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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Até lá, Deus será conosco



Texto: Rm: 8:31-39

É difícil para o ser humano esperar algo, aguardar a resolução de uma caminhada. Destarte esperar por Cristo nesta vida é mui dificultoso devido à fraqueza e da debilidade do ser. Entretanto, Deus em sua plenitude cuida de cada um segundo ao Seu poder (Romanos 8: 26-27 Assim também o Espírito de Deus vem nos ajudar na nossa fraqueza. Pois não sabemos como devemos orar, mas o Espírito de Deus, com gemidos que não podem ser explicados por palavras, pede a Deus em nosso favor. E Deus, que vê o que está dentro do coração, sabe qual é o pensamento do Espírito. Porque o Espírito pede em favor do povo de Deus e pede de acordo com a vontade de Deus).

De modo, que junto com a glória profunda está à vitória sobre todas as aflições da vida, apesar da contribuição para tal vitória da parte humana seja quase nula. Paulo em Romanos 8:31-39, discursará de modo eloqüente que nada poderá separar os eleitos do amor de Deus. Tal discurso se divide em três partes retóricas (Será que os eleitos fracassarão por): 1) (Oposição de outros e de Satanás?) Vers. 31-32 Diante de tudo isso, o que mais podemos dizer? Se Deus está do nosso lado, quem poderá nos vencer? Ninguém!  Porque ele nem mesmo deixou de entregar o próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós! Se ele nos deu o seu Filho, será que não nos dará também todas as coisas? 2) (Tendência pecaminosa?) vers. 33-34. Quem acusará aqueles que Deus escolheu? Ninguém! Porque o próprio Deus declara que eles não são culpados. Será que alguém poderá condená-los? Ninguém! Pois foi Cristo Jesus quem morreu, ou melhor, quem foi ressuscitado e está à direita de Deus. E ele pede a Deus em favor de nós. 3) (Tempos de dificuldade?) vers. 35-39 Então quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte? Como dizem as Escrituras Sagradas: "Por causa de ti estamos em perigo de morte o dia inteiro; somos tratados como ovelhas que vão para o matadouro." Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou. Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

I)                   Será que os eleitos fracassarão por oposição de outros e de Satanás? (Vers. 31-32)

É bem certo que aqueles que permanecem em Cristo terão o ódio do Mundo (1 João 3:13  Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia), Satanás e todos que estão sobre o seu controle é contra os eleitos; mas Deus promete a vitória no final, logo Deus é por seus eleitos (31...Deus está do nosso lado...), contudo até que ponto Deus é com seus eleitos ? Deus é com seus eleitos aponto de não poupar o seu próprio Filho (32.... Porque ele nem mesmo deixou de entregar o próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós!), assim pode entender que (32... Se ele nos deu o seu Filho, será que não nos dará também todas as coisas?).

Deus deu o seu único Filho gerado para nos salvar de nós mesmos, ou seja, de nossos pecados (2 Coríntios 5:21  Em Cristo não havia pecado. Mas Deus colocou sobre Cristo a culpa dos nossos pecados para que nós, em união com ele, vivamos de acordo com a vontade de Deus.). O Senhor não esperou sermos forte para fazer a aliança conosco, antes em nossa debilidade fez concerto com os que desprezavam (Romanos 5:6 De fato, quando não tínhamos força espiritual, Cristo morreu pelos maus, no tempo escolhido por Deus), por este motivo é que a oposição dos homens e de Satanás não nos vencerá (João 10:28-29 Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele.)

II)                 Será que os eleitos fracassarão por tendência pecaminosa? (vers. 33-34)

Deus não nos escolheu por nós mesmos; e não poupou o Seu Filho, e pretende a dar tudo para nos completar (2 Coríntios 3:5  não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus), será que alguém (34...  poderá condená-los?). Paulo é enfático em sua resposta: não. (33... É Deus quem... nos... justifica...) e Ele é além de justificador, é também juiz que nos declarou inocentes (Hebreus 8:12 Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei). Então, (34... Quem os condenará?), Será Cristo, haja vista, que os ofendemos e o rejeitamos em nossos delitos e pecados. Não de maneira alguma, pois Cristo não condenaria por quem Ele morreu. Bem da verdade Jesus é (34... quem morreu ou, antes, quem ressuscitou), e (34... o qual está à direita de Deus e também intercede por nós). O Espírito Santo intercede por nós (Romanos 8:27.  E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos) e como vimos Cristo assim também o faz. Será que ainda precisamos ter outro advogado? De forma alguma! (1 João 2:1-2 ¶ Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro).

