”. Ele sempre esteve à disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos, curando os enfermos, libertando os possessos pelo demônio, ressuscitando os mortos. Ele era cheio de compaixão: gentil como um cordeiro; inteiramente sem pecado. Ele trouxe com Ele felizes notícias de grande alegria. Ele procurou os perdidos, pregou aos pobres, todavia, não desdenhou dos ricos; Ele perdoou pecadores. E, como Ele foi recebido? Que tipo de recepção os homens Lhe deram? Eles O “desprezaram e rejeitaram” (Isaías 53:3). Ele declarou, “Eles Me odeiam sem uma causa” (João 15:25). Eles tiveram sede de Seu sangue. Nenhuma morte ordinária os apaziguaria. Eles demandaram que Ele deveria ser crucificado. A Cruz, então, foi a manifestação do ódio inveterado do mundo pelo Cristo de Deus.

O mundo não mudou, não mais do que o etíope pode mudar sua pele ou o leopardo suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em aberto antagonismo. Por conseguinte, está escrito: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4). É impossível andar com Cristo e comungar com Ele, até que tenhamos nos separado do mundo. Andar com Cristo necessariamente envolve compartilhar Sua humilhação: “Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hebreus 13:13). Isto foi o que Moisés fez (veja Hebreus 11:24-26). Quanto mais próximo eu andar de Cristo, mais eu serei mal-entendido (1 João 3:2), ridicularizado (Jó 12:4) e detestado pelo mundo (João 15:19). Não cometa engano aqui: é extremamente impossível continuar com o mundo e ter comunhão com o Santo Cristo. Portanto, “tomar” minha “cruz” significa, que eu deliberadamente convido a inimizade do mundo através da minha recusa em ser “conformado” a ele (Romanos 12:2). Mas, o que importa o olhar carrancudo do mundo, se estou desfrutando os sorrisos do Salvador?

Tomar minha “cruz” significa uma vida voluntariamente rendida a Deus. Como o ato dos homens ímpios, a morte de Cristo foi um assassinato; mas como o ato do próprio Cristo, foi um sacrifício voluntário, oferecendo a Si mesmo a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Em João 10:18 Ele disse, “Ninguém a [Sua vida] tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”. E por que Ele o fez? Suas próximas palavras nos dizem: “Este mandato recebi de meu Pai”. A cruz foi a suprema demonstração da obediência de Cristo. Nesta Ele foi o nosso Exemplo. Uma vez mais citamos Filipenses 2:5: “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. E nos versos seguintes nós vemos o Amado do Pai tomando a forma de um Servo, e tornando-Se “obediente até a morte, e morte de cruz”. Agora, a obediência de Cristo deve ser a obediência do cristão — voluntária, alegre, sem reservas, contínua. Se esta obediência envolve vergonha e sofrimento, acusação e perda, não devemos nos acovardar, mas por o nosso rosto “como um seixo” (Isaías 50:7). A cruz é mais do que o objeto da fé do cristão, ela é o sinal de discipulado, o princípio pelo qual sua vida deve ser regulada. A “cruz” significa rendição e dedicação a Deus: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).

Considerações finais:

A “cruz” significa serviço vicário e sofrimento. Cristo deu a Sua vida pelos outros, e Seus seguidores são chamados a estarem dispostos para fazerem o mesmo: “Devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 João 3:16). Esta é a lógica inevitável do Calvário. Somos chamados para seguir o exemplo de Cristo, para a companhia de Seus sofrimentos, e para ser participantes em Seu serviço. Assim como Cristo “a si mesmo se esvaziou” (Filipenses 2:7), assim devemos fazer. Assim como Ele “veio para servir, e não para ser servido” (Mateus 20:28), assim devemos ser. Assim como Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3), assim devemos fazer. Assim como Ele lembrou dos outros, assim devemos lembrar: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados” (Hebreus 13:3).

“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16:25). Palavras quase idênticas a estas são encontradas novamente em Mateus 10:39. Marcos 8:35, Lucas 9:24; 17:33, João 12:25. Certamente, tal repetição mostra a profunda importância de notar e prestar atenção a este dito de Cristo. Ele morreu para que nós pudéssemos viver (João 12:24), e assim devemos fazer (João 12:25). Como Paulo, devemos ser capazes de dizer “Em nada tenho a minha vida por preciosa” (Atos 20:24). A “vida” que é vivida para a gratificação do ego neste mundo, está “perdida” para eternidade; a vida que é sacrificada para os interesses próprios e rendida a Cristo, será “achada” novamente, e preservada durante toda a eternidade.

Um jovem universitário graduado, com prospectos brilhantes, respondeu ao chamado de Cristo para uma vida de serviço a Ele na Índia, entre a casta mais baixa dos nativos. Seus amigos exclamaram: “Que tragédia! Uma vida lançada fora!” Sim, “perdida”, até onde diz respeito a este mundo, mas “achada” novamente no mundo porvir !