III)              Será que os eleitos fracassarão por tempos de dificuldade? (vers. 35-39)

Nestes versículos de conclusão de seu pensamento, Paulo fundamentará sua confiança em que nada poderá nos separar do amor de Cristo, e retoricamente estabelece uma interrogativa, em seguida lista diversos percalços do viver (35... Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?). Paulo de forma clara fala de sua própria vida; ele já havia passado por tudo isto, e nada foi capaz de separar o amor de Cristo de sua vida (Filipenses 4: 10-13  Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.  Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece). Isso significa que o Amor de Cristo não nos separa das experiências negativas da vida, mas significa na verdade que apesar de toda dificuldade Ele estará conosco pelo Seu Amor.
No versículo 36, Paulo cita o Salmo 44:22 22 “Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro”. Isto é para lembrar que aqueles que são crentes deverão esperar perseguições nesta vida. Haja vista, que neste Salmo o trovador expressa que as dificuldades estão presente na vida dos fiéis. O sofrimento dos crentes é a regra, e não a exceção.

Todas as dificuldades da vida não têm poder em si mesma para nos separar deste amor magnífico. Antes os que passam por estas aflições alcançaram vitória em Deus (37... Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou).

Sim estamos seguros em Deus, por Cristo nosso Senhor, logo nada poderá nos apartar dEle (38-39  Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.). Nada em toda criação pode tirar de nós o amor de Deus, ou prejudicar os propósitos que Ele tem em relação a cada um de nós.

Concluindo, o argumento de Paulo é bem simples e comovente; uma vez que alguém está em cuidados de Cristo, será impossível separá-lo dEle. A morte de Cristo é a prova do seu amor por nós (1 João 4:10  Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados). E assim até lá, Deus será conosco!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

REVOLTA E CONTRA-REVOLTA


Salmo 2

Este Salmo é geralmente considerado como messiânico, mas foi baseado, pode-se dizer quase que com toda a certeza, numa ocasião histórica como a que nos é narrada em 2Sm 5.17 ou em 2Sm 10.6 e seguintes. Uma situação semelhante é comemorada no Sl 83.5-8, mas a característica distintiva do Sl 2 está no seu discernimento da crise cósmica por detrás de um acontecimento de caráter nacional.

O poema representa o mundo inteiro organizado contra o Senhor em deliberada oposição ao Seu governo. Isto sugere uma diferença fundamental entre a perspectiva da terra e a do céu; daqui provêm o contraste entre a agitação e a futilidade dos povos em rebelião e a equanimidade e imutabilidade dos propósitos de Deus.

a) A conferência mundial (1-3)

A questão apresentada no vers. 1 é retórica e não analítica, por que qualquer revolta contra Deus é considerada sem fundamento. O furor das nações não é a fúria da ira concertada, mas o tumulto que resulta da disputa ruidosa entre gentes que imaginam coisas vãs, isto é, que se rebelam e fazem projetos vãos e ineficazes. Historicamente, o objeto do ataque dos ímpios era o ungido do Senhor, Davi (Cfr. 1Sm 24.6); essencialmente, era o próprio Deus; profeticamente, era o Messias (cfr. At 4.25-27).

>Sl-2.4

b) A confiança celestial (4-6)

Só é possível avaliar verdadeiramente a situação discernindo a mente de Deus, que Se senta entronizado no Céu e contempla todo o tumulto da insurreição com a suprema confiança no ilimitado poder da verdade (cfr. 2Co 13.8). Então (5) tem uma força peculiar. Significa o fim do tempo da aparente liberdade do homem e o estabelecimento, na terra, do propósito divino. Tão certo está este clímax determinado que Deus pode permitir-se conceder séculos às nações rebeldes de modo que todos os planos delas possam amadurecer, todas as objeções possam ser utilizadas e toda a resistência possa ser tentada (cfr. Ez 33.11). Então, na plenitude dos tempos, Ele intervém com ira (lit. "soprando com força pelas narinas") e no Seu furor (lit. "com ardente ira") e enuncia a Sua palavra enfática (cfr. Rm 1.18; 2Ts 2.8-13). Eu, porém ungi o meu Rei sobre o meu santo monte (6; cfr. Hb 1.2-3). O argumento de Davi, contra os que se lhe opunham, era que Deus o tinha indigitado para o trono, pelo que qualquer resistência que lhe fosse feita significava disputar com Deus (cfr. Sl 4.3).

>Sl-2.7

c) A sua autoridade real (7-9)

Imagina-se que as nações rebeldes, reunidas em revolta tumultuosa sobre a terra, foram momentaneamente apaziguadas pela declaração divina que ecoa desde o Céu. No silêncio que se supõe seguir-se, o próprio Davi dirige-se aos reis e aos povos congregados. Em primeiro lugar, ele defende o seu reinado, como sendo autorizado pelo Senhor, com fundamento no parentesco (7), doação (8), e vocação, isto é, o poder de vencer (9). A frase Tu és meu Filho (7) encontra um paralelismo no Sl 89.26-27 e as palavras Eu hoje te gerei podem entender-se, historicamente, como fazendo referência ao dia da entronização de Davi. Foram, porém verdadeira e completamente cumpridas em Jesus Cristo, como o Novo Testamento ensina. At 13.33; Rm 1.4 declaram que Ele foi aclamado "Filho" pelo próprio fato da ressurreição. Hb 1.5 e Hb 5.5 citam a frase, associando-a com a encarnação e o sacerdócio de Cristo. Alguns manuscritos, incluindo o Códice de Bezae, usam-na em relação com o batismo de Jesus (Lc 3.22). Semelhantemente, a dádiva prometida das nações e dos domínios deste mundo veio a ser uma expectativa messiânica e desde há muito que se entende como dizendo respeito a Cristo. Ap 2.27 cita o vers. 9 em ligação com "o fim", isto é, a vinda de Cristo em poder e glória (cfr. também Ap 19.15).

>Sl-2.10

d) A ação razoável (10-12)

Na segunda parte do discurso de Davi, ele retrocede para a realidade da situação descrita nos vers. 1-3. Aquele perigo ainda não passou; a crise ainda não está resolvida; a elasticidade do divino Então (5) ainda não deu de si; os eventos futuros podem ainda ser moldados pelos homens. Esta é a razão do apelo feito aos reis e juízes da terra. Sedes prudentes... Servi ao Senhor... beijai (isto é, prestai homenagem) ao Filho, porque, de outro modo, não poderá haver escape do desastre.

O Salmo não descreve o resultado real, porque é um resumo de toda a história, com o estranho poder do tempo que se manifesta em renovadas crises. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

UMA ORAÇÃO MATINAL


SALMO 5

Este Salmo é companheiro do anterior. As circunstâncias são semelhantes, mas o vers. 3 faz dele uma oração matinal.

a) A invocação (1-3)

O caráter urgente e intenso do poema é revelado pelo primeiro verso. Os títulos Rei meu e Deus meu (2) implicam uma relação de intimidade entre Davi e o Senhor que o coloca em posição de solicitar o auxílio do poder e da justiça supremos. Pela manhã (3). O seu primeiro ato do dia consistirá em fazer ouvir a sua voz perante o Senhor e então vigiará na expectativa da resposta do Senhor.

>Sl-5.4

b) Como Deus age com os ímpios (4-8)

Entretanto, o salmista medita no caráter de Deus que é tão diferente do dos homens que se Lhe opõem, e é considerado no seu próprio coração de uma forma tão elevada. À vista de Deus, as atividades dos homens ímpios são fúteis; na Sua presença, os loucos ("arrogantes" -SBB) ou "jactanciosos" serão derrubados. Todas as obras más e as palavras falsas, que Deus odeia e abomina, serão destruídas.

O orador, depois, dá ênfase, em dois aspectos, àquilo que o distingue, a ele próprio, dos homens maus, falsos e cruéis. Num temor reverente (em Teu temor, 7) ele adora na casa de Deus (cfr. Sl 27.4). Pede também a Deus que o guie. Ele não necessita apenas de conhecer o que é reto. Necessita de ver removidos todos aqueles obstáculos que poderiam impedi-lo de andar no caminho de Deus. Aplana diante de mim o Teu caminho (8); isto é, "faz que o Teu caminho seja desobstruído" (Cfr. Is 40.4).

>Sl-5.9

c) O caminho de Deus com os justos (9-12)

Esta parte do Salmo ocupa-se com os mesmos elementos da seção anterior, isto é, os ímpios e os tementes a Deus, mas a orientação e a ênfase são completamente diferentes. Os vers. 4,6 consideram o ímpio como à vista de Deus; os vers. 9-10 descrevem-nos como eles são na vida. Os versos 7-8 constituem uma confissão humilde de confiança em Deus; os vers. 11-12 falam da jubilosa confiança na bênção de Deus. A oração tornou-se mais precisa e a fé tornou-se muito mais segura. A sua garganta é um sepulcro aberto (9), isto é, o que eles dizem acarretar-lhes-á eventualmente a destruição. Este princípio do pecado, que se faz acompanhar da sua recompensa e dos seus resultados inevitáveis, é freqüentemente expresso no Saltério. Cfr. Sl 28.4 e ver Gl 6.7-8.


terça-feira, 31 de julho de 2012

UMA ORAÇÃO DA NOITE


SALMO 4

Sl-4.1

O vers. 8 mostra que esta é uma oração da noite, provavelmente um desenvolvimento do verso 4 do Salmo anterior. Mais tarde foi adaptado à música para fins litúrgicos: Neginote, no título, significa "acompanhado por instrumentos de corda".

a) A invocação (1)

Na angústia me deste largueza... Isto implica que foi concedido livramento de um perigo imediato. A vereda estreita e restrita de Sl 2.2 alargou-se vindo a dar num lugar amplo. Todavia, nem tudo está bem. O perigo é menos óbvio e pessoal do que no Sl 3; tornou-se um perigo espiritual e comunal, cuja natureza é esboçada nos versos 2-6. Tem misericórdia de mim. Lit. "mostra-me favor".

>Sl-4.2

b) A representação aos homens (2-3)

Enquanto espera diante de Deus em oração, Davi faz, em meditação, um apelo aos guias do povo (filhos dos homens) que imagina estarem reunidos diante dele. Na perturbação que se seguiu ao fracasso inicial dos rebeldes em organizar prontamente a captura do rei fugitivo, por causa do erro que Absalão cometeu em não seguir o conselho de Aitofel, (ver 2Sm 17.1 e segs.), houve oportunidade para muitos admitirem segundos pensamentos a respeito de apoiar Absalão. Davi, metaforicamente, apela para eles, acusando-os de desonrar a dignidade real que ele recebeu de Deus e recordando-lhes que um antagonismo a Deus desta natureza é extremamente vão (cfr. Sl 2.1) e equivale a buscar a falsidade (2). Que eles considerem de novo que aquele que ama a Deus e a quem o Senhor escolhe é guardado por Ele (3a) e será ouvido por Ele em qualquer emergência (3b).

>Sl-4.4

c) A ordem aos homens (4-5)

Esta é mais direta e positiva do que a acusação precedente. Embora estes homens possam desprezar o rei e rebelar-se contra ele, que eles tomem consciência de que Deus está envolvido, que eles tremam perante o Senhor e não pequem, isto é, se guardem de pecar contra Ele: que cada um dê atenção à sua consciência e nas horas da noite, de recolhimento e reflexão, decidam calar-se, isto é, cessem de continuar a opor-se ao rei escolhido por Deus. Perturbai-vos. A Septuaginta traduz "Irai-vos". Cfr. Ef 4.26. Depois de uma pausa conveniente (Selah) durante a qual o vers. 3 pode ser apreciado de novo, Davi, num espírito em que manifesta a graça real, insta com os guias rebeldes para apresentar a Deus ofertas de sacrifícios como expressão do seu arrependimento e a jurar-Lhe a sua fidelidade. Sacrifícios de justiça. Cfr. Sl 51.17,19; Pv 15.8.

>Sl-4.6

d) A sua oração e louvor (6-8)

No verso 6, Davi reconsidera aquela estranha paralisia da piedade geral que o tinha espantado no Sl 3.2. Era uma evidência do descontentamento popular que tinha sido agravado pelas promessas de Absalão. Davi suplica ao Senhor o cumprimento sobre a nação daquela antiga bênção do sacerdócio arônico (Nm 6.26). Ele também confessa alegremente que, no seu próprio caso, um conflito desesperado tinha sido transformado num sentimento interior da graça divina que ultrapassava, de longe, as bênçãos materiais dos alimentos que lhe foram trazidos pelo velho Barzilai (cfr. 2Sm 17.27-29). Só (8). A palavra hebraica pode significar ou que só Deus lhe dá proteção ou que Deus o faz habitar em segurança quando está só. Ambos os sentidos são aplicáveis neste lugar. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A ORAÇÃO MODIFICA AS COISAS


SALMO 3

Os Salmos 3-5 estão relacionados como sendo orações da manhã e da tarde. O título deste Salmo indica que o mesmo foi escrito quando Davi fugia de Absalão, o usurpador. A tristeza de coração do rei (1) nasceu da surpreendente magnitude da rebelião (cfr. 2Sm 15.13) e também do sentimento prevalecente entre o povo de que Davi não mais continuaria a receber auxílio de Deus (2), tão desesperada parecia a sua posição. A parte restante do Salmo distingue-se do sumário precedente da situação pela palavra selah, que sempre parece indicar uma mudança no modo, uma pausa no cântico ou uma alteração ao acompanhamento musical. Esta palavra foi inserida algum tempo depois do poema ser composto com o fim de o adaptar para o uso nos serviços do templo. Os versos 3-8, que exprimem a reação de Davi ao desenrolar esmagador dos acontecimentos, são uma manifestação sublime de inextinguível confiança em Deus.

Pode considerar-se o poema dividido em três partes.

a) Abatimento ao cair da noite (1-4)

Os acontecimentos sombrios do dia (1-2) são resumidos na oração da noite e deixados com o Senhor com a confiança de que Ele tem ouvido e prestado atenção. Tu, Senhor, és um escudo (3). Cfr. a promessa de Deus a Abraão (Gn 15.1). A confiança de Davi em Deus baseia-se na Sua fidelidade anterior, embora esta tenha estado associada com o Seu Santo monte (4), do qual agora Davi é obrigado a sair (cfr. Sl 2.6). Era este conhecimento do Senhor que lhe tornava possível dormir.

>Sl-3.5

b) Fé vigorosa de manhã (5-6)

O Senhor me sustentou (5). A frescura e o vigor do corpo e a serenidade da fé com que o escritor acordou na manhã seguinte deviam-se a uma certeza implícita da misericórdia e do poder preservador de Deus. Isto não só despojou as circunstâncias pressagiosas de qualquer poder de intimidar como também deu motivo à reivindicação de um triunfo real sobre as mesmas. Isto é, como na seção anterior, uma descrição dos sentimentos pessoais é seguida de uma oração ao Senhor. Ver o contraste com 2Sm 15.30.

>Sl-3.7

c) Um apelo a Deus (7-8)

Este apelo é motivado pelo perigo ainda existente mas é formulado como se a petição estivesse já concedida (cfr. Mc 11.24). Termina com uma afirmação da soberania divina no assunto da salvação que evoca uma bênção final e intercessória. Esta bênção deverá ser derramada contra o desapontamento sentido pelo povo nos vers. 1-2.

sábado, 14 de julho de 2012

UMA ORAÇÃO DE ANGÚSTIA

SALMO 6

A primeira parte do título (Sl 4) refere-se ao regente dos instrumentos de corda. A outra frase, sobre Seminite,  que significa "em tom de oitava" (cfr. #1Cr 15.21), refere-se provavelmente a uma marcação que era uma oitava inferior à usual. Moffatt traduz: "harpas reguladas para vozes baixas".

A ansiedade e a tristeza reduziram Davi à paralisia do desespero próprio em que o seu único remédio é uma confiança implícita na misericórdia de Deus. A ocasião pode ter coincidido com #2Sm 15.1-6. O poema divide-se em quatro partes.

a) O caráter angustioso da situação (1-3)

A repetição e o paralelismo do verso 1 cria um sentimento de tristeza e de tensão. Em primeiro lugar, há um conflito entre o ideal e o real. A acentuação sobre a ira da repreensão de Deus e o desprazer aflitivo do Seu castigo implicam numa tensão na mente de Davi que resultava da sua ignorância da causa da ira divina.

Em segundo lugar, o sofrimento de Davi não só é psicológico (porque sou fraco, "debilitado" -SBB) mas também físico (os meus ossos estão perturbados); isto é, a sua vida está franzida pela aridez e frialdade das circunstâncias em que se encontra e também por causa da aparente não intervenção de Deus. Isto dá motivo ao escárnio dos seus inimigos e enche a sua mente das sombras incertas da dúvida. Todavia, ele crê que Deus pode curar o seu corpo em desequilíbrio e que está atormentado pela doença.

Em terceiro lugar, a angústia da sua alma (3) é maior do que qualquer outra coisa. Ele sente-se apanhado entre a intensidade da sua tribulação e a incerteza das suas causas e da sua duração. Senhor, até quando? (3) Não se trata de uma pergunta petulante a respeito dos propósitos de Deus mas uma expressão pungente do seu coração em agonia. Cfr. #Jó 7.3-6; #Jó 16.9-16.

>Sl-6.4

b) A petição (4-5)

O fundamento dos seus rogos a Deus move-se agora da experiência pessoal e da necessidade humana para assuntos não temporais e para o caráter divino. Volta-te (4) pode ter o significado de "repete", isto é, livra-me como o tens feito em emergências anteriores (do que o verso 8 pode ser um reflexo). Por tua benignidade (4). A súplica por salvação baseia-se no caráter de Deus essencialmente compassivo. Cfr. #Êx 34.6.

>Sl-6.5

O verso 5 introduz uma razão para fortalecer os rogos pela salvação. Se Davi vivesse, poderia recordar Deus com ações de graças. Mas no sepulcro ("Seol", que significa o lugar dos mortos) ele não poderia fazê-lo. Cfr. #Sl 30.9; #Sl 88.10; #Is 38.18. O uso, aqui feito, de um argumento baseado no que se situa fora da existência terrena, é a contrapartida do argumento inicial (1) fundamentado na crença de que o julgamento espiritual se expressava em termos de prosperidade ou miséria pessoal. Ambas eram suposições erradas, mas não invalidam de forma alguma o apelo fundamental à misericórdia de Deus.

>Sl-6.6

c) As circunstâncias da aflição (6-7)

Há aqui um regresso, numa forma diferente, ao modo como se apresentam os primeiros versos. A lamentação diária é expressada na imagem de lágrimas intermináveis e do cansaço dos olhos encovados. De um lado, manifesta-se o seu próprio sofrimento (6) e do outro, pensamentos vexatórios acerca daqueles que o odeiam (7). Tudo isto lhe rouba o sono e fá-lo parecer prematuramente velho.

>Sl-6.8

d) A visão de fé (8-10)

Estes versos interpretam-se melhor como uma experiência antecipada daquilo que é mais desejado. Pode apresentar-se colorido pela recordação de ocasiões anteriores, mas, primariamente, trata-se de um sentimento intuitivo de um cumprimento que é ainda futuro. O verso 10 é uma expectação, daquele cumprimento, mais sóbria mas igualmente confiante; aqueles que se lhe opõem serão transtornados pela contradição óbvia do que esperam. Em lugar da perturbação da sua própria alma (3) eles é que se perturbarão. A intervenção de Deus, em resposta aos seus rogos (2-5), inverterá todos os seus valores e lançá-los-á em confusão de uma forma absoluta e inesperada (cfr. #Sl 35.4-8; #Sl 83.13-17; notem-se passagens do Novo Testamento como #2Ts 2.4-10; #2Pe 3.3-10).

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A CONFIANÇA DE UMA FÉ MADURA


SALMO 71

Este Salmo não tem título, ainda que a Septuaginta o atribua a "Davi", aos fi1hos de Jonadabe, e àqueles que primeiramente foram levados cativos, o que parece ligá-lo com os primeiros anos do exílio (cfr. Jr 35). Trata-se da oração de um homem idoso (9,19), e existe certa doçura e serenidade nela que é a característica de uma longa vida passada na dependência de Deus (cfr. 5,17). Porém, não há indicação sobre a autoria, excetuando a familiaridade do escritor com muitos outros salmos, especialmente os Sl 22 (cfr. vers. 5-6); Sl 31 (cfr. vers. 1-3): e Sl 35 (cfr. vers. 13-14,19).



Há um distinto paralelo entre os vers. 1-9 e os vers. 10-18. O restante do Salmo tem uma estrutura diferente, mas também se divide em dois grupos correspondentes à seção anterior.



a) Comunhão íntima com Deus (1-9)



A calma dignidade e a confiança desses versículos são inequívocas. O apelo solicitando a ajuda divina é introduzido numa frase cheia de gentileza (2) bem diferente dos gritos imperativos e impetuosos dos Sl 22; 35; 54; 69; 70 e está entrelaçado com a apreciação do fato que Deus sempre o tem salvaguardado (3). A característica principal desta seção é o espírito de adoração para com o Senhor: cada um dos primeiros oito versículos fala sobre Ele em tons de fé e gratidão.



Em ti, Senhor (1); tua justiça (2); tu és a minha rocha (3); meu Deus (4); tu és a minha esperança (5); tu és aquele (6); tu és o meu refúgio forte (7); teu louvor... tua glória (8). A passagem inteira prepara o caminho para a petição pessoal do vers. 9. Sou como um prodígio para muitos (7). Ou por causa de sua confiança em Deus por toda a vida, o que não o livrara do perigo e da opressão, ou por causa de suas marcantes experiências de livramento anterior do perigo.



Sl-71.10



b) Resolução, a despeito da angústia (10-18)



Estes versículos são, realmente, outra versão da oração anterior, ainda que tenham uma perspectiva mais lata e mais adiantada. O escritor volta-se para considerar seus inimigos (10), bem como aqueles que formam a próxima geração (18); é desejado o julgamento (13); a esperança é uma inspiração (14); o louvor é previsto (15-16); e o trabalho é antecipado (18). Contraste-se o ponto de vista para o passado, do vers. 6. Seus inimigos acreditam que o Senhor o abandonara e estão prestes a atacá-lo (11). Eis o motivo por que a oração dos vers. 2 e 3 é urgentemente repetida nas palavras: Ó Deus, não te alongues de mim (12). A confissão anterior de esperança é reiterada no vers. 14. A antecipação de louvor incessante, a respeito da glória de Deus (8) é agora reforçada por uma vida inteira de divina tutela (17). Finalmente, o lamentoso grito do vers. 9 é transformado no vers. 18; a possibilidade anterior das suas forças falharem se torna indefinidamente adiada, até que o trabalho de uma vida inteira seja realizado.



Os versículos restantes deste Salmo devem ser distinguidos dos anteriores: neles não há qualquer referência direta à juventude e à velhice, à perseguição, ou à necessidade de livramento imediato.



Sl-71.19



c) Esperança em Deus (19-21)



O sentimento destes versículos é comparável ao dos vers. 1-10. Não apenas existe uma bem real consciência dos atos anteriores da compaixão de Deus (19-20; notar o uso repetido do termo também), mas também há certo parentesco de pensamento. Por exemplo, foi a grandeza da santidade de Deus (19) que provocou a oração, inclina os teus ouvidos (2). Novamente, a noção de renascimento, desde os abismos da terra (20), isto é, livramento das portas da morte, é uma extensão do pensamento sobre o nascimento físico (6; cfr. Sl 139.15): ambas as coisas são consideradas como obras de Deus. Além disso, a grandeza do salmista, que ele ora seja aumentada (21) é, primariamente, a rica qualidade de seus anos maduros (cfr. vers. 9). Num sentido secundário, talvez também signifique o prestigio nacional; como texto alternativo, o vers. 20 emprega o pronome plural, ou seja, "nos tens feito ver", "nos darás" e "nos tirarás". Suas palavras, de novo me consolarás, podem ser consideradas como uma variação do vers. 9, ainda que talvez também tenha uma interpretação adicional, como se fosse uma oração nacional (respondida em #Is 40.1).



>Sl-71.22



d) Louvor e adoração (22-24)



Nesta última porção a ênfase recai sobre o futuro, como nos vers. 14-18 (o pronome "eu" é destacado tanto no vers. 14 como no vers. 22). Porém, em lugar de inimigos e conspirações, temos os instrumentos de louvor, o saltério e a harpa. Ele confia na resposta à oração expressa no vers. 12, e, portanto, exalta a verdade (isto é, a fidelidade) de seu Deus (22). Anteriormente ele tinha olhado esperançosamente a oportunidade de declarar a tua salvação todo o dia (15); mas agora ele segura-se na certeza de poder assim fazer, pois a redenção de sua alma é motivo bastante para falar todo o dia (24). Finalmente, o espírito de adoração é realçado pelo título ó Santo de Israel (22; no saltério somente encontrado também em #Sl 78.41 e #Sl 89.18), pois a santidade de Deus, acima de todas as coisas, é que serve de inspiração para este regozijante louvor (cfr. #Jo 15.9-11